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Explorando o diferencial ecológico do biodiesel


BiodieselBR.com - 31 out 2012 - 15:56 - Última atualização em: 01 nov 2012 - 18:05
ricardo gullo
A venda do B5 e de outras misturas de biodiesel no diesel mineral não precisa ser encarada pelas distribuidoras apenas como um custo adicional. Ela também pode ser um diferencial de mercado, segundo Ricardo Gullo, que é responsável pelas aquisições de biodiesel da Alesat Combustíveis. “O mercado de combustíveis é muito parecido. Os diferenciais podem criar uma vantagem”, defendeu durante a Conferência BiodieselBR 2012.

A Alesat foi a primeira distribuidora a ofertar o B2 em 2005, bem antes da obrigatoriedade da mistura. A venda do produto começou no Posto Ponteio, em Minas Gerais. “Foi um desafio. Havia poucos fornecedores e a necessidade de percorrer grandes distâncias”, recordou. Segundo Gullo, a empresa decidiu “partir na frente” e oferecer a mistura nos postos antes da obrigatoriedade. “Era uma coisa nova, então decidimos fazer tudo com cuidado. Éramos bastante severos no processo de transporte e armazenamento”, continuou.

A iniciativa teve bom resultado. Segundo o executivo, a companhia realizou uma ação de comunicação nos postos e percebeu uma boa aceitação do produto, que, além de Minas Gerais, também foi implantado em postos de São Paulo e do Rio de Janeiro. Em 2006, a Alesat já atendia 79 cidades e 210 postos com a mistura. Segundo o palestrante, a empresa não apenas viu crescer o volume de vendas nesses locais como também percebeu que a iniciativa acabou fidelizando clientes. “Isso mostra que tem um potencial a ser explorado do diferencial do produto”, destacou.

Gullo avaliou que houve avanços no setor de 2005 a 2012, mas que ainda existem gargalos. “Temos a elevação de mais de 7% do consumo de diesel. Isso gera mais trabalho. Algumas bases estão operando com quatro tipos de diesel. Estão no limite”, destacou. Outra dificuldade é com o transporte. “A demanda de transporte é maior que a oferta, o que resulta numa elevação dos preços dos fretes”, disse. Para o executivo, isso é resultado da falta de planejamento dos últimos anos.

“É incontestável o amadurecimento do setor brasileiro de biodiesel”, afirmou. Para o representante da Alesat, o setor tem uma seriedade maior hoje, com muitas usinas preparadas para atender o distribuidor em prazos curtos. “No início a gente costumava ficar dias com o carro parado esperando o produto”, lembrou. Ele alertou que uma característica fundamental em um fornecedor de biodiesel é justamente a capacidade de expedição. “Uma usina que consegue expedir bem ao longo do dia, com várias ofertas de horário, ajuda muito a gente.”

Apesar da melhora do tempo de carregamento na usina, o tempo gasto na logística ainda é um desafio para o setor, avaliou Gullo. Segundo ele, o tempo médio de transporte de cargas de biodiesel é de 4,6 dias e a quilometragem média – contando ida e volta para a base – é de 1.100 quilômetros. Ao comparar a situação de bases em todo país, o executivo apontou que a situação piorou no Norte e Nordeste. “Tivemos usinas que pararam de operar, o que aumentou a distância para captação do produto”, contou.

Na opinião do executivo, algumas mudanças podem ajudar a melhorar o mercado. Uma delas seria a redução do prazo do leilão de biodiesel de três para dois meses. Segundo Gullo, as distribuidoras têm dificuldades para planejar aquisições no modelo atual. “No primeiro, segundo mês, tudo bem. No terceiro, fica mais difícil. O leilão no período bimestral facilitaria a previsão de compras, ajustando-se à sazonalidade do diesel dentro do ano.”

Outra sugestão do representante da Alesat é o estabelecimento antecipado de um cronograma de aumento dos teores de biodiesel no diesel. “Isso tem que ser planejado com calma”, orientou. Essa definição ajudaria as empresas a planejar os investimentos necessários.

Este ano, as distribuidoras, em conjunto com a Petrobras, executaram um esforço coletivo para evitar o apagão de combustível, destacou, e o biodiesel também fez parte desse esforço. “Foi um gargalo que pesou muito na conta dos últimos meses.”

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com

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Tags: C2012