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Uma retrospectiva do dramático 2020 no setor de biodiesel


BiodieselBR.com - 18 dez 2020 - 17:50

Monotonia não foi problema para ninguém em 2020. De saída de um 2019 que já tinha sido extenuante, ninguém prestou muita atenção nos primeiros relatos vindos da província de Hubei, na China, a respeito de um tipo desconhecido de gripe. Foi um erro e tanto. Entre o aparecimento da Covid-19 até que ela fosse reconhecida como uma pandemia pela Organização Mundial de Saúde (OMS) foram necessários apenas três meses.

Passado um ano, essa doença já fez quase 1,67 milhões de vítimas fatais pelo mundo todo das quais 185 mil são brasileiras. E o número ainda não parou de crescer. Essa é a maior crise sanitária global do último século.

A boa notícia é que a ciência respondeu rapidamente e já temos algumas opções de vacina prontas. Com alguns países iniciando a imunização em massa de suas populações.

No biodiesel

Como não poderia deixar de ser, a crise sanitária desaguou na economia. Para tentar reduzir a velocidade da disseminação da doença muitos países – incluindo o Brasil – adotou políticas isolamento social e impunham diversos graus de restrição na movimentação de pessoas e nas atividades de diversos setores.

Embora o setor tenha conseguido se manter operando em relativa normalidade, com menos gente e cargas sendo movimentadas a demanda minguou. O golpe só não foi pior porque a crise só bateu às portas do setor poucas semanas depois da chegada do B12.

Enredado em incertezas, o mercado se desorganizou. O maior símbolo disso foi o L72. Marcado para acontecer em abril, o leilão acabou adiado enquanto a ANP tentava descobrir o que fazer.

A solução encontrada – a flexibilização da regra de entregas e retiradas –, contudo, acabou causando feitos colaterais que teriam desdobramentos importantes para o mercado pelos próximos meses. A confusão foi tamanha que, pela primeira vez desde a introdução do biodiesel na matriz energética brasileira, faltou produto e a ANP foi obrigada a reduzir a mistura obrigatória de 12% para 10%

Pouco óleo

Ainda desequilibrado por causa dos efeitos da Covid-19 sobre o mercado consumidor, o setor de biodiesel levou outro golpe vindo o mercado de matérias-primas. Embora o Brasil tenha se tornado o maior produtor global de soja na temporada 2019/20, uma combinação de câmbio muito favorável e demanda chinesa aquecida fez com que o país exportasse além da conta.

No fim das contas, a indústria de biodiesel se viu às voltas com uma oferta inadequada de sua principal matéria-prima.

O último empurrão aconteceu quando, contrariando as expectativas mais pessimistas do começo do ano, as vendas de diesel reagiram no segundo semestre. Nesse ponto, contudo, as usinas de biodiesel estavam emparedadas pela baixa disponibilidade de matéria-prima e não tiveram condições de retomar a produção. Para garantir o abastecimento do mercado brasileiro foi preciso reduzir a mistura obrigatória outras duas vezes. A mistura foi para B10 durante o quinto bimestre inteiro. E para B11 no sexto bimestre.

Nem essa redução na demanda foi suficiente para equalizar oferta e demanda. Pela primeira vez, um leilão – L75 – esgotou todo o biodiesel ofertado. A oferta apertada fez com que os preços do produto disparassem para o patamar mais alto na história. O aperto levou a ANP a convocar leilões complementares em série. Ao contrário dos 6 leilões bimestrais que seria de se esperar, o ano de 2020 se encerra com 9 leilões de biodiesel realizados.

Também acabou sendo liberada a produção de biodiesel com matérias-primas importadas. Embora, nesse caso, o impacto só será sentido em 2021.

As trapalhadas sucessivas em 2020 parecem ter sido o incentivo que faltava para o governo federal decidisse pelo fim dos leilões publicos. Em agosto, o governo informou o mercado que estava estudando trocar o sistema atual por outro de livre negociação. Há poucos dias, essa decisão foi confirmada por meio de uma resolução do CNPE.

O novo sistema de comercialização de biodiesel deverá ser desenhado do zero ao longo do ano que vem.

RenovaBio

O ano de 2020 também foi o primeiro do RenovaBio. Está sendo um batismo de fogo.

Também por causa da pandemia, o programa foi lançado já com as distribuidoras cobrando uma revisão das metas. Com menos combustível sendo vendido, as empresas argumentavam que as metas do programa estariam superdimensionadas e que não haveria oferta de CBios em volume necessário.

Em setembro, o MME cortou pela metade as metas de descarbonização. Isso não satisfez os distribuidores. Em novembro a Brasilcom entrou na Justiça exigindo cortes ainda maiores.

No último dia 15, as distribuidoras ainda tinham um bom caminho pela frente para conseguirem cumprir integralmente suas metas.

Aos 45 do 2º tempo

E para fechar um ano agitado, nessa sexta-feira (18) a Petrobras anunciou a venda de 50% de participação que tinha da BSBios – o maior grupo produtor de biodiesel do país.

As ações já estavam há venda há algum tempo e o negócio foi fechado por R$ 319 milhões.

Embora todos esperem que 2021 seja pouco mais suave do que o ano que está para terminar, está claro que ele será bastante agitado para o setor de biodiesel. Em meio a esse turbilhão, os leitores já podem ter certeza de que sempre irão encontrar a melhor informação disponível em BiodieselBR.com. O portal seguirá fiel a sua missão de manter o setor bem informado para tomar as melhores decisões possíveis dentro de um contexto desafiador.

No entanto, pelas próximas semanas, a equipe de BiodieselBR.com estará em seu período de recesso de final de ano. O portal tomará a cobertura diária a partir do doa 05 de janeiro

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com