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Relatório aponta ritmo lento na eletrificação de caminhões pesados


Transporte Moderno - 10 abr 2026 - 10:41

Um relatório internacional elaborado pela coalizão Idle Giants coloca em debate o ritmo da eletrificação no transporte de carga pesada e indica que a indústria global ainda avança de forma gradual na adoção de caminhões elétricos. O estudo “Behind the Curve” aponta que, embora haja evolução tecnológica, a produção segue em volumes limitados e com preços elevados, o que restringe o acesso de grande parte das transportadoras.

Segundo o documento, esse cenário pode atrasar a transição energética no setor e abrir espaço para novos concorrentes, especialmente fabricantes chineses, que já operam com maior escala e custos mais competitivos em alguns mercados. A análise também indica que a demanda existe, mas permanece reprimida principalmente pelo preço dos veículos, sobretudo entre pequenas e médias empresas.

No Brasil, o tema ainda avança de forma gradual, com a descarbonização do transporte rodoviário concentrada em biocombustíveis, gás e ganhos de eficiência no diesel. Ainda assim, especialistas apontam que o país reúne condições favoráveis para ampliar o uso de caminhões elétricos, inclusive no segmento pesado.

Em entrevista recente ao Videocast Transporte Moderno, Clemente Gauer, diretor da Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE) e membro da coalizão Gigantes Elétricos, afirmou que o Brasil tem vantagens estruturais para essa transição. “Temos energia renovável abundante, barata e crescente. Hoje, inclusive, já vivemos momentos de excedente de eletricidade no sistema, principalmente por conta da geração solar e eólica”, disse.

Para ele, o avanço tende a ser impulsionado mais pelo custo do que pela agenda ambiental. “O caminhão elétrico pode reduzir em até 80% o custo por quilômetro rodado. No diesel, grande parte da energia se perde em forma de calor e fumaça. Já no elétrico, a eficiência é muito maior.”

Infraestrutura acompanha a demanda

A infraestrutura de recarga ainda aparece como um dos principais desafios, mas Gauer avalia que esse processo pode evoluir de forma semelhante ao que ocorreu com o diesel no passado. “A rede de abastecimento também precisou ser construída. Com o elétrico, a lógica pode ser a mesma, acompanhando a demanda”, disse.

Outro ponto destacado é o perfil das operações no país. Segundo estudos citados pelo executivo, cerca de 80% do transporte rodoviário no Brasil ocorre em trajetos de até 300 quilômetros, o que favorece a adoção de caminhões elétricos com a tecnologia atual. “Para operações regionais, o caminhão elétrico já é bastante viável.”

Enquanto isso, o Brasil segue apostando em diferentes rotas tecnológicas para reduzir emissões. Para Gauer, os biocombustíveis têm papel relevante, mas não devem ser a única solução. “Eles são melhores que os combustíveis fósseis, mas não atingem o mesmo nível de eficiência ambiental que a eletrificação”, disse.

O relatório conclui que o avanço dos caminhões elétricos dependerá da combinação entre redução de custos, ganho de escala e desenvolvimento de infraestrutura — fatores que devem definir o ritmo dessa transição nos próximos anos.

Aline Feltrin – Transporte Moderno