Conferência BiodieselBR 2018

35 usinas de biodiesel estão paradas no Brasil, prejuízo passa de R$ 43 milhões por dia

De um total de 37 usinas de biodiesel apenas 2 estão operando.

A greve nacional de caminhoneiros – que, nessa quarta-feira, entrou no 10º dia – causa danos profundos ao setor de biodiesel. Nos últimos dias, a reportagem de BiodieselBR.com entrou em contato com todas as usinas em atividade e a situação é idêntica: máquinas paradas e muitas dúvidas sobre quando a normalidade será restaurada.

Das 37 usinas de biodiesel em atividade, apenas duas delas estão efetivamente produzindo biodiesel. Uma delas, no entanto, reconhece estar com os estoques de insumos em níveis baixos e outra só está funcionando por questões logísticas muito particulares. Ambas pediram para não ser identificadas.

As usinas começaram a parar ao longo da semana passada. Elas relatam que tiveram que parar de produzir porque não estão conseguindo receber os insumos necessários ou porque já estão com seus estoques abarrotados depois que os caminhões das distribuidoras pararam de chegar para fazer as retiradas programadas.

Essa parada forçada traz prejuízos milionários para o setor de biodiesel. Cada dia sem produção, as usinas deixam de faturar mais de 43,6 milhões de reais. Esse valor leva em consideração o preço médio com ICMS do último leilão e o volume que deveria ser produzido por dia para atender a demanda do mês de maio. O montante considera ainda a venda da glicerina bruta gerada pelo preço médio da glicerina exportada em abril.


Desalento

Na maior parte da indústria o sentimento dominante é de desalento. Um dos decanos do setor de biodiesel, o presidente da Oleoplan, Irineu Boff, reclama da perda de faturamento que a greve dos caminhoneiros representa tanto para sua empresa quanto para o negócio como um todo. “Estamos há cerca de uma semana sem um faturamento mais relevante. Esse impacto não vai ser recuperado porque o consumo [de óleo diesel] que não vai ser realizado”, reclama.

Também há críticas à decisão da ANP de flexibilizar a obrigatoriedade da adição de biocombustíveis dos combustíveis fósseis anunciada nessa última sexta-feira (25). “Por decisão da ANP voltamos ao ‘B Zero’”, pontua o diretor executivo da Bianchini, Antin Bianchini.

A ANP não deu qualquer prazo para a reversão da suspensão. Questionada por BiodieselBR.com, a assessoria de imprensa do órgão se limitou a responder por e-mail que “[as medidas] serão suspensas quando a ANP avaliar que não são mais necessárias”.

No fundo, no entanto, a maior preocupação de todos os entrevistados é mesmo quanto tempo os bloqueios rodoviários ainda devem continuar. Embora a semana tenha começado com uma certa esperança de que a situação melhorasse depois que o governo federal cedeu na maioria das exigências feitas pelos caminhoneiros. As usinas de biodiesel não relatam avanços significativos. “Apesar de ter gente dizendo que [a grave] está para acabar, não é isso o que estamos vendo na prática. Por aqui, eles não estão querendo arredar o pé”, reclama o diretor superintendente da Potencial Biodiesel, Luiz Meira.

Razões da parada

Embora não tenham ficado imunes, usinas com integração ferroviária conseguiram manter certo nível de atividade por um pouco mais de tempo. A BSBios, por exemplo, relatou ter movimentado biodiesel por trilhos na semana passadas quando muitas usinas já tinham visto os caminhões das distribuidoras sumirem. A empresa, no entanto, reconhece que precisou parar a produção tanto em Passo Fundo (RS) quanto em Marialva (PR) por falta de insumos.

Para algumas o gargalo que levou à paralização foram os subprodutos. Elas a até teriam como continuar fabricando se ainda tivessem onde colocar a glicerina ou as borras geradas.

Para muitas delas, isso pode significar que a produção não será retomada de imediato quando a normalidade for reestabelecida. Elas ainda dependerão da logística de seus fornecedores ou das agendas de transportadoras que -- muito provavelmente – estarão bastante concorridas assim que a greve for encerrada. Um grande produtor da região sul informou que pode precisar de até 5 dias antes de poder voltar a operar com plena carga.

O setor está pronto para atender a demanda assim que ela voltar a existir. A maioria dos fabricantes relataram estar com muito biodiesel estocado em suas plantas o que permitiria uma retomada das entregas em volumes até mesmo superior ao que vinha sendo praticado.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com

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