Vice-presidente do grupo empresarial reclama da demora na implementação dos aumentos de mistura previstos no Combustível do Futuro
Os atrasos na implementação do cronograma de aumentos no mandato de biodiesel previstos na Lei do Combustível do Futuro deverão levar o Grupo Potencial a adiar, ao menos em parte, os investimentos que estavam previstos para o complexo industrial em Lapa (PR). No valor de R$ 6 bilhões, os planos haviam sido anunciados durante a inauguração da primeira fase da esmagadora de soja do grupo.
Inicialmente o ciclo de investimentos deveria ser completado até 2030, mas agora, segundo uma entrevista concedida ao portal AgFeed pelo vice-presidente do grupo, Carlos Eduardo Hammerschmidt, o projeto poderá ser concluído apenas em 2032.
O cronograma inicial da Potencial levava em consideração que a mistura avançaria seguindo o cronograma de ampliações da mistura obrigatória que consta no texto da lei que previa a adoção do B16 em março deste ano e avanços de um ponto percentual por ano até chegar ao B20 em 2030. A exigência legal de que misturas maiores do que 15% tenham a sua “viabilidade técnica” comprovada, no entanto, fez com que os novos aumentos fossem adiados.
De acordo com o executivo, o setor tinha esperança de que os impactos da guerra entre Irã e Estados Unidos levassem o Planalto a acelerar os planos para elevar o uso de biocombustíveis no mercado brasileiro. Durante um evento em Brasília realizado em abril, o presidente Lula chegou a dar declarações de que o B16 e o E32 poderiam chegar a curto prazo.
No fim das contas, não foi o que aconteceu. O Ministério de Minas e Energia (MME) tem se mantido firme no propósito de realizar os testes exigidos por lei antes de fazer novos avanços, o que, segundo o plano aprovado pelo MME, não deve acontecer antes de 2027. “[O atraso] está deixando desconfortável essa situação com os investidores no Brasil, porque o cronograma da Lei do Combustível do Futuro não está sendo seguido. Inclusive o governo anunciou na Alemanha o aumento do etanol para E32 e o biodiesel para B16. Mas anunciou e não executou no Brasil. Então cria um desconforto para o cenário brasileiro nesse quesito”, afirmou Carlos Eduardo à AgFeed.
A entrevista para a AgFeed, contudo, não deixa claro quais são os projetos que podem ser adiados pela Potencial. Mas não deverá atingir a nova ampliação de sua – já enorme – usina de biodiesel. Atualmente a planta da Potencial em Lapa (PR) pode fabricar até 900 mil m³ por ano, mas deverá chegar a 1,62 milhão de m³ anuais em algum ponto do primeiro trimestre do ano que vem.
Para dar ideia do que isso significa, a segunda maior usina de biodiesel do país – a Olfar de Porangatu (GO) – pode fabricar um pouco menos de 650 mil m³ anuais.
Como as obras na usina já estão em estágio avançado, o executivo avalia que o mais provável é que o projeto seja concluído, mas que essa nova capacidade demore um pouco para entrar, de fato, no mercado.
Carlos Eduardo também garante que o projeto para a construção de uma usina de etanol de milho no valor de R$ 2 bilhões também será mantido. De acordo com o executivo, a empresa já está selecionando os fornecedores e deve começar as obras no próximo ano.
Outros planos da empresa podem estar mais ameaçados de adiamento. É o caso da fase 2 da esmagadora de soja que faria sua capacidade de processamento saltar dos atuais 1,15 para 2,3 milhões de toneladas por ano. Há ainda um projeto no valor de R$ 120 milhões para a construção de uma unidade de biometano que deverá abastecer as caldeiras do complexo de Lapa.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
Com informações da AgFeed