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Precificação de carbono cobre 20% das emissões com preços baixos, diz Banco Mundial


EPBR - 28 mai 2021 - 10:32

A precificação de carbono gerou US$ 53 bilhões em receitas entre 2020 e 2021, mas os esforços “não estão no caminho certo para cumprir as metas do Acordo de Paris“, afirma o Banco Mundial em relatório publicado esta semana.

Instrumentos de cobrança por precificação do carbono cobrem 20% das emissões globais de gases de efeito estufa, de acordo com o relatório anual State and Trends of Carbon Pricing, do banco.

A receita de US$ 53 bilhões para os provedores de soluções de descarbonização representa um crescimento de 17% em um ano, mas “o potencial total do preço do carbono permanece em grande parte inexplorado”, diz a organização.

O crescimento da receita foi impulsionado pelo mercado da União Europeia, no programa que estabelece tetos de emissões e exige dos países que excedem esses limites a compra de créditos adicionais.

“Os sistemas de comércio de emissões também têm sido amplamente resistentes à redução da atividade econômica durante a pandemia da covid-19, e provavelmente ajudados por seus mecanismos de ajuste de preço ou oferta”, diz o Banco Mundial.

O relatório também conclui que a maioria dos preços de carbono permanece muito abaixo da faixa de US$ 40 a US$ 80 por tonelada carbono equivalente (CO2e) recomendada para 2020, para estimular o atingimento da meta do Acordo de Paris, que tenta manter o aquecimento global abaixo dos 2ºC.

Os créditos nessa faixa recomendada de preço cobrem menos de 5% das emissões globais.

“O potencial dos preços do carbono ainda está em grande parte inexplorado, apesar do fato de que pode ser eficaz na condução da descarbonização para países em todos os estágios de desenvolvimento”, disse Bernice Van Bronkhorst, diretora global de Mudanças Climáticas do Banco Mundial.

“Se implementadas cuidadosamente, estas políticas também podem ser redirecionadas para apoiar as comunidades de baixa renda, levando recursos para aqueles que mais necessitam deles”.

Os principais destaques no relatório incluem o lançamento operacional do Sistema Nacional de Comércio de Emissões (ETS) da China em janeiro de 2021 e as próximas mudanças no ETS da UE como parte do pacote de recuperação do Green Deal Europeu.

O State and Trends of Carbon Pricing 2021 calcula as emissões de gases de efeito estufa cobertas apenas por mecanismos de preços implementados. Em edições anteriores, considerava também instrumentos programados.

No período coberto pelo relatório, foram incluídos os seguintes novos mecanismos de precificação do carbono em relação ao ano anterior: China ETS, UK ETS, Alemanha ETS, Netherlands Carbon Tax, Luxembourg Carbon Tax e a subnacional Tamaulipas e Baja California Carbon Taxes.

Preço do carbono na Europa ultrapassa 50 euros

Em meados de maio, e devido à adoção de políticas ambientais mais rígidas pela Europa, os contratos futuros de carbono bateram recorde no mercado da região, ultrapassando os 56 euros por tonelada.

Hoje são negociados perto de 53 euros, com valorização acumulada de mais de 140% em um ano. Corresponde a R$ 340 por tonelada de carbono equivalente na cotação atual.

A União Europeia (UE) se comprometeu a reduzir em 55% suas emissões líquidas de gases do efeito estufa (GEEs) até 2030, comparado aos níveis de 1990.

O Brasil não possui Sistema Nacional de Comércio de Emissões (ETS).

Por aqui, o programa mais consolidado é o RenovaBio, do mercado de combustíveis, em que distribuidoras que vendem gasolina e diesel são obrigadas a adquirir créditos (CBios) emitidos por produtores de biocombustíveis, como biodiesel, etanol e biometano. O CBio é negociado a R$ 30, próximo dos 4,5 euros.