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Biocombustíveis devem ter aporte de R$ 106 bilhões até 2035


Globo Rural - 19 jan 2026 - 09:20

A indústria de biocombustíveis deve investir R$ 106,7 bilhões em bens de capital para ampliar a capacidade produtiva do país na próxima década, com forte estímulo das novas políticas de fomento ao setor previstas na Lei Combustível do Futuro. Essa é a estimativa da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que fez, no fim do ano passado, um levantamento dos aportes já anunciados e dos previstos entre 2026 e 2035.

O programa Combustível do Futuro criou mandatos para diferentes tipo de biocombustíveis com o objetivo de aumentar a participação dessas fontes na matriz energética e reduzir as emissões de gases-estufa. A política estabelece metas de mistura para o etanol anidro, o biodiesel e o combustível sustentável de aviação (SAF), e cria uma meta de redução de emissões para o setor de gás natural com uso de biometano.

Quando a política foi sancionada, o governo divulgou que estimava destravar investimentos da ordem de R$ 270 bilhões.

Conforme o mapeamento da EPE, estão previstos para a próxima década R$ 66,2 bilhões em capex no setor de etanol, tanto de cana como de milho e ainda de segunda geração (E2G). A seguir, estão os investimentos em combustível sustentável de aviação (SAF, na sigla em inglês) e diesel verde, com R$ 27,9 bilhões em capex previstos. Na sequência, aportes de R$ 9,5 bilhões em biodiesel, R$ 3 bilhões em biometano de resíduos sucroenergéticos e R$ 100 milhões em captura de carbono (bio-CCS).

Os números foram levantados a partir de construções e ampliações já autorizadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), investimentos já anunciados, e estimativas da própria EPE.

“O Brasil está sendo hoje o país em que esses investimentos têm o maior dinamismo”, diz o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), autor do projeto de lei que deu origem à política e criador de plataforma para acompanhar os investimentos no segmento.

Um dos projetos que envolvem o maior volume de recursos é o da Acelen, do Mubadala Capital, anunciado em 2025: serão US$ 3 bilhões em uma biorrefinaria no sul da Bahia para produzir SAF a partir da macaúba.

Para Jardim, o segmento de biocombustíveis que mais tem respondido às novas regulamentações é o de biometano, que pode ser produzido com resíduos tanto da cidade como do campo.

Combustível do Futuro

O Combustível do Futuro prevê que, a partir deste ano, os compradores de gás natural tenham que reduzir suas emissões de gases por meio da compra de biometano ou de Certificados de Garantia de Origem do Biometano (CGob).

A meta proposta para este ano é de redução de 0,25% das emissões em relação a 2025. A meta inicial prevista na lei era de 1%, mas o Ministério de Minas e Energia (MME) propôs o novo percentual em outubro. A proposta ainda está em discussão.

Segundo Jardim, a redução proposta foi motivada para se garantir uma adaptação dos setores produtivos e foi acordada com os produtores de biometano. “Foi um ajuste no curto prazo para [a política] dar certo no médio prazo”, diz. Ele espera que a meta de redução de emissões para 2027 já volte ao trilho e alcance de 1,5% a 2%.

Outro setor que tem atraído fortes investimento é o de etanol a partir do milho. Na avaliação de Jardim, mesmo com uma oferta adicional elevada que deve entrar no mercado nos próximos anos, novos mercados também devem se abrir para o etanol, como no transporte aéreo e marítimo.

Recentemente, a Maersk, maior armadora do mundo, confirmou a viabilidade técnica de uso de 10% de etanol nos motores de seus navios a e-metanol, e agora testa a mistura de 50%.

O Combustível do Futuro também permite que o governo aumente a mistura de etanol anidro na gasolina — hoje em 30% — para até 35%, mas a elevação depende de testes. Segundo Jardim, o MME já encomendou testes, agora em desenvolvimento.

A lei também prevê o aumento anual da mistura de biodiesel ao diesel até o limite de 20%. Para elevar a mistura acima dos atuais 15%, são necessários testes, que foram encomendados pelo governo.

O único biocombustível previsto na lei do Combustível do Futuro que ainda não conta com uma regulamentação é o diesel verde. Para Jardim, os investimentos nesse segmento devem demorar um pouco, já que seu custo é mais alto do que o diesel.

Outro investimento que foi destravado com o programa Combustível do Futuro foi o projeto de captura e estocagem de carbono no solo da FS Agrisolutions, chamado de Bioenergy with Carbon Capture and Storage (BECCS). Em 2025, o BNDES aprovou um financiamento de R$ 384,3 milhões para a empresa fazer o investimento.

A lei garantiu que as companhias que investirem na atividade tenham autorização para exercê-la por 30 anos, prorrogáveis por mais 30 anos. Além da garantia legal, a atividade também foi regulamentada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) neste ano.

Camila Souza Ramos – Globo Rural