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Meta da chinesa Cofco é rastrear toda a soja que compra no país até 2023


Valor Econômico - 02 jul 2020 - 10:12

A Cofco International, trading de commodities agrícolas do grupo chinês de alimentos Cofco, estabeleceu como meta rastrear 100% da soja que compra diretamente de fazendas no Brasil até 2023. Na safra 2018/19, a empresa, que já é uma das maiores exportadoras do grão produzido no país, sobretudo para a China, comprou dos produtores brasileiros pouco mais de 6 milhões de toneladas. Houve queda no ciclo 2019/20, por causa da menor demanda do país asiático em decorrência da peste suína africana, mas o volume exato não foi divulgado.

“A produção de soja pode caminhar lado a lado com a conservação das florestas e da vegetação nativa”, afirma Wei Peng, head de sustentabilidade da Cofco International, em material divulgado pela companhia “Tornamos público nosso compromisso com a rastreabilidade porque estamos preparados e queremos ser responsabilizados por ele”, diz a executiva.

Segundo dados da trading chinesa, no ano passado (safra 2018/19) cerca de 70% da soja que originou no Brasil em Mato Grosso e no Matopiba (confluência entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) foi de fornecedores diretos. A Cofco International garantiu que também está trabalhando para avançar na rastreabilidade das fazendas das quais compra indiretamente.

O programa de rastreabilidade da soja da companhia é baseado em um mapeamento realizado em 2019 em 5,2 milhões de hectares de propriedades no Brasil, na Argentina e no Paraguai. No ano passado, diz a Cofco, as compras diretas feitas em 25 municípios prioritários no Cerrado já tiveram rastreabilidade 100%.

“A empresa está ciente da complexidade do desafio de alcançar total transparência dentro da cadeia de fornecimento de soja. A rotatividade e a rotação de culturas são frequentes em um grande número de fazendas, espalhadas por uma vasta área geográfica de cerca de 35 milhões de hectares no Brasil”, afirma a companhia — que recorreu a um órgão independente para monitorar o plano.

“O objetivo não é apenas coletar dados de rastreabilidade, mas também usar essas informações para entender melhor o perfil de sustentabilidade das fazendas fornecedoras, ficar mais próximos dos produtores e entender melhor seus obstáculos”, afirma Peng.

Algumas atividades estão sendo financiadas por um empréstimo de US$ 2,3 bilhões vinculado à sustentabilidade que a Cofco International anunciou também em 2019. O empréstimo prevê desconto nos juros com base no desempenho das ações de sustentabilidade adotadas.

Com vendas totais superiores a US$ 31 bilhões, a Cofco International movimenta mais de 110 milhões de commodities agrícolas por ano em todos os mercados em que está presente. Globalmente, tem capacidade portuária para 34 milhões de toneladas e conta com fábricas de processamento para 26 milhões de toneladas de matérias-primas. Essa estrutura está distribuída por quatro regiões: América Latina, América do Norte, “Emea” (Europa, Oriente Médio e África) e Ásia-Pacífico. A maior parte dos ativos está na América do Sul.

Fernando Lopes – Valor Econômico