Regulação

Governo e produtores não têm acordo sobre aumento da mistura no diesel até 2020


Globo Rural com informações da Agência Estado - 02 out 2012 - 13:00 - Última atualização em: 03 out 2012 - 11:11

Enquanto produtores de biodiesel propõem que a mistura do biodiesel ao diesel, atualmente em 5%, atinja 20% em 2020, o governo acena com uma mistura de apenas 10%. A informação é do presidente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio), Erasmo Batistella, que participa nesta segunda-feira da 8ª Conferência Internacional BiodieselBR 2012, que ocorre no Hotel Grand Hyatt, em São Paulo.

Segundo ele, o setor quer que o novo marco regulatório já contemple a mistura de 20% para 2020 para que não seja necessária a elaboração de um novo marco em menos de 7 anos. "Já temos capacidade instalada para os 10% hoje e podemos elevar a mistura de forma gradual até 2020. Se o novo marco definir a mistura como 10% para 2020, caso ocorra um aumento de demanda antecipada, teremos de realizar um novo marco em pouco tempo", afirmou Batistella.

O executivo disse que atualmente a cadeia de biodiesel agrega R$ 11,8 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro com o B5 (5% de biodiesel misturado ao diesel). Com o B7 (mistura de 7%), esta contribuição seria de R$ 13,5 bilhões, aumentando para R$ 20,7 bilhões com o B10. "Já com o B20, R$ 49,3 bilhões seriam agregados ao PIB vindo do biodiesel", disse.

Batistella explicou que o governo promete que o novo marco regulatório do setor deve ficar pronto antes do fim de 2012. No entanto, existem ainda várias pendências a serem definidas, como a questão da mistura, da possibilidade de exportar biodiesel e também a do fundo de investimentos, que o governo quer criar para arrecadar recursos das empresas.

Distância entre produtores e consumidores afeta custos
A logística do biodiesel tem elevado os custos das distribuidoras de combustíveis, de acordo com o presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), Alísio Vaz, também participante da BiodieselBR.

Segundo ele, o fato de as distribuidoras terem de buscar o biodiesel em lugares distantes do consumo tem afetado a margem das distribuidoras. O executivo disse que a média de distância entre local de produção e consumo é de 1,5 mil km. "É como você ir buscar biodiesel na Polônia para ser consumido na França. Isso é inconcebível em outros países", disse.

Vaz afirmou que enquanto o frete médio do diesel mineral gira em torno de R$ 0,04 por litro, o frete para o biodiesel é três vezes superior, atingindo R$ 0,12 por litro. "No geral, a adição de 5% de biodiesel no diesel encarece o preço final do diesel mineral em 7%", afirmou o executivo.

Segundo ele, os produtores de biodiesel se encontram em um cenário delicado. "O governo atrela a agricultura familiar ao programa de biodiesel, mas para se ter margem, qualquer programa de combustível tem de ter escala, o que não acontece com a agricultura familiar. Por outro lado, a produção tem de estar perto do consumidor. Porém, não existe matéria-prima perto do consumidor, então, no mínimo, a produção de biodiesel tem de estar no Centro-Oeste onde se produz soja, por exemplo", disse.

Para Vaz, estes fatores fazem com que o biodiesel permaneça, no curto prazo, com um custo superior ao do diesel. Atualmente, o preço do biodiesel está quase 90% acima do preço do diesel. "Descontando-se a defasagem do preço do diesel que é de aproximadamente 15%, ainda teremos um biodiesel em torno de 60% a 65% mais caro que o diesel mineral", disse.

Globo Rural com informações da Agência Estado