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Negócio

Petróleo volta a disparar e pressiona mercados


Valor Econômico - 02 jun 2026 - 09:39

Apesar dos recentes avanços nas negociações diplomáticas entre os Estados Unidos e o Irã para acabar com a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz, novas tensões levaram a uma forte alta nos preços do petróleo e ditaram o tom nos mercados ontem.

O Ibovespa fechou em queda, com peso da maior percepção de risco entre os investidores, enquanto as bolsas de Nova York renovaram seus recordes de fechamento pela terceira sessão consecutiva, com apoio do setor de tecnologia. O dólar comercial terminou o dia no negativo em relação ao real, ao contrário do movimento da moeda americana visto no exterior, na medida em que a divisa brasileira foi beneficiada pelo avanço nos preços do petróleo.

O barril tipo Brent (referência mundial) com vencimento em agosto fechou em alta de 4,23%, a US$ 94,98, na Intercontinental Exchange (ICE). O WTI (referência americana) com entrega prevista para julho teve alta de 5,49%, a US$ 92,16 por barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex). Ambos os contratos chegaram a subir mais de 7% nas máximas.

Os contratos futuros de petróleo terminaram o dia longe das máximas, após o presidente americano, Donald Trump, dizer em suas redes sociais que as negociações com o Irã seguem “em ritmo acelerado”. Ele também afirmou que Israel e o Hezbollah aceitaram conter os ataques no Líbano.

Antes, os preços haviam disparado para as máximas, com a informação da agência iraniana Tasnim de que o Irã teria suspendido as negociações com os EUA por conta de ataques israelenses ao Líbano. Segundo a fonte, haveria um esforço para um bloqueio total do Estreito de Ormuz. A notícia também pesou sobre o desempenho dos ativos de risco.

Os rendimentos dos Treasuries e o dólar no exterior apresentaram firme alta ontem, com pressão da maior percepção de risco entre os investidores e dados mais fortes que o esperado da economia americana. Os índices de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) medidos pelo Instituto para Gestão da Oferta (ISM) e pela S&P Global subiram para seus maiores níveis em quatro anos. Começam a refletir efeitos do conflito no Oriente Médio e apontam para uma economia aquecida nos Estados Unidos, o que reforça a percepção de que o Federal Reserve (Fed) deve manter os juros, ou até subir as taxas nos próximos meses.

No fim do dia, os rendimentos dos Treasuries com vencimento em dois anos subiram para 4,035%, de 4,010% no fechamento anterior, e os rendimentos dos Treasuries com vencimento em 10 anos avançaram para 4,453%, ante 4,443% na última sessão. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, tinha alta de 0,30%, aos 99,200 pontos.

No cenário local, no entanto, o dólar comercial fechou em queda de 0,39%, cotado a R$ 5,0226, na medida em que o real se beneficiou do avanço dos preços do petróleo. Em nota, o Deutsche Bank aponta que a moeda brasileira continua demonstrando resiliência apesar do ruído político, e que os juros reais elevados, combinados com números positivos do setor externo, devem continuar sustentando a moeda. “O choque do petróleo teve um impacto positivo sobre os termos de troca do Brasil e sobre a conta corrente, e os dados mais recentes já mostram uma melhora das exportações, enquanto os dados de fluxo de capitais indicaram entradas líquidas em abril”, escrevem estrategistas do banco alemão.

O comportamento dos principais índices de ações de Nova York também foi influenciado pelos eventos no Oriente Médio e o apetite a risco dos investidores, mas não de maneira tão expressiva quanto outros ativos americanos, na medida em que um forte avanço nas empresas de tecnologia deu suporte para as bolsas americanas.

O Dow Jones subiu 0,09%, aos 51.079,37 pontos, o S&P 500 teve alta de 0,26%, aos 7.600,03 pontos, e o Nasdaq avançou 0,42%, aos 27.086,808 pontos, todos renovando seus recordes de fechamento pelo terceiro pregão consecutivo, embora por pouco.

O Ibovespa, por outro lado, terminou o dia em queda de 0,91%, aos 172.197 pontos, pressionado pela maior percepção de risco entre os investidores e o movimento de rotação para empresas de tecnologia fora do Brasil.

Luana Reis, Arthur Cagliari, Bruna Furlani, Maria Fernanda Salinet, Artur Scaff e Cristiana Euclydes – Valor Econômico