Soja

Soja sobe em Chicago e fecha em seu maior patamar em quase sete anos


BiodieselBR.com - 10 mar 2021 - 10:17

Os contratos futuros da soja para maio fecharam em alta de 0,44% (6,25 centavos de dólar) na bolsa de Chicago nesta terça-feira, a US$ 14,40 o bushel, seu maior patamar desde maio de 2014. A valorização ocorreu mesmo com poucas mudanças no relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a safra 2020/21, o que deve fazer com que os operadores se voltem rapidamente a outros eventos no calendário.

“Agora é só aguardar que os traders mudem o foco para as intenções de plantio, que serão divulgadas no fim de março, e o clima dos EUA”, disse Terry Reilly, da Futures International, à Dow Jones Newswires.

“Esse relatório apenas confirmou o aperto contínuo no balanço global da soja”, disse à Dow Jones Sal Gilbertie, presidente e diretor de investimentos da Teucrium Trading. O relatório também reafirma, segundo ele, a projeção de que o mundo consumirá quase 10 milhões de toneladas de soja a mais do que produzirá no próximo ano, mesmo com uma expectativa de alta recorde da safra brasileira.

Segundo os novos números do USDA, a colheita no Brasil somará 134 milhões de toneladas. O volume é 1 milhão de toneladas superior ao da projeção anterior e 4,3% maior que o estimado para 2019/20.

O USDA passou a prever a produção global de soja em 361,82 milhões de toneladas. Em 2019/20, a colheita estimada foi de 320,9 milhões de toneladas.

A demanda mundial, por sua vez, passou a ser calculada em 371,31 milhões em 2020/21, superior às 356,82 milhões da temporada anterior. Com isso, o órgão americano ajustou os estoques finais para 83,74 milhões de toneladas, volume 12,8% inferior ao do ciclo passado.

Com o corte na estimativa de estoques globais de trigo feito pelo USDA, as cotações do cereal subiram nesta terça-feira na bolsa de Chicago. Os lotes futuros de trigo com entrega para maio (os de segunda posição de entrega) fecharam em alta de 1,55% (10 centavos de dólar), a US$ 6,565 o bushel.

Em seu novo relatório sobre oferta e demanda de commodities agrícolas, divulgado nesta terça, o USDA estimou os estoques globais em 301,2 milhões de toneladas. O número é 3 milhões de toneladas menor que o calculado em fevereiro.

A razão para o corte vem da expectativa de que a China use trigo, em vez de milho, na ração destinada a alimentar seus rebanhos. “A demanda por trigo para ração animal na China aumentou em 5 milhões de toneladas, e esse foi o principal fator para a redução na estimativa de estoques mundiais”, disse Doug Bergman, da RCM Alternatives, à Dow Jones Newswires.

A previsão do USDA para o consumo total de trigo no mundo passou de 769,32 milhões para 775,89 milhões de toneladas. Esse novo número de demanda compensa a previsão do USDA de elevação na produção mundial de 3 milhões de toneladas, ocorrida com uma revisão nas estimativas sobre a Austrália. O USDA prevê agora que os australianos vão colher 33 milhões de toneladas em 2020/21 e que a produção global chegará a 776,78 milhões de toneladas.

Nas negociações de milho, os contratos que vencem em maio recuaram 0,23% (1,25 centavo de dólar) na bolsa de Chicago, a US$ 5,4575 o bushel.

O USDA estimou os estoques finais mundiais do cereal em 287,7 milhões de toneladas, acima das 286,5 milhões de toneladas de fevereiro. A estimativa contrariou as previsões dos analistas, que esperavam uma queda dos estoques.

A previsão do USDA foi de aumento na produção de milho fora dos EUA, com acréscimos na Índia, África do Sul e Bangladesh parcialmente compensados por uma queda no México. Nos EUA, a expectativa de produção foi mantida em 360,25 milhões de toneladas, com exportações projetadas em 66,04 milhões de toneladas e estoques finais de 38,15 milhões de toneladas.

“Em geral, este foi um relatório simples e que está provocando uma resposta simples”, disse Charlie Sernatinger, diretor de futuros de grãos da ED&F Man Capital, à Dow Jones Newswires.

Analistas consultados pelo jornal “The Wall Street Journal” esperavam que os estoques de milho e soja fossem ter suas estimativas revistas para baixo neste mês devido ao crescimento da demanda global pelas duas commodities.

Marina Salles e Fernanda Pressinott – Valor Econômico

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