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[BiodieselBR 2013] A visão de quem controla a bomba


BiodieselBR.com - 08 out 2013 - 15:16 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53

O assunto “mistura obrigatória” deve dominar boa parte da Conferência BiodieselBR 2013. Mesmo nas palestras em que a questão não é central, será quase que inevitável. Este é o caso do presidente da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis), Paulo Miranda, que apresentará a palestra “A real situação dos postos com o biodiesel” no primeiro dia de evento.

Ciente disso, ele já engatou uma abordagem sobre o assunto, na qual irá explicar porque a entidade se manifesta contrária à proposta. 

Segundo Miranda, depois de atenuados os problemas com B5 “graças a redobrados cuidados dos postos com o manuseio e a limpeza dos equipamentos”, o desafio agora consiste em amenizar os contratempos enfrentados com a introdução do diesel S10 no mercado. 

“O S10 é o diesel mais vulnerável a sofrer alterações em sua composição porque tem menos enxofre se comparado aos S500 e S1800. Não combate com eficácia a proliferação de microorganismos, um dos principais problemas do biodiesel”, expõe o presidente da Fecombustíveis.

Miranda revela ainda que o acordo firmado entre a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e as distribuidoras, na ocasião do ingresso do S10 no mercado, não está sendo respeitado. “As distribuidoras deveriam segregar os caminhões-tanques que transportam S10, mas isso, na prática, não tem acontecido”, afirma. 

Dor de cabeça
O fato do diesel com baixo teor de enxofre ser mais suscetível a contaminações e do biodiesel também ser sujeito ao mesmo problema, por si só, já tornam essa mistura “explosiva”. Um aumento nessa mistura, então, seria algo bem complicado de os postos lidarem, segundo o presidente da Fecombustíveis.

“Uma maior adição de biodiesel ao diesel poderá gerar uma grande dor de cabeça para a revenda, pois favorecerá a formação de borras nos tanques e a proliferação de bactérias, além de ocasionar danos aos veículos”, diz Miranda. 

Qualidade
Mas a entrada da resolução da ANP (nº 14/2012), que endureceu diversos aspectos da especificação do biodiesel, entre eles, o teor de água, não estaria ajudando a contornar esses problemas de qualidade do biodiesel? “Se for relacionado à redução do teor de água, a tendência é melhorar”, restringe-se a dizer o presidente da Fecombustíveis.

Cátia Franco – BiodieselBR.com