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S&P Global: biocombustível rodoviário atingirá teto até fim da década, aéreo decola

Projeções elaboradas pela S&P Global apontam que, embora a demanda global por biocombustíveis deva mais do que dobrar até 2050, esse crescimento virá dos mercados aéreo e marinho

BiodieselBR.com 5 min de leitura

Desde que os biocombustíveis fizeram sua entrada no mercado mundial de energia, os transportes terrestres têm sido 'o' nicho de mercado para eles. Segundo estimativa da S&P Global Commodity Insights, dos 175 milhões de m³ consumidos mundo afora no ano passado, perto de 99% foram para movimentar veículos e equipamentos que circulam principalmente por rodovias. Mas isso está prestes a sofrer uma verdadeira guinada.

Um levantamento publicado pelo braço da S&P Global, que se dedica a acompanhar os mercados globais de energia e de commodities, aponta que, até o final desta década, a demanda anual por biocombustíveis nos transportes terrestres deve atingir o teto de 222,8 milhões de m³. Depois disso, o consumo deverá se estabilizar por outra década para, então, começar a perder força conforme outras opções de motorização – como veículos elétricos e/ou a hidrogênio – começarem a conquistar parcelas maiores de um mercado que hoje é dominado pelos combustíveis líquidos.

Isso não significa que esse mercado vai desaparecer. Os transportes terrestres ainda levarão a maior fatia da produção de usinas e biorrefinarias. Em 2050, o setor ainda demandará cerca de 199 milhões de m³ – aproximadamente 60% – frente a um total de quase 332 milhões de m³ que serão consumidos. Mas o protagonismo deverá passar para outros segmentos de mercado, especialmente o aéreo, que irá puxar a demanda.

Desde que os biocombustíveis fizeram sua entrada no mercado mundial de energia, os transportes terrestres têm sido 'o' nicho de mercado para eles. Segundo estimativa da S&P Global Commodity Insights, dos 175 milhões de m³ consumidos mundo afora no ano passado, perto de 99% foram para movimentar veículos e equipamentos que circulam principalmente por rodovias. Mas isso está prestes a sofrer uma verdadeira guinada.

Um levantamento publicado pelo braço da S&P Global, que se dedica a acompanhar os mercados globais de energia e de commodities, aponta que, até o final desta década, a demanda anual por biocombustíveis nos transportes terrestres deve atingir o teto de 222,8 milhões de m³. Depois disso, o consumo deverá se estabilizar por outra década para, então, começar a perder força conforme outras opções de motorização – como veículos elétricos e/ou a hidrogênio – começarem a conquistar parcelas maiores de um mercado que hoje é dominado pelos combustíveis líquidos.

Isso não significa que esse mercado vai desaparecer. Os transportes terrestres ainda levarão a maior fatia da produção de usinas e biorrefinarias. Em 2050, o setor ainda demandará cerca de 199 milhões de m³ – aproximadamente 60% – frente a um total de quase 332 milhões de m³ que serão consumidos. Mas o protagonismo deverá passar para outros segmentos de mercado, especialmente o aéreo, que irá puxar a demanda.

Com uma série de mecanismos globais de incentivo ao combustível sustentável de aviação (SAF) prestes a entrar em vigor – o mais notório dos quais é o Esquema de Compensação e Redução de Carbono para a Aviação Internacional (Corsia, no original) – nos próximos anos, a estimativa da S&P Global é que o produto, que nem aparecia nas estatísticas quatro anos atrás, encerre os anos 2020 com uma demanda de mais de 20 milhões de m³.

Depois disso, o consumo anual de SAF vai se multiplicar por 6 nos próximos 20 anos, até beirar 125 milhões de m³ em 2050.

Embora menos exuberante, o mercado naval também passará a absorver volumes expressivos de biocombustíveis, chegando a 8,1 milhões de m³ em 2050 – cerca de 2,5% do consumo anual total.

Etanol em baixa

Essa virada não afetará todos os biocombustíveis da mesma forma. O impacto será quase todo sentido pelos fabricantes de etanol.

De acordo com as projeções da S&P Global, depois de atingir 136 milhões de m³ em 2030, a demanda de etanol crescerá apenas marginalmente na década seguinte, para então despencar mais de 20% entre 2040 e 2050. Isso não significa que as usinas de etanol devam começar a olhar para o futuro com receio. Ao menos uma parte do SAF deverá ser suprida com uma tecnologia chamada ATJ, que em inglês significa 'alcohol-to-jet'.

Em 2050, essa rota de produção deverá representar mais 42 milhões de m³, mantendo, ao menos em parte, a demanda dos atuais fabricantes.

Biodiesel cresce

Já os produtores de biodiesel têm pouco a temer do futuro. Embora em um ritmo menor do que nos ciclos anteriores, a demanda pelo produto continuará crescendo, chegando a 65,6 milhões de m³ em 2050.

A expectativa é que a indústria se mostre mais resiliente do que a de diesel verde, que tem crescido espetacularmente nos últimos anos e – pelo menos nos Estados Unidos – já superou o consumo de biodiesel convencional. Segundo a S&P Global, o diesel verde deverá atingir seu pico em 2040 com 47 milhões de m³ por ano, enquanto as biorrefinarias colocarão mais 43 milhões de m³ no mercado na forma de SAF.

Esse crescimento, contudo, será afetado por algumas zonas de turbulência, com dúvidas consideráveis quanto à oferta de óleos e gorduras em volumes capazes de sustentar esse crescimento. As estimativas da S&P Global apontam que, já no final da década atual, a indústria enfrentará o desafio de encontrar matéria-prima suficiente para garantir a produção de 20 milhões de m³ de biodiesel, diesel verde e SAF.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com

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