Petróleo cai com alívio geopolítico entre EUA e Irã
Os preços do petróleo caiam nesta segunda-feira, 2, após o mercado reavaliar o risco de um choque de oferta no Oriente Médio, diante de sinais de possível aproximação diplomática entre Estados Unidos e Irã.
O Brent caiu para a faixa de US$ 66 por barril, enquanto o WTI recuou para perto de US$ 62, ambos com perdas próximas de 5% no dia. O movimento interrompeu a sequência de altas que havia levado os contratos a máximas de seis meses.
A correção ocorreu após declarações do presidente Donald Trump indicando que autoridades iranianas estão em conversas avançadas com Washington. A sinalização reduziu a percepção de uma escalada militar iminente, que vinha sustentando os preços nas semanas anteriores.
Do lado iraniano, o principal assessor de segurança, Ali Larijani, afirmou que o país iniciou preparativos para negociações, reforçando a leitura de um ambiente menos conflagrado no curto prazo.
Confronto havia elevado cotações
Na semana passada, o petróleo reagiu à intensificação da presença militar americana na região, movimento que elevou temores de interrupções no fornecimento global. A possibilidade de um ataque contra o Irã havia inflado o prêmio geopolítico embutido nos preços.
Com a mudança de tom, investidores reduziram posições defensivas e passaram a reprecificar o risco.
Oferta adicional pressiona mercado
Além do fator político, o mercado enfrenta aumento da disponibilidade física. Volumes de petróleo venezuelano, oriundos principalmente da liberação de estoques, estão sendo direcionados ao mercado internacional em um momento em que a produção global já supera o consumo.
Analistas apontam que esse fluxo adicional ajuda a limitar qualquer recuperação mais consistente dos preços.
Opep+ mantém estratégia cautelosa
A Opep+ decidiu manter inalterados os níveis de produção para março, prolongando por mais três meses o atual congelamento da oferta. A estratégia busca dar sustentação ao mercado sem pressionar excessivamente os preços.
A proximidade das eleições legislativas nos Estados Unidos também pesa no cenário. Historicamente sensíveis ao custo dos combustíveis, os preços da gasolina funcionam como um freio político a qualquer escalada que leve o petróleo para patamares mais elevados.