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Fintech sofre busca e apreensão por ligação com esquema de notas falsas para usinas de biodiesel

Fundos são investigados por integrarem um esquema de fraude fiscal que teve R$ 271 milhões em ativos bloqueados

O Estado de S.Paulo 3 min de leitura

A QI Tech, empresa que fornece serviços bancários, sofreu busca e apreensão nesta última quarta-feira (04) no âmbito das Operações Enxágue e Catéter, promovidas pelo Ministério Público do Paraná e Receita Federal. As investigações apuram fraudes fiscais com uso de fundos de investimentos em direitos creditórios (FIDCs) — todos eles, administrados pela antiga corretora Singulare, adquirida pela QI Tech em 2023.

O esquema investigado envolve a criação de empresas de fachada que emitiam notas fiscais falsas para gerar créditos tributários indevidos para usinas de biodiesel.

Em linhas gerais, quando uma nota fiscal é emitida, o emissor precisa pagar imposto, enquanto o suposto comprador do produto ganha créditos fiscais. Num esquema de notas fiscais falsas a venda acontece apenas no papel, o comprador ganha o crédito sem que a “noteira” – a empresa que emite a nota fiscal – pague os impostos devidos.

Segundos investigações feitas no contexto das operações Enxágue e Catéter, havia a simulação da compra e venda de subprodutos de origem animal – sebo e gordura –para usinas de biodiesel que, com isso, geravam créditos indevidos. Depois, títulos ligados a essas notas fiscais eram vendidos para os fundos de investimento ligados à Singulare e securitizadoras.

Procurada, a fintech afirmou que os fatos investigados se referem ao período entre 2016 e 2021, anterior à aquisição da Singulare. “O papel da QI Tech limitou-se ao fornecimento das informações solicitadas. A QI Tech não é alvo da investigação e segue operando normalmente, reiterando seu compromisso com a transparência e a cooperação com as autoridades”, diz a empresa (veja o posicionamento completo no final da matéria).

A startup se tornou o 26º “unicórnio brasileiro” há dois anos, ou seja, chegou ao valor de mercado de US$ 1 bilhão.

No total, as operações bloquearam R$ 271 milhões em ativos ligados ao grupo criminoso. Destes, R$ 63,8 milhões em cotas de 10 Fidcs. Outros R$ 10,9 milhões estavam relacionados a quatro companhias securitizadoras.

Essa não é a primeira vez que fraudes fiscais ligadas ao mercado de sebo bovino são investigadas. Em meados de 2022, a Operação Tallow Eco identificou um esquema similar ao atual que operava em Minas Gerais e teria deixado de recolher R$ 240 milhões em impostos. Antes disso, Operação Sebo Virtual apurou um rombo de R$ 350 milhões no estado de São Paulo.
 

Nota da QI Tech

“A QI Tech informa a seus clientes e parceiros que atendeu a uma requisição de documentos de autoridades públicas do Estado do Paraná, no âmbito de investigação sobre operações realizadas por terceiros em fundos administrados pela Singulare.

Os fatos sob apuração referem-se ao período entre 2016 e 2021, anterior à aquisição da Singulare pela QI Tech, concluída em novembro de 2024. Os fundos mencionados têm suas decisões de investimento tomadas por gestores independentes, não integrantes do grupo QI Tech.

O papel da QI Tech limitou-se ao fornecimento das informações solicitadas. A QI Tech não é alvo da investigação e segue operando normalmente, reiterando seu compromisso com a transparência e a cooperação com as autoridades."

Jenne Andrade – O Estado de S.Paulo
Com adaptação de BiodieselBR.com

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