O mercado de combustíveis no Amazonas passou por uma forte concentração nos últimos dez anos, que se diferencia de todos os outros estados do país. Motivo: o grupo Atem ampliou sua participação principalmente no diesel.
Em 2017, quando liminares judiciais alteraram as condições tributárias do grupo, a distribuidora detinha cerca de 31% desse mercado. Em 2019, já havia alcançado aproximadamente 70%. Após oscilações entre 2020 e 2023, voltou a avançar no fim de 2024 e chegou a 77% no levantamento histórico mais recente, de 2026.
Na gasolina, o movimento foi mais gradual. A participação da Atem, que girava em torno de 30% em 2017, cresceu ao longo dos anos e atingiu 59% no gráfico mais recente.
No diesel, os números mais recentes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram a dimensão da concentração: a Atem tinha 74,1% do mercado em junho de 2026, ante 7,6% da Distribuidora Equador, 6,49% da Vibra Energia, 6,29% da Petróleo Sabbá e 4,55% da RZD Distribuidora de Derivados.
O avanço ocorreu em meio a uma disputa judicial sobre benefícios tributários. Um estudo do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) estimou em R$ 1,3 bilhão a renúncia fiscal associada às liminares e apontou que a vantagem contribuiu para ampliar a participação da Atem.
Em junho de 2026, uma das decisões foi derrubada pela Justiça Federal, mas outras medidas continuaram amparando empresas do grupo.
Pâmela Dias - O Globo