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Na China, caminhão elétrico já troca de bateria no tempo de encher o tanque de diesel

Tecnologia combina bateria removível com reserva de energia para reduzir paradas nas estradas; empresa promete economia de mais de US$ 68,7 mil em três anos

Estradão 5 min de leitura

A fabricante chinesa de baterias CATL apresentou nesta terça-feira (20) um sistema que permite trocar a bateria de um caminhão elétrico em cerca de cinco minutos, tempo próximo ao necessário para abastecer um veículo a diesel. A novidade busca resolver um dos principais desafios do transporte pesado eletrificado: o tempo que os caminhões precisam ficar parados para recuperar a autonomia.

Batizada de Dual-Electric Range Extender, a tecnologia usa duas baterias com funções diferentes. Uma alimenta o veículo durante a maior parte do trajeto. A outra funciona como reserva e permite que o motorista continue rodando quando a carga principal está perto do fim. As informações foram divulgadas pelo site CarNewsChina.

A troca de baterias em si não é novidade na China. A empresa NIO já soma mais de 100 milhões de trocas em carros de passeio, e a própria CATL já opera uma rede de estações para caminhões. O que muda agora é a bateria reserva, que dá ao motorista uma margem de segurança até a próxima estação.

Como funciona a troca de bateria em cinco minutos?

O sistema usa uma arquitetura chamada A+B. A bateria principal, instalada na parte inferior do caminhão, pode ser removida e substituída em uma estação de troca. A CATL oferece duas capacidades: 432 kWh e 513 kWh.

A segunda bateria é fixa, tem 77 kWh e entra em funcionamento quando a principal está quase descarregada. Segundo a fabricante, essa configuração permite usar a bateria removível até restarem apenas 5% de carga, sem que o caminhão dependa só dela para chegar à estação.

Ao chegar a um ponto compatível, o veículo recebe outra bateria carregada, dispensando a espera por uma recarga convencional.

A empresa também pretende oferecer as baterias removíveis por meio de contratos de locação. Assim, as transportadoras poderão comprar os caminhões sem arcar com o custo integral desses componentes.

Economia pode passar de R$ 345 mil, diz fabricante

A CATL estima que a tecnologia possa gerar economia superior a 460 mil yuans, cerca de US$ 68,7 mil ou R$ 345 mil, em três anos de operação, na comparação com caminhões a diesel.

O cálculo considera o custo total de propriedade (TCO), indicador que reúne despesas com aquisição, energia, manutenção e uso do veículo.

Trata-se, porém, de uma projeção da fabricante. A economia real dependerá de fatores como quilometragem, preço da eletricidade, valor do diesel e condições de operação de cada transportadora.

Rede de troca deve chegar a 2 mil estações em 2027

A nova tecnologia faz parte do QiJi, projeto da CATL para criar uma rede de estações de troca de baterias voltada ao transporte pesado.

Atualmente, cinco grandes corredores logísticos chineses já contam com a estrutura. Segundo a empresa, os veículos atendidos pela rede acumulam mais de 5 milhões de quilômetros rodados.

A previsão é instalar 900 estações até o fim de 2026 e chegar a 2 mil em 2027, cobrindo as principais rodovias chinesas. A meta de longo prazo é alcançar 10 mil pontos.

Para garantir a compatibilidade entre diferentes caminhões, a empresa padronizou as baterias removíveis em dois formatos. O módulo de 432 kWh atende veículos com entre-eixos de 3.800 mm, e o de 513 kWh foi desenvolvido para modelos com entre-eixos de 4.200 mm.

Durante a apresentação, a CATL também anunciou acordos com 14 empresas, entre elas as operadoras logísticas SF Express, ZTO Express e YTO Express. Os compromissos envolvem um volume inicial de 13 mil unidades.

Nova bateria promete mais de 600 km de autonomia

Além do sistema de troca rápida, a fabricante apresentou quatro produtos da linha Tectrans II, voltados a diferentes operações de transporte.

O principal destaque é a Tectrans II Long-Range, com 760 kWh de capacidade, autonomia anunciada de mais de 600 quilômetros e arquitetura elétrica de 800 volts.

A empresa também desenvolveu uma bateria mais leve para entregas de curta distância e outra mais fina, para caminhões basculantes. Nesta, a espessura caiu de 860 mm para 580 mm, o que libera espaço para carga. Há ainda uma configuração para caminhões com entre-eixos de 3.350 mm, voltada a operações em regiões montanhosas e áreas portuárias.

Metade dos caminhões pesados vendidos na China já é elétrica

Segundo a CATL, a participação dos caminhões pesados elétricos no mercado chinês passou de 5,2% em 2022 para 50,28% em setembro de 2026.

A companhia afirma ainda que mais de 430 mil caminhões pesados elétricos em circulação no mundo usam suas baterias, o equivalente a mais de 70% desse mercado.

Os números ajudam a explicar a aposta da CATL em soluções para a operação comercial. Para as transportadoras, o desafio não é só ampliar a autonomia, mas reduzir o tempo de parada e tornar a eletrificação economicamente viável.

E no Brasil?

Por aqui, a eletrificação do transporte de carga ainda está no começo. Segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), foram emplacados 216 caminhões elétricos no País entre janeiro e setembro de 2026.

A troca de bateria já foi apresentada ao mercado brasileiro. Em 2024, a XCMG lançou no País um caminhão elétrico cujo conjunto de baterias pode ser substituído em até seis minutos em uma estação de troca. Não há, porém, anúncio de implantação do sistema da CATL nem da rede QiJi no Brasil.

Pietra Alcantara – Estradão

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