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Indústria de óleos vegetais investe R$ 7,65 bi em aumento da capacidade

Pesquisa da Abiove mostra também que capacidade processamento teve alta de 13% neste ano para atender avanço na demanda por farelo de soja e biodiesel

Globo Rural 4 min de leitura

A demanda aquecida por farelo de soja e biodiesel impulsionou o desempenho das indústrias de óleos vegetais no Brasil em 2026. A capacidade total de processamento de oleaginosas atingiu 86,4 milhões de toneladas neste ano, alta de 13,1% em comparação com 2025, segundo pesquisa feita pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).

Levantamento da entidade também mostrou que os investimentos em projetos de expansão e implantação de novas unidades de processamento cresceram acompanhando o avanço da demanda. Somam aproximadamente R$ 7,65 bilhões nos próximos 12 meses — em 2025, a projeção era de investimentos de R$ 5,76 bilhões.

“Nos últimos anos, a demanda por óleo de soja para a produção de biodiesel direcionou o crescimento da capacidade das nossas indústrias. Isso acontece porque os biocombustíveis ganharam um papel importante na questão energética”, disse ao Valor, Daniel Furlan Amaral, diretor de economia e assuntos regulatórios da Abiove.

Segundo ele, o aumento do uso de óleo de soja para o biodiesel consequentemente aumentou a produção de farelo. A procura pelo insumo acompanhou o crescimento da produção nos últimos anos. “Nossas vendas [de farelo de soja] estão aquecidas tanto no mercado interno quanto para a exportação, mas na exportação está crescendo mais acentuadamente. Com o ritmo que estamos vendo, acredito que em pouco tempo o Brasil deve ser novamente o maior exportador do mundo, superando a Argentina”, estimou.

De acordo com a pesquisa da Abiove, o número de empresas de processamento de soja no Brasil passou de 75 para 89 no período, alta de 18,7%. O total de plantas ativas cresceu de 131 para 148, aumento de 13%. A capacidade dessas unidades chegou a 255.544 toneladas por dia, avanço de 16,2%. O número de unidades paradas, por sua vez, caiu de 12 para seis.

O setor registrou ainda três plantas em construção, em relação a seis no último levantamento. Já a capacidade diária total de processamento alcançou 261.868 toneladas, alta de 13,1%.

A pesquisa mostra que o Centro-Oeste segue como destaque das indústrias do setor, com 42,9% da capacidade nacional de processamento. A região passou de 102.705 toneladas por dia em 2025 para 112.288 mil neste ano. Mato Grosso lidera entre os Estados, com 56.559 toneladas por dia, ou 21,6% da capacidade de processamento.

Segundo a Abiove, os investimentos previstos de R$ 7,65 bilhões — número levantado junto a empresas e a partir de comunicados ao mercado — têm potencial de adicionar 7,4 milhões de toneladas por ano à capacidade de processamento. Além disso, podem gerar 13,4 mil postos de trabalho.

Aumento na mistura

Daniel Amaral observou que a previsão de investimento cresce a cada ano a despeito das mudanças no cronograma da mistura de biodiesel ao óleo diesel. Atualmente, o percentual está em 15%, enquanto a programação inicial do governo pregava 16% já em março deste ano.

Ele disse que a indústria tem convivido com a “ imprevisibilidade, mas tem colaborado para evitar atrasos no cronograma da mistura. Exemplo disso são os testes programados para uso do B20, que deverão ser concluídos em fevereiro de 2027”. Afora isso, acrescentou, o segmento estuda novas formas de venda direta de B100 com uso voluntário e oportunidades para os combustíveis marítimos. “Tudo converge para que tenhamos o B17 já em março do ano que vem”, afirmou.

A pesquisa da Abiove apontou ainda que o número de empresas de refino de óleos vegetais somou 39 neste ano, aumento de 2,6%. As unidades industriais saíram de 66 para 67 em 2026.

O total de plantas ativas no país se manteve estável em 60 unidades, enquanto as paradas subiram de seis para sete. A capacidade total de refino passou para 26.425 toneladas por dia, uma alta de 2,5%, o que equivale a um crescimento de 8,7 milhões de toneladas ao ano. Já a capacidade total de envase permaneceu estável em 14.811 toneladas por dia. Esse volume diário de operação equivale a 4,9 milhões de toneladas ao ano.

Paulo Santos – Globo Rural

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