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Diesel de cana no transporte público


BiodieselBR.com - 31 out 2012 - 15:56 - Última atualização em: 01 nov 2012 - 17:56
Adilson-LiebschA Amyris tem um alvo bastante específico em mente quando pensa no futuro do seu diesel renovável feito com cana-de-açúcar: os ônibus de transporte coletivo dos maiores centros urbanos brasileiros. A troca será possível porque esse novo biocombustível é um substituto perfeito do diesel mineral, explicou o engenheiro químico Adilson Liebsch, diretor de desenvolvimento de negócios em combustíveis da filial que a start- -up norte-americana mantém no Brasil. A empresa trabalha no segmento de biocombustíveis de 2ª geração desenvolvendo micro- -organismos capazes de converter açúcares em hidrocarbonetos.

Liebsch revelou a projeção da Amyris de que, por volta de 2020, o mercado de transportes coletivos nas maiores regiões metropolitanas do Brasil vai demandar 1,7 bilhão de litros de combustível. É um volume enorme, mas a produção canavieira do país poderia facilmente dar conta do recado. “Seriam necessários 34 milhões de toneladas de cana para produzir esse volume de combustível, mas o que falta não é cana-de-açúcar”, estipulou. Segundo o engenheiro, isso dá cerca de 2,9% dos mais de 1,1 bilhão de toneladas de cana-de-açúcar que o Brasil deverá colher até 2020.

Ao explicar o empreendimento da Amyris no Brasil, Liebsch apontou que o projeto é beneficiado pela logística, uma vez que os grandes centros urbanos estão próximos das maiores áreas de produção de cana. Mas o mercado de biodiesel não deve ver essa iniciativa como uma ameaça. “O diesel de cana não vem competir com o biodiesel. Pesquisas mostram que a mistura de diesel de cana e biodiesel funcionam muito bem”, revelou.

Atualmente a Amyris tem dois projetos em andamento. Um é em São Paulo e envolve 300 ônibus de quatro empresas diferentes que já rodam com 10% de diesel de cana nos tanques (os outros 90% são de B5 convencional). O outro é no Rio de Janeiro. Lá, em um projeto desenvolvido pela Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor), 20 veículos do transporte coletivo rodam com 30% de diesel de cana. Os ônibus envolvidos nas duas iniciativas já rodaram 10 milhões de quilômetros “sem nenhum problema”.

Outro resultado positivo da experiência, contou Liebsch, são os índices de redução de emissões. O potencial de redução em relação ao diesel mineral é de 80%. “É o combustível com melhor redução depois do etanol de cana”, defendeu.

A primeira usina da Amyris já está concluída e tem capacidade de produzir 50 milhões de litros por ano. “Ela está em fase de comissionamento. A expectativa é começar a produzir já em 2013”, adiantou. Uma segunda usina, com o dobro da capacidade da primeira, está com as obras 50% concluídas, completou o engenheiro.

Já nos Estados Unidos, país sede da empresa, a Amyris trabalha num projeto que irá desenvolver uma tecnologia capaz de converter os açúcares complexos presentes em resíduos vegetais – como bagaço de cana e resíduos de madeira, por exemplo – em açúcares mais simples, passíveis de fermentação. Isso abriria um mundo inteiramente novo em termos de matérias-primas potenciais para o segmento de biocombustíveis, embora a própria cana fosse uma das maiores beneficiadas, pela grande quantidade de biomassa que produz. “Hoje a cana é a fonte mais competitiva de açúcar, mas a própria cana pode ser mais competitiva. Hoje se desperdiça quase dois terços do potencial energético dela: um terço no bagaço e um terço na palha. Isso pode trazer um aumento de eficiência para a cultura”, relatou.

A Amyris surgiu nos Estados Unidos, nos laboratórios da Universidade de Berkeley, na Califórnia. A empresa nasceu graças a um aporte de recursos da Fundação Bill & Melinda Gates (entidade humanitária criada pelo mítico bilionário da tecnologia Bill Gates) usado no desenvolvimento de tratamentos inovadores para a malária, os quais são fabricados e distribuídos sem fins lucrativos em países pobres.

Contudo, logo os fundadores da empresa perceberam que a mesma tecnologia usada na produção de remédios baratos para a doença tropical poderia ser adaptada para a produção de combustíveis renováveis. “A ideia é trazer alternativas aos derivados de petróleo que tenham o mesmo desempenho”, concluiu Liebsch.

Rosiane Freitas – BiodieselBR.com

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Tags: C2012