Preço do diesel nos postos cai R$ 0,20 por litro em duas semanas, diz ANP
O preço do diesel S-10 nos postos brasileiros caiu pela segunda semana seguida após atingir o pico do ano no início do mês, segundo a pesquisa semanal da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis).
Fontes do mercado dizem que a queda reflete o repasse, por importadores, de diesel mais barato comprado no exterior e que a subvenção sobre o combustível, criada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para enfrentar os impactos da guerra no Irã, ainda não teria tido grande impacto.
Segundo a ANP, os postos brasileiros venderam o diesel S-10, em média, a R$ 7,38 por litro na semana passada. O valor representa uma queda de R$ 0,11 por litro em relação à semana anterior. No acumulado de duas semanas, a queda é de R$ 0,20 por litro.
O valor ainda é bem superior aos R$ 6,10 por litro vigentes na semana anterior aos primeiros ataques de Israel e Estados Unidos ao Irã, que levaram ao fechamento do estreito de Hormuz, rota por onde passa um quinto da produção mundial de petróleo.
A escalada dos preços após o início da guerra gerou preocupação no governo, que anunciou uma série de medidas para tentar conter a alta e seus possíveis impactos sobre o humor do eleitorado às vésperas da eleição presidencial.
Em março, Lula anunciou isenção de impostos federais no valor de R$ 0,32 por litro e uma subvenção de R$ 0,32 por litro para produtores e importadores. Em abril, com apoio dos estados, elevou a subvenção para R$ 1,52 por litro.
O programa, porém, demorou a decolar. No primeiro período, encerrado em março, atraiu os dois maiores produtores —Petrobras e Refinaria de Mataripe—, mas não foi considerado atrativo por grandes importadoras e distribuidoras, como Vibra, Ipiranga e Raízen.
Maior distribuidora do país, a Vibra Energia só decidiu aderir à subvenção no dia 10 de abril, depois que o governo ampliou o valor do benefício de R$ 0,32 para R$ 1,52 por litro. Em 2025, a empresa foi responsável por 20% das importações privadas brasileiras. Raízen e Ipiranga, porém, continuam de fora.
Segundo a ANP, outras nove empresas se habilitaram também para receber a subvenção no segundo período, iniciado no começo de abril, incluindo a Vibra e importadoras de médio porte, como a Temape (Terminais Marítimos de Pernambuco).
A queda do preço do diesel nas bombas ocorre em paralelo a uma redução do preço de venda por produtores e importadores: segundo a ANP, esses fornecedores reduziram seus preços em R$ 0,18 por litro nas últimas duas semanas.
Como não houve queda nas refinarias da Petrobras, esse movimento reflete decisões de empresas privadas. "Estamos vendo uma volatilidade muito grande dos preços", diz o presidente da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), Sérgio Araújo.
Ele afirma que não vê ainda efeitos da subvenção sobre os preços de bomba. "Foram poucos os agentes que aderiram ao primeiro período. E ainda não há uma data para o pagamento dos valores a essas empresas", argumenta.
A expectativa inicial era de que o primeiro período da subvenção fosse pago a produtores e importadores até o dia 15 de abril, mas medida provisória do governo prorrogou o prazo para o fim do mês. A ANP não informou quanto terá que pagar.
Na última sexta (24), a agência aprovou uma mudança no preço-teto para refinarias que produzem diesel a partir de petróleo nacional, categoria que hoje se limita à Petrobras. A alteração eleva em cerca de R$ 0,05 por litro esse valor.
A Petrobras promoveu um reajuste no preço do diesel em suas refinarias logo após o anúncio da primeira subvenção, em março. Na ocasião, o governo anunciou também isenção nos impostos federais sobre o combustível, que somavam R$ 0,32 por litro.
A alta nas refinarias da estatal foi de R$ 0,38 por litro. A presidente da companhia, Magda Chambriard, disse na época que, sem a subvenção, teria que subir o produto em R$ 0,70 por litro.
Nicola Pamplona – Folha de S.Paulo



