Com a chegada da usina de Porangatu ao mercado, a Olfar assume o topo do pódio do setor de biodiesel
O setor de biodiesel tem um novo líder: a Olfar. Com o retorno da usina de Porangatu (GO) ao mercado com seus superlativos 648 mil m³, o grupo industrial de origem gaúcha passa a controlar 1,24 milhão de m³ em capacidade instalada, ultrapassando os 1,18 milhão de m³ da Granol.
Isso encerra mais de uma década de dominância da Granol sobre o setor de biodiesel. Dos primórdios da indústria no Brasil até hoje, a Granol só não esteve no topo do pódio durante o breve reinado da Brasil Ecodiesel. Entre 2006 e 2009, a Ecodiesel chegou a controlar substanciais 745,2 mil m³ em capacidade instalada. Volume tão substancial que, hoje, seria bastante para colocá-la na sexta posição do ranking.
E a Olfar deve ampliar ainda mais sua dianteira sobre os concorrentes nos próximos meses. A empresa já tem engatilhada uma ampliação de sua usina em Porto Real (RJ) que deveria ir dos atuais 162 para 234 mil m³. Com isso, o grupo passaria a ser ‘dono’ de mais de 11,4% do parque industrial brasileiro.
O setor de biodiesel tem um novo líder: a Olfar. Com o retorno da usina de Porangatu (GO) ao mercado com seus superlativos 648 mil m³, o grupo industrial de origem gaúcha passa a controlar 1,24 milhão de m³ em capacidade instalada, ultrapassando os 1,18 milhão de m³ da Granol.
Isso encerra mais de uma década de dominância da Granol sobre o setor de biodiesel. Dos primórdios da indústria no Brasil até hoje, a Granol só não esteve no topo do pódio durante o breve reinado da Brasil Ecodiesel. Entre 2006 e 2009, a Ecodiesel chegou a controlar substanciais 745,2 mil m³ em capacidade instalada. Volume tão substancial que, hoje, seria bastante para colocá-la na sexta posição do ranking.
E a Olfar deve ampliar ainda mais sua dianteira sobre os concorrentes nos próximos meses. A empresa já tem engatilhada uma ampliação de sua usina em Porto Real (RJ) que deveria ir dos atuais 162 para 234 mil m³. Com isso, o grupo passaria a ser ‘dono’ de mais de 11,4% do parque industrial brasileiro.
Segundo o diretor comercial do grupo, Guilherme Weschenfelder, a liderança recém-conquistada não deverá modificar o rumo que a empresa vem seguindo desde que entrou no setor em 2010. “Seguiremos atuando de mesma forma, focados na responsabilidade e importância que o setor tem para a economia”, diz acrescentando que a Olfar se diferencia pela verticalização de seus negócios, foco em gestão e tecnologia dos processos. “Esses são nossos pontos fortes”, complementa.
Oportunidades
Senso de oportunidade também tem sido um fator fundamental no sucesso da Olfar no setor de biodiesel. Das três usinas controladas pelo grupo, apenas a de Erechim (RS) era ‘zero quilômetro’. As outras duas – Porto Real (RJ) e Porangatu (GO) – foram aquisições.
O primeiro reforço foi a planta fluminense. Construída originalmente pela Grand Valle – empresa que teve vida bastante curta no setor –, a unidade foi encampada em meados de 2015 por um valor não revelado. A usina Porto Real recebeu R$ 30 milhões em investimentos dos novos donos e ao voltar ao mercado, em março de 2017, tinha o dobro do tamanho.
A história com a unidade de Porangatu foi parecida. Construída originalmente em 2011 para a Bionasa, a planta goiana foi a leilão em outubro de 2018 e foi arrematada por R$ 26,1 milhões pela Olfar com a meta de trazê-la de volta ao mercado no segundo semestre e 2019.
Acabou demorando bem mais do que isso. Segundo Guilherme, o atraso de deveu à decisão de ampliar a capacidade produtiva dos 235,1 mil m³ que tinha quando saiu do mercado em março de 2015 para seus atuais 648 mil m³. “[Por causa] do tempo necessário para avaliação e execução do projeto, foi necessário adequar o prazo”, explicou o executivo.
De acordo com Guilherme, no momento a Olfar não está em busca de novas oportunidades no ramo de biodiesel. “Novos projetos dependerão de viabilidade, do rumo que o setor tomará e do foco do grupo”, antecipou. O que não quer dizer que o grupo esteja parado. Em janeiro, foi anunciado R$ 150 milhões em investimento num terminal no Porto de São Sebastião que fará movimentação de graneis líquidos incluindo para a usina de Porto Real.
Desafios
Não é que o setor tenha sempre voado em céu de brigadeiro nos quase 16 anos que se passaram desde que a produção comercial de biodiesel começou no Brasil, mas a Olfar assume a coroa num momento particularmente conturbado. Não bastassem os impactos que pandemia do novo coronavírus ainda vêm tendo sobre a economia brasileiro, a indústria vem sofrendo golpes em série.
Justamente no ano em que o Brasil se consolidou como o maior produtor global do grão, a indústria nacional viu a oferta de soja no mercado interno apertar a ponto de ter que ir buscar fora do país parte de sua matéria-prima. E, mesmo com o Brasil se encaminhando para colher a maior safra de todos os tempos, nada indica para um grande alívio no mercado interno. “Todos os anos temos grandes e diferentes desafios. Este ano não será diferente (...) temos que estar preparados e fazer frente a este mercado”, avalia.
Além disso, o governo federal anunciou no ano passado seu plano para acabar com os leilões de biodiesel. Se tudo correr como o Planalto quer, o setor pode ir se preparando para, em 2022, partir para o mercado aberto. Segundo o executivo da Olfar, pode ser que a guinada não seja assim tão radical. “Não entendo ainda que já se tenha uma definição quanto ao ‘fim dos leilões’ ou se poderá haver uma adaptação ao formato”, pondera acrescentando que o modelo atual gera “equilíbrio tanto para as usinas quanto distribuidoras garantindo o abastecimento”.
Acabem ou não os leilões de biodiesel, Guilherme confia que o futuro do setor terá que ser “muito bem pensado e estruturado” para garantir o futuro das energias renováveis no Brasil. “O biodiesel é uma atividade importantíssima para economia nacional, um setor amplo, complexo, interligado a outras atividades ao qual gera valor agregado as mesmas. (...) Acreditamos que as mudanças serão positivas e para melhor na cadeia como um todo”, encerra.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com