Acelen vai investir R$ 7,5 bilhões em biorrefinaria para produzir diesel verde e SAF
A Acelen Renováveis, empresa da Mubadala Capital, o fundo soberano dos Emirados Árabes Unidos que controla a refinaria de Mataripe, vai investir US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 7,5 bilhões) na construção de sua primeira biorrefinaria no Brasil. A unidade será localizada em São Francisco do Conde, na Bahia, e terá capacidade para produzir 1 bilhão de litros anuais de querosene de aviação sustentável (SAF) e diesel renovável (HVO).
Dos US$ 1,5 bilhão, US$ 650 milhões virão do próprio Mubadala Capital e os US$ 850 milhões restantes de um consórcio de bancos, como IFC, instituição do Grupo Banco Mundial voltada ao desenvolvimento do setor privado, HSBC, BNDES, Bradesco, First Abu Dhabi Bank (FAB), Abu Dhabi Commercial Bank (ADCB), BID Invest, Asian Infrastructure Investment Bank (AIIB), Development Finance Institute Canada (FinDev Canada), KfW IPEX-Bank, BBVA e Bank of China.
A intenção é ter como principal matéria-prima a macaúba, uma planta nativa do Brasil. Para a produção dos combustíveis renováveis serão utilizados ainda óleo de soja e óleo de cozinha usado. A operação da refinaria tem início previsto para 2029 e faz parte de um projeto total de US$ 3 bilhões (cerca de R$ 15 bilhões), pois contempla o desenvolvimento agroindustrial com plantação, extração e beneficiamento dos coprodutos da macaúba em uma área de 144 mil hectares.
Em entrevista ao GLOBO, Luiz de Mendonça, CEO da Acelen Renováveis, disse que o atual conflito no Oriente Médio não trouxe impacto na estruturação do projeto, mesmo com o preço do petróleo acima dos US$ 100 por barril e as fontes renováveis sob pressão por parte de diversas empresas.
“O que acontece nos últimos meses ajudou no sentido de que vários países estão buscando segurança energética. Além disso, a competitividade do projeto vem da integração com o agronegócio. Será a maior planta de biorrefino da América Latina e vai posicionar o Brasil entre os principais polos globais de combustíveis sustentáveis”, disse Mendonça.
A Acelen, controlada pelo Mubadala Capital, é dona da Refinaria de Mataripe, na Bahia, que foi adquirida da Petrobras durante o governo de Jair Bolsonaro. Agora, a estatal brasileira já iniciou conversas para recomprar a unidade e reintegrá-la ao seu parque de refino.
Já a nova unidade de biorrefino, também localizada na Bahia, pertence à Acelen Renováveis. Embora também seja controlada pelo Mubadala Capital, a operação não é integrada à Refinaria de Mataripe.
Segundo o executivo, a unidade no Brasil já tem cerca de 90% da futura produção vendida para parceiros globais com atuação na Europa, Estados Unidos e também no Brasil. Por isso, ele diz que o atual cenário de preços da Petrobras, que não repassa as cotações internacionais para o diesel, por exemplo, não vai impactar o projeto.
“São mercados diferentes. Hoje não há concorrência para esses produtos. A demanda global é grande. Com esse projeto, temos a ideia de replicá-lo para mais quatro projetos no Brasil”.
O plano da Acelen Renováveis acontece em um momento de expansão da Petrobras na área. A estatal também aposta em biorrefino para a produção de combustíveis com conteúdo renovável, como a construção, na Refinaria Presidente Bernardes (em Cubatão), da planta dedicada de QAV sustentável e diesel 100% renovável. Além disso, vai adaptar as refinarias de Minas Gerais e de Paulínia (São Paulo) para produção de SAF via coprocessamento.
No Rio, a Reduc já produz diesel com conteúdo renovável e realizou testes para produção de SAF por coprocessamento com óleo de milho. A refinaria também será integrada ao Complexo Boaventura (antigo Comperj), em um pacote de investimentos de cerca de R$ 26 bilhões. O complexo terá uma planta dedicada com capacidade para produzir cerca de 19 mil barris por dia de combustíveis renováveis, como diesel e querosene de aviação.
Já a Rnest, em Pernambuco, recebe investimentos para ampliação do refino e aumento da produção de diesel de baixo teor de enxofre, com unidades que podem futuramente ampliar a capacidade de coprocessamento de matérias-primas renováveis.
Bruno Rosa – O Globo



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