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Negócio

Investimento em biodiesel depende de governo e soja


DCI - 09 nov 2012 - 15:01
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O biodiesel se tornou foco de investimentos de multinacionais e estatais, com projetos que já somam R$ 28 bilhões – segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). A execução dos aportes, contudo, vai depender do aumento da demanda pelo biocombustível e da disponibilidade de soja.

Pelo lado da demanda, o governo tem demorado para decidir se eleva – ou não – a presença de biodiesel no diesel mineral dos atuais 5% para 7%. Isso tem causado apreensão aos investidores desse mercado.

"O setor está recebendo novas unidades e investimentos na ampliação da indústria. Mas está apreensivo: assim como o sucroalcooleiro, precisa de um marco regulatório”, diz o presidente da Associação dos Produtores de biodiesel do Brasil (Aprobio), Erasmo Carlos Battistella.

Atualmente, a indústria de biodiesel trabalha com 50% de ociosidade, devido a uma oferta superior à demanda.

Outro problema é a incerteza quanto ao volume da safra de soja, e sua disponibilidade no mercado interno, em 2013. Embora Battistella diga que a disponibilidade de soja "não preocupa" a cadeia produtiva, outras fontes dizem o contrário.

Oferta incerta 
Analistas de mercado alertam para o risco de faltar soja para a produção de biodiesel em 2013, devido aos recentes atrasos no plantio, ao clima adverso no Centro-Oeste e à preferência às exportações. "O último trimestre está resolvido. O problema que ninguém está olhando é o início do ano que vem: a safra precoce está em risco por causa da seca", havia dito ao DCI o diretor da consultoria Agropcon, Paulo Costa, e fundador da filial da Cargill em Portugal. 

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) estima que, no início da safra de 2013/2014, os estoques de passagem terão o menor volume em dez anos. 
 
Projetos
Maior produtor de soja, o estado do Mato Grosso concentra investimentos internacionais em projetos de biodiesel. A Bunge, por exemplo, investiu US$ 30 milhões em sua planta de Nova Mutum, e recebeu aval para ativá-la há um mês.

Em Três Lagoas, a Cargill tem uma usina avaliada em US$ 64,5 milhões, inaugurada em agosto. "O biodiesel é um mercado relativamente novo, e está crescendo no Brasil", disse o gerente Elcio de Angelis, da multinacional, à agência de notícias Reuters.

"Como o óleo de soja é a principal matéria-prima, isso complementa nossa capacidade existente", observou. A companhia também possui uma unidade processadora de soja em Três Lagoas. O biodiesel feito pela Cargill a partir do óleo de soja é destinado ao mercado doméstico, de acordo com o executivo.

Paralelamente à iniciativa privada, o setor público está promovendo, também, o avanço produtivo do óleo vegetal. A Petrobras estima volume recorde de vendas para o atual trimestre: 166,7 milhões de litros de biodiesel.

A, outrora estatal, mineradora Vale também está investindo em produção. Ela é a maior consumidora de diesel do País e pretende passar a fabricar biodiesel a partir de óleo de palma para consumo próprio. O projeto prevê a mistura de 20% de biodiesel no combustível consumido pela empresa até 2015.

Segundo Battistella a continuidade desses investimentos ainda está em aberto. “Os investimentos vão depender muito do caminho que a demanda irá tomar", diz o empresário.

Bruno Cirillo
Com adaptações BiodieselBR.com