Usinas contestam possibilidade de importação de biodiesel
O presidente da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio), Jerônimo Goergen, afirmou ao Valor e à Globo Rural que o setor defende o aumento da mistura obrigatória do biodiesel ao diesel e que não há necessidade de testes para elevar a adição para 16%. O dirigente ressaltou, porém, que a cadeia não quer que nenhuma decisão do governo pareça oportunismo com o cenário de guerra e de incremento nos preços dos combustíveis.
"Não queremos nenhuma decisão que pode parecer oportunismo. A guerra um dia vai passar, os reflexos voltam. Nós entendemos que o B16 não precisa sequer teste nesse momento", afirmou. Segundo ele, o setor está disposto a acelerar e a bancar os testes conduzidos pelo governo para validar misturas em percentuais mais elevados do biocombustível.
"Os 16% de mistura poderiam entrar já em campo sem causar nenhum problema, antecipando a agenda dos testes ou com a decisão do governo", defendeu.
Uma outra fonte, porém, disse que sem a avaliação da viabilidade técnica não pode haver aumento da mistura, mesmo para 16%. Pode, no entanto, ser aprovada a elevação como uma "excepcionalidade" por conta da guerra ou fazer ensaios rápidos que validem o novo percentual. É isso que o setor está sugerindo e tentando construir uma solução com o governo.
O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) se reunirá na quinta-feira (12). Por enquanto, não há previsão de que o aumento da mistura entrará na pauta.
Há uma previsão de que o colegiado vote uma resolução que, na prática, vai permitir a importação de biodiesel, para atender até 20% da demanda nacional.
Goergen disse que a medida é incoerente, ainda mais no cenário atual. "Temos preocupação, mas confiamos no bom senso e no interesse nacional", completou.
A Aprobio e as outras entidades do setor, como a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), a União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) e a Associação das Empresas Cerealistas do Brasil (Acebra), publicaram nota em janeiro deste ano contra a importação de biodiesel. Elas ressaltaram que uma abertura de mercado poderia gerar impactos negativos sobre a previsibilidade regulatória da cadeia, os investimentos já realizados e a segurança jurídica.
"O Brasil possui capacidade produtiva instalada suficiente para atender à demanda interna, com elevada ociosidade, o que afasta qualquer justificativa técnica para a importação do produto. A principal matéria-prima para produção de biodiesel são os óleos vegetais, que já são importados livremente no Brasil, tornando desnecessária e improducente a importação direta de biodiesel", escreveram à época.
Ontem (09), um grupo de cinco associações do setor de combustíveis publicou um posicionamento conjunto defendendo a abertura do mercado brasileiro.
Rafael Walendorff – Globo Rural