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Alunos da USP de Lorena querem modificar bactéria para produzir biodiesel

Um grupo de alunos da EEL/USP está concorrendo numa competição internacional de biologia sintética com uma bactéria que que produz diesel renovável.
BiodieselBR.com 4 min de leitura
Se tudo sair como planejado, até outubro a biodiversidade do mundo vai incluir um novo microrganismo capaz de fazer algo inédito: metabolizar ácidos graxos transformando-os em alcanos quimicamente similares aos do diesel de petróleo. Um grupo de alunos da Escola de Engenharia de Lorena da Universidade de São Paulo (EEL/USP) está trabalhando duro – incluindo noites e finais de semana – para fazer isso acontecer.

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Se tudo sair como planejado, até outubro a biodiversidade do mundo vai incluir um novo microrganismo capaz de fazer algo inédito: metabolizar ácidos graxos transformando-os em alcanos quimicamente similares aos do diesel de petróleo. Um grupo de alunos da Escola de Engenharia de Lorena da Universidade de São Paulo (EEL/USP) está trabalhando duro – incluindo noites e finais de semana – para fazer isso acontecer.

Os estudantes fazem parte do Clube de Biologia Sintética (CBSin) da EEL e estão usando o E. Coli como chassi – termo usado para se referir a organismos utilizado para receber modificações genéticas – de numa nova tecnologia para a produção de biocombustíveis. O projeto será apresentado no International Genetically Engineered Machines (iGEM) – competição anual de biologia sintética que acontece em Boston, nos Estados Unidos.

Num aspecto, o projeto da EEL/USP se distancia de outros tantos que já tentaram usar microrganismos na produção de versões renováveis para o diesel de petróleo. Projetos de pesquisa anteriores tentaram modificar os organismos para que estas acumulassem os lipídios de forma a usá-los como matéria-prima na produção de biodiesel; o deles, mal comparando, pretende usar as bactérias no lugar dos catalisadores.

Diferencial

Embora o uso de microrganismos seja lugar comum na produção de biocombustíveis –a produção de etanol convencional, por exemplo, está toda estruturada sobre as leveduras –, essa nova tecnologia seria, na descrição do fundador do CBSin e aluno da EEL, André Hermann, “algo diferenciado”. “Hoje você já tem microrganismos produzindo etanol, tanto convencional quanto de 2ª geração. O biodiesel seria algo mais sofisticado”, afirma acrescentando que a proposta imediatamente despertou o interesse dos organizadores do iGEM.

Segundo o professor do Departamento de Biotecnologia da EEL, Fernando Segato, conseguir com que os microrganismos façam coisas que eles não costumam é o objetivo da biologia sintética. “Você quer que seu organismo faça alguma coisa que não existe na natureza. Esse é o conceito central. Por isso, fazer biodiesel com uma bactéria é algo mais promissor do que conseguir que uma levedura faça etanol, mesmo que ele seja se 2ª geração”, explica.

Desafio

Para chegar a tanto, a equipe está tentando resolver um problema espinhoso. A verdade é que o E. Coli não se dá muito bem em meios com muito ricos em óleos porque a alta concentração de lipídios desgasta as paredes celulares das bactérias.

Para tentar resolver o problema, os estudantes estão tentando modificar o E. Coli para que ele passe a contar com a presença de tocoferol – um composto com efeito antioxidante – em sua membrana o que, segundo o professor Segato, deverá aumentar a resistência do organismo ao meio onde o grupo de estudantes espera cultivá-lo.

Segundo André, os sete estudantes que estão mais diretamente envolvidos com o projeto do CBSin estão trabalhando a todo vapor explorando as potencialidades de uma biblioteca de DNA contendo cerca de duas mil partes biológicas enviada pela organização do iGEM. Além disso os estudantes estão sintetizando seus próprios genes e montando operons – conjunto maiores de genes que agem de forma coordenada. “Não temos toda a facilidade que têm nos Estados Unidos onde eles podem pedir [uma sequência de DNA] e receber em um ou dois dias, mas as coisas estão andando. Eles sabem o que querem fazer”, elogia o professor Segato.

Mas manipular a genética do E. Coli é só parte do processo. Além do laboratório, os membros do CBSin também estão se mobilizando para viabilizar a ida de toda a equipe para os Estados Unidos para o evento do iGEM que acontece no final de outubro. Para tanto, eles criaram uma campanha de crowdfunding que pretende arrecadar R$ 8.000 até o dia 07 de agosto.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
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