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Debate: ampliando o mercado de biodiesel


BiodieselBR.com - 31 out 2012 - 15:56 - Última atualização em: 01 nov 2012 - 17:49
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O segundo painel de debates da Conferência BiodieselBR 2012 reuniu Luciano Cunha, do MDIC; os responsáveis pela pesquisa sobre o impacto do biodiesel na inf lação, Joaquim Guilhoto e Marcelo Pereira da Cunha, da Fipe; e o presidente do Sindibio-MT, Silvio Rangel. Sob a mediação de Miguel Angelo Vedana, as discussões fizeram parte do tema “Viabilizando a exportação e ampliando o mercado brasileiro”.

Abrindo o debate, Miguel Angelo Vedana perguntou aos pesquisadores da Fipe qual teria de ser o preço do óleo de soja para que o biodiesel tivesse impacto zero na inflação brasileira. Segundo Marcelo Pereira, teria de ser a metade do que é hoje para que o impacto inflacionário do biodiesel fosse idêntico ao do diesel de petróleo. Ele também assegurou que, dados os atuais patamares de utilização de matérias-primas, os resultados em termos de externalidades – tanto negativas quanto positivas – do biodiesel não teriam sido muito diferentes caso as demais matérias-primas tivessem sido incluídas no estudo com maior grau de detalhe.

O debate foi prosseguido por Luciano Cunha, que respondeu a uma provocação feita pelo mediador sobre o que ele faria para viabilizar a exportação brasileira
de biodiesel se fosse dono da “caneta da Dilma”. Segundo ele, há pouco o que fazer pelo biodiesel no momento, uma vez que exportar óleo de soja é mais lucrativo. “Acho que a caneta da Dilma teria que ser usada em coisas mais estruturais, como melhorar a logística nas áreas de produção do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Também seria importante uma reforma tributária para resolver as demoras na devolução de créditos tributários”, apontou.

Um ponto positivo por ele ressaltado na conjuntura do mercado internacional é que a Organização Internacional para a Padronização – entidade responsável pelas normas ISO – tem trabalhado para tentar unificar as normas vigentes de sustentabilidade para os biocombustíveis, de forma a evitar que cada produtor precise de múltiplas certificações para atuar no mercado internacional. “Mas essa ainda é uma questão em desenvolvimento”, comentou.

Marcelo Pereira discordou do prognóstico de Cunha, de que seria mais vantajoso exportar óleo de soja no lugar do biodiesel. Embora admita que o representante do MDIC tenha razão considerando-se apenas os preços atuais, ele disse que é preciso olhar as interações entre os mercados. Se o cenário incluir um aumento na demanda de farelo, os volumes adicionais de óleo podem ter um impacto negativo nos preços do óleo exportado. Dessa forma, desviar parte desse óleo adicional para a produção de biodiesel poderia manter os preços.

Cunha reconheceu que existe mesmo uma série de fatores adicionais que precisam ser pensados e que antes da chegada do biodiesel, o óleo de soja vinha enfrentando sérios problemas de inserção comercial. “O mercado de proteína vinha crescendo mais rapidamente que o de óleo. Então, a situação pode mudar rapidamente. Não faz sentido o biodiesel valer menos no mercado de exportação do que o óleo vegetal. O mercado não está operando em condições normais”, concluiu.

Apesar de tudo, Cunha também garantiu que o Brasil está “só a poucos reais de começar a exportar” e que o preço internacional do biodiesel não deverá se manter nos patamares atuais em função das recentes mudanças na política da Argentina. E garantiu que o Brasil pode exportar bastante biodiesel. “O cálculo mais simples seria pegar o volume de óleo de soja que exportamos hoje e transformar isso em biodiesel. Poderíamos exportar alguns bilhões de litros sem mudar nada. A grande questão é se o mercado europeu absorveria esse volume todo”, completou.

Miguel Angelo retomou a palavra e questionou Silvio Rangel sobre como o biodiesel poderia ficar mais barato. O empresário respondeu que o aumento de escala do setor já contribuiria para essa redução e que ela poderia ser acompanhada de desonerações fiscais. Joaquim Guilhoto também apontou que qualquer coisa que reduza os preços pode ajudar, mas que é preciso ter equilíbrio nas ações para que a redução em uma região não acabe levando a aumentos em outras.

Guilhoto acredita que seria possível ir para o B7 “rapidinho”, porque o empresariado brasileiro responderia aos incentivos. “Se houvesse uma sinalização, acho que a economia brasileira atenderia. Em toda a sua história, o mercado agrícola sempre teve atenção às demandas”, disse. Ele acrescentou que trocar a exportação de soja por produtos de maior valor agregado teria efeitos positivos. Sem contar que um aumento no processamento de soja em território nacional poderia melhorar a competitividade brasileira no mercado de proteínas animais. Ainda segundo Guilhoto, o aumento da mistura poderia incentivar o adensamento tecnológico da agricultura brasileira. “Não só na agricultura comercial, mas também na familiar, porque é assim que a gente vai conseguir gerar renda”, complementou.

Marcelo Pereira declarou ter poucas dúvidas de que o Brasil tenha condições de atender à demanda dos produtores e chegar ao B20 ainda em 2020. “O mais importante para isso seria um calendário de planejamento”, disse. Um dos grandes pecados brasileiros, avaliou, tem sido alternar períodos de grande entusiasmo e investimentos nos biocombustíveis com períodos de quase depressão. “O B20 é realmente um volume muito grande, que não dá para atender com rendimentos de 500 ou 600 litros por hectare, mas essa é uma oportunidade para o setor agrícola porque temos capacidade de expandir a palma”, arrematou.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com

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