Apesar da revogação dos incentivos fiscais que haviam sido concedidos pelo Amapá, os importadores internalizaram quase 200 mil m³ de diesel pelo estado
As importações de óleo diesel não saíram muito do lugar no mês passado. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), em abril os importadores trouxeram 1,16 milhão de metros cúbicos (m³) para o país. O volume representa uma contração de 4,4% em relação ao que foi registrado no mês de março quando as importações foram de 1,22 milhão de m³.
O volume atual, portanto, é mais uma recuperação em relação aos anos anteriores do que um crescimento real.
As importações de óleo diesel não saíram muito do lugar no mês passado. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), em abril os importadores trouxeram 1,16 milhão de metros cúbicos (m³) para o país. O volume representa uma contração de 4,4% em relação ao que foi registrado no mês de março quando as importações foram de 1,22 milhão de m³.
Verdade que, na comparação anual, o crescimento registrado foi bastante robusto – com alta de quase 27% nos desembarques do derivado. Esse salto, no entanto, fica menos impressionante quando se leva em consideração que, em abril de 2023, as importações haviam encolhido mais de 40%.
O volume atual, portanto, é mais uma recuperação em relação aos anos anteriores do que um crescimento real.
Colado à média
Olhando os números por um ângulo um pouco distinto, é possível ver que, depois de um descolamento em março, as importações voltaram a se aproximar da média para os últimos cinco anos. Entre 2019 e 2023, as entradas de diesel durante o mês de abril se aproximaram de 1,17 milhão de m³, praticamente empatado com os desembarques do último mês.
Entre janeiro e março, os volumes que foram trazidos de fora se mantiveram sempre acima da média, com destaque para março quando as compras externas superaram a média por quase 12%.
Somando os primeiros quatro meses do ano, as compras de diesel importado passam um pouco de 4,26 milhões de m³. O volume é o menor desde 2021 quando o primeiro quadrimestre se encerrou com 3,74 milhões de m³ importados.
Fator Amapá
O fechamento da janela de importações artificialmente mais baratas via Amapá tende a fazer as importações perderem mais vigor.
Até meados do mês passado, a Secretaria da Fazenda do Amapá autorizava algumas empresas de trading a importarem óleo diesel pagando apenas 4% de ICMS e adiando em 60 dias o recolhimento de tributos devidos na operação. E esse diesel nem tinha que passar pelo território. Embora o produto entrasse pelo Porto de Santana no papel, as cargas de fato seguiam para os portos de Santos (SP) e de Paranaguá (PR).
Isso fez com que as importações pelo Amapá disparassem nos últimos 12 meses. Em 2023, o estado foi responsável pela entrada de 1,38 milhão de m³ de diesel superando o volume total – 1,28 milhão de m³ – registrados ao longo dos 26 anos anteriores.
Apesar do fim os incentivos à importação via Amapá, os números ainda não mostram uma redução efetiva. Em abril, o estado foi a terceira maior porta de entrada de diesel no país com 198,4 mil m³ – atrás só do Maranhão (329 mil m³) e do Paraná (249,4 mil m³).
Invasão russa
O Amapá também tem sido uma das principais pontas de lança para a entrada de diesel russo no mercado nacional. Todo o combustível importado através do estado no mês passado teve origem no país Europeu.
O Amapá, no entanto, não está sozinho nesse movimento. Virtualmente, todo o diesel que entrou no país via Paraná também veio da Rússia.
Barradas no mercado europeu em função das sanções impostas depois da invasão da Ucrânia. As petroleiras da Rússia passaram a oferecer seus produtos com desconto o que abriu o mercado brasileiro. Desde abril de 2023, a Rússia passou ocupar o topo do ranking de fornecedores externos de diesel para o Brasil de forma consistente.
Em abril de 2024, isso não foi diferente com 784,4 mil m³ do derivado importado pelo mercado brasileiro – fatia de 67,3% do total – tendo a Rússia como origem. Esse volume rendeu aos russos, US$ 478,7 milhões.
Cotação
Em média, cada m³ de diesel russo entrou no país custando US$ 610,36. Isso representa um deságio de 9,2% em relação ao preço médio do diesel importado de outros fornecedores que foi de US$ 672,12.
Tudo somado, o diesel importado entrou no Brasil custando US$ 630,57, valor 4,3% menor do que no mês anterior.
Em abril também ficou um pouco mais curta a distância entre os preços praticados nos mercados internacionais e valor cobrado nas refinarias da Petrobras.
Dados da Abicom compilados por BiodieselBR.com a distância entre os preços domésticos e a referência internacional fechou o último mês em 4,6%; bem abaixo da média de 8,3% desde o começo deste ano.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com