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Pesquisadores do ES e SC trocam experiências sobre oleaginosas


Assessoria Incaper - 05 set 2012 - 18:28 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53
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Representantes da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Itajaí (Epagri) vieram de Santa Catarina para trocar experiências com o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper). O tema do encontro, que aconteceu entre ontem e hoje (04 e 05 de setembro), foi a agroenergia – com foco no cultivo de oleaginosas potenciais para a produção do biodiesel.

“Eles vieram identificar as ações estratégicas desenvolvidas pelo Incaper no que se refere à questão do biodiesel”, destacou Aureliano Nogueira da Costa, diretor-técnico da entidade. Os representantes da Epagri fizeram um comparativo entre os estados de Santa Catarina e do Espírito Santo. “A estrutura fundiária é um ponto semelhante. Os problemas também são basicamente os mesmos, principalmente no que se refere à economia, à renda das famílias”, avaliou Germano Fuchs, extensionista rural da Epagri.

“A questão crucial do biodiesel é a renda. Se a atividade proporcionar renda igual ou superior à que existe na propriedade, é uma boa opção. Aqui no Espírito Santo, há um cenário montado para a instalação de uma empresa. Isso viabiliza a produção. Se não tiver quem compre, o produtor não se encoraja a plantar”, complementou Herbert Hentschel, responsável pela área de bioenergia da Epagri.

O clima foi uma das diferenças observadas entre os dois estados. No Espírito Santo, por exemplo, há condições propícias para o cultivo de pinhão manso. Já em Santa Catarina, em função das temperaturas amenas, há que serem estudadas outras formas de produção de biodiesel. “Hoje, o que se tem em termos de biodiesel é o reuso de óleo e até de gorduras animais vindas de abatedouros.”, contou Hentschel. “Precisamos pesquisar mais, ver as espécies mais adequadas para a região”, complementou Fuchs.

O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) busca fomentar as culturas voltadas para a produção de biodiesel em todo o país. “A tendência é que o Brasil se torne referência mundial na produção de biodiesel. Ainda há barreiras a serem transpostas. Alguns países misturam 20 por cento de biodiesel no diesel. No Brasil, esta proporção é de apenas sete por cento”, explicou Marcio Adonis Miranda Rocha, coordenador do Programa Especial de Culturas Alimentares e Agroenergia do Incaper.

Para superar os desafios e colocar o Brasil em posição de vanguarda no cenário mundial, é importante conhecer a realidade e as potencialidades de cada estado. Neste contexto, as ações desenvolvidas pelo Incaper serviram de modelo para a Epagri. “É necessário estimular o processo de produção sustentável, tanto do ponto de vista econômico quanto do ponto de vista ambiental. O cultivo de oleaginosas voltadas para a produção de biodiesel é uma atividade que oferece rendimento e exige um custo baixo se comparado a outras culturas. Temos condições de produzir energia barata, para atender tanto o mercado interno como o externo, sem impactos ambientais significativos. Isso é ser energeticamente sustentável”, finalizou Adonis.