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Ipê Biocombustível está sendo investigada por possível desvio de metanol

Usina foi notificada na semana passada pela ANP por meio Diário Oficial da União (DOU) porque representantes da empresa ‘não foram localizados’

BiodieselBR.com 6 min de leitura

A Ipê Biocombustível – novo nome que a Cooperfeliz adotou em outubro do ano passado – está em apuros. Na semana passada a empresa foi notificada pela ANP via Diário Oficial da União (DOU) para apresentar sua defesa num processo administrativo que investiga a usina por suspeita de desvio do metanol que deveria ser usado na produção de biodiesel para o mercado ilegal. Se for considerada culpada, a empresa pode perder as autorizações para a produção de biodiesel.

A notificação por meio do DOU aconteceu depois que agência não conseguiu intimar os representantes legais da empresa em virtude da “não localização da interessada no endereço constante nos autos”.

A suspeita de que algo de errado vinha acontecendo no mercado de biodiesel ganhou publicidade no começo deste ano quando foi divulgado que a ANP estava investigando se usinas estariam desviando uma parte do insumo para empresas que o misturam à outros combustíveis. No ano passado, foram identificados 280 casos desse tipo de fraude – alta de 76% sobre as ocorrências de 2022 e o maior número da série histórica.

Acima do teto

Segundo nota técnica sobre o caso elaborada pela Superintendência de Produção de Combustíveis (SPC) a qual BiodieselBR.com teve acesso, documentação apresentada pela própria usina para obtenção de sua atual autorização de operação informava que a planta – caso estivesse produzindo a todo vapor – demandaria até 600 m³ de metanol por mês.

A Ipê Biocombustível – novo nome que a Cooperfeliz adotou em outubro do ano passado – está em apuros. Na semana passada a empresa foi notificada pela ANP via Diário Oficial da União (DOU) para apresentar sua defesa num processo administrativo que investiga a usina por suspeita de desvio do metanol que deveria ser usado na produção de biodiesel para o mercado ilegal. Se for considerada culpada, a empresa pode perder as autorizações para a produção de biodiesel.

A notificação por meio do DOU aconteceu depois que agência não conseguiu intimar os representantes legais da empresa em virtude da “não localização da interessada no endereço constante nos autos”.

A suspeita de que algo de errado vinha acontecendo no mercado de biodiesel ganhou publicidade no começo deste ano quando foi divulgado que a ANP estava investigando se usinas estariam desviando uma parte do insumo para empresas que o misturam à outros combustíveis. No ano passado, foram identificados 280 casos desse tipo de fraude – alta de 76% sobre as ocorrências de 2022 e o maior número da série histórica.

Acima do teto

Segundo nota técnica sobre o caso elaborada pela Superintendência de Produção de Combustíveis (SPC) a qual BiodieselBR.com teve acesso, documentação apresentada pela própria usina para obtenção de sua atual autorização de operação informava que a planta – caso estivesse produzindo a todo vapor – demandaria até 600 m³ de metanol por mês.

Dados disponibilizados pela ANP sobre o consumo de metanol pelos fabricantes de biodiesel mostram que, do começo de 2022 para cá, a Ipê só não furou esse teto no último mês de janeiro, quando comprou menos 400 mil m³.

Nos últimos dois anos, a empresa comprou 82,5 mil m³ de metanol atém do que precisaria. E isso caso sua usina estivesse produzindo a toda capacidade, caso a comparação seja feita com base na produção efetiva de biodiesel na unidade de Feliz Natal (MT) o excedente se aproxima dos 89 mil m³.

Considerando os valores de referência médios das duas maiores importadoras de metanol para o mercado brasileiro nesse período, esse volume teria valor de mercado aproximado de US$ 40,5 milhões ou R$ 200,7 milhões pela taxa de câmbio de hoje.

Vale destacar, contudo, que essas contas consideram que o processo produtivo da Ipê usa 200 litros de metanol – 20% – para cara m³ de biodiesel fabricado; percentual bem superior à média do mercado. Nos últimos dois anos, o consumo de metanol médio do setor como um todo está próximo a 12,5% o que traria o volume de metanol excessivo nas contas da Ipê para além dos 92 mil m³.

O consumo de metanol acima do razoável da Ipê fez com que a ANP realizasse uma ação de fiscalização nas instalações da fabricante no começo de setembro passado identificando que a unidade havia aumentado sua área armazenamento sem notificar a agência e não tinha alvará de segurança válido. A agência também constatou que entre janeiro de 2022 e outubro do ano passado, a empresa declarou que mais de 80,4 mil m³ de metanol saíram de suas instalações para ser ‘reprocessado’ ou para a fabricar outros produtos.

Também foram identificadas incongruências entre os volumes de metanol que a Ipê declarava ter em tanques de terceiros e os que os operadores desses terminais de tancagem de fato armazenavam para a empresa.

Biodiesel

A nota da ANP também levanta a possibilidade de que a Ipê estivessem simulando a venda de biodiesel para distribuidoras interessadas em fraudar a mistura obrigatória.

Segundo a agência, na fiscalização feita em setembro foi constatado que no dia 03 de setembro os estoques da empresa tinham 103,7 mil m³ de biodiesel. No dia seguinte, no entanto, a empresa declarou ter vendido 307,5 mil m³ – três vezes mais do que sua autorização permite fabricar – e, mesmo assim, os estoques ficaram no mesmo nível do dia anterior. “Essas informações (...) levantam indícios de que essas vendas foram apenas contábeis, não existindo a transferência física de produto”, informa o relatório.

Antecedente

Essa não é a primeira vez que a Ipê se enrola. Em 2019, a usina de Feliz Natal chegou a ser interditada como medida cautelar enquanto a “segurança operacional da instalação não fosse garantida”.

A medida foi tomada depois que uma fiscalização identificou que a planta estava operando sem o técnico responsável e “inconsistências do ponto de vista estrutural e de manutenção”.

Naquela ocasião, a usina passou quase um ano sem poder funcionar.

BiodieselBR.com tentou contato com a direção da Ipê Biocombustível e não obteve resposta até o momento de publicação do texto sobre os fatos apresentados pela ANP.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com

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