Para analistas, novos riscos ainda podem surgir com as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos e o pleito legislativo em Israel
Os permanentes riscos geopolíticos seguem deixando os preços do petróleo sob pressão de alta, segundo analistas. Na visão do Citi, ainda que dados apontem uma recuperação de fluxos de navios no Golfo Pérsico, permanecem os riscos relacionados ao petróleo a curto prazo. Novos riscos geopolíticos ainda podem surgir sobre as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, em 3 de novembro, e as eleições legislativas de Israel, na terça-feira (27).
“A visão predominante no mercado continua sendo a de que a tensão entre Estados Unidos e Irã deve persistir por um período prolongado, mas de baixa intensidade”, aponta o Citi, em relatório. “Com a recuperação dos fluxos no Estreito de Ormuz e o presidente [Donald] Trump repetidamente recuando diante de uma escalada, vários investidores indicaram que a expectativa é de um mercado de petróleo volátil, mas gradualmente mais firme, em vez de um prêmio de risco geopolítico agudo.”
De acordo com o banco, a perspectiva é que o Irã continue a influenciar a cotação e mantenha exportações de petróleo, especialmente para a China neste fim de ano. Por outro lado, o país deve evitar tomar atitudes que provoquem alguma reação internacional mais contundente. A visão do Citi é que o conflito pode se estender para além de 2026.
Segundo o banco, as exportações de petróleo bruto do Oriente Médio estão mais de 4 milhões de barris por dia abaixo dos níveis do ano anterior. A recuperação nos fluxos veio acompanhada de ineficiências logísticas crescentes, apontou o Citi.
Na sexta-feira (23), o petróleo Brent subiu 3,13%, alcançando o maior nível desde maio, para US$ 116,72 por barril. Relatos de que Estados Unidos e Israel estariam planejando novos ataques ao Irã elevaram o temor e ampliaram o aumento da cotação.
Para o Goldman Sachs, está mantida a expectativa de que a adaptação contínua da oferta no Oriente Médio acabará por reduzir os preços do petróleo, embora uma possível nova escalada ainda represente risco significativo de alta. O banco estima que o Brent termine o ano em US$ 90 por barril.
Para 2027, a previsão média para o Brent é de US$ 80, com a projeção de adaptação mais rápida do que o esperado na oferta do Golfo e prêmio de risco moderado.
Já o UBS avalia que o Brent deve fechar o ano aos US$ 100 por barril. “Embora os fluxos pelo Estreito de Ormuz e pelas rotas alternativas tenham se aproximado do normal, a recuperação continua frágil devido aos ataques iranianos em curso. A normalização foi adiada e também acreditamos que o mercado provavelmente irá incorporar, até certo ponto, um prêmio de risco estruturalmente mais elevado, já que as tensões devem persistir”, afirmou o banco.
Para o UBS, a necessidade de recompor estoques e a oferta ainda limitada devem sustentar os preços em 2027 também. “Em uma perspectiva de longo prazo, o aumento da eficiência e o impacto crescente dos veículos elétricos devem fazer com que o crescimento da demanda desacelere acentuadamente e que o pico do petróleo seja atingido até 2030, embora isso provavelmente seja seguido por um longo período de estabilização, em vez de uma queda acentuada”, avalia o banco.
Kariny Leal – Valor Econômico