Indústria de biodiesel comemora veto à importação
O governo reforçou sua confiança na capacidade da indústria local de produção de biodiesel ao proibir a importação do biocombustível destinado à mistura obrigatória do diesel vendido no Brasil, na avaliação das indústrias do setor.
O veto à importação foi aprovado nesta terça-feira (14) pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e determina que o biodiesel usado na mistura com o diesel seja produzido por unidades autorizadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Na avaliação da AliançaBiodiesel, a resolução representa um marco importante para a consolidação da política brasileira de biocombustíveis. A medida reconhece a capacidade da indústria instalada no país e oferece previsibilidade para a cadeia produtiva.
De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a indústria brasileira de biodiesel opera com cerca de 40% da capacidade disponível, indicando que o país tem condições de ampliar a oferta do biocombustível para atender a demanda.
“Desde o início defendemos que o Brasil não precisava importar biodiesel para cumprir sua mistura obrigatória. O país possui capacidade instalada, tecnologia, matéria-prima e uma indústria preparada para atender integralmente à demanda nacional. Não existe qualquer razão estratégica para substituir um combustível produzido aqui por outro vindo do exterior”, afirmou em comunicado Jerônimo Goergen, presidente da Aprobio e integrante da AliançaBiodiesel.
Goergen acrescentou que quando reconhece que a indústria brasileira é capaz de abastecer o mercado, o governo também protege investimentos, incentiva a produção e fortalece a segurança energética do país. “Aceitar a importação de biodiesel para a mistura obrigatória significaria enfraquecer uma cadeia que o próprio Brasil ajudou a construir e que hoje é referência mundial em qualidade, sustentabilidade e capacidade produtiva”, disse.
Para André Nassar, presidente da Abiove e integrante da AliançaBiodiesel, a decisão do CNPE demonstra que o governo enxerga a produção nacional de biodiesel como prioridade na política energética brasileira. “É um sinal de confiança na capacidade da indústria instalada no país e reforça uma estratégia que combina desenvolvimento econômico, valorização da agroindústria e liderança brasileira na transição energética”, afirmou Nassar em comunicado.
O presidente da Abiove acrescentou que a decisão cria condições para que as empresas continuem investindo, ampliando sua produção e desenvolvendo novas tecnologias. “Isso fortalece toda a cadeia e posiciona o Brasil como protagonista em um mercado que será cada vez mais relevante no cenário internacional”, disse.
Cibelle Bouças – Globo Rural


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