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Biodiesel, um setor de energia


BiodieselBR.com - 31 out 2012 - 15:56 - Última atualização em: 01 nov 2012 - 17:52
adriano piresSócio-fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), o economista Adriano Pires foi o responsável pela apresentação “Biodiesel: um setor de energia” na Conferência BiodieselBR 2012. Ele explorou informações sobre a situação da matriz energética brasileira e o papel que o biodiesel desempenha nela.

Pires começou destacando o nível das palestras que precederam a sua. “Aprendi muita coisa, pude ver que o setor está ativo e conheci as opiniões do governo”, elogiou. Dados trazidos pelo palestrante indicam que o Brasil tem uma matriz energética bem mais limpa que a média dos demais países. Enquanto 44,1% da energia consumida no Brasil vem de fontes renováveis, a média mundial é de parcos 13%. Esse não foi um pioneirismo planejado desde os gabinetes de Brasília, no entanto. “Historicamente, o Brasil foi um país que tinha petróleo e por isso investimos muito em hidroeletricidade”, explicou. “Se o Pré-sal tivesse sido descoberto antes, nossa matriz seria bem mais suja.”

Segundo Pires, os biocombustíveis adquiriram grande peso na limpeza da matriz brasileira, especialmente depois do desenvolvimento do Proálcool no final dos anos 70. Contudo, Pires reclamou daquilo que apelidou de políticas “stop & go” do governo brasileiro. “Esse é o motivo dos biocombustíveis não terem uma participação mais bem estruturada”, criticou.

“O álcool foi introduzido para resolver um problema na balança de pagamentos causado pela crise do petróleo. Aí o preço do petróleo caiu e esqueceram do álcool”, relatou. Quando o petróleo voltou a apresentar cotações recordes, a partir de meados da década de 1990, foi preciso praticamente reestruturar todo o programa brasileiro de biocombustíveis. “Foi só então que o Brasil voltou, ressuscitou o álcool e lançou o biodiesel durante o primeiro mandato do ex-presidente Lula”, relembrou.

O caráter transitório dado a políticas que demandariam continuidade é o principal problema apontado pelo palestrante. E o problema ainda não foi superado. “Há poucos anos, a expressão corrente é que seríamos a Arábia Saudita Verde. Em 2008 veio a crise financeira, causada pela falência do [banco norte- americano] Lehman Brothers, e descobrimos o Pré-sal. Viramos o país do petróleo e deixamos os biocombustíveis um pouco de lado”, contou Pires.

A bem da verdade, Pires reconhece que o Brasil não foi o único país onde a crise financeira, associada a novas descobertas de recursos fósseis, empurrou os biocombustíveis para mais tarde. Segundo ele, os Estados Unidos estão vivendo uma verdadeira revolução do gás natural graças a novas técnicas de extração que permitiram a exploração do chamado shale gas(ou gás de xisto) a preços extremamente baixos. “Já se fala em deixar as energias alternativas para depois”, criticou.

Diversidade

O Brasil tem uma grande diversidade de fontes de energia: grandes recursos hidroelétricos, ventos no Nordeste, petróleo e grande capacidade de produção de biomassa. Por isso, o país não pode se dar ao luxo de ignorar essa riqueza para se concentrar em apenas uma fonte de energia. “O mais difícil a gente tem, que é a energia. O que nos falta é uma política pública. O Brasil tem uma cultura da ‘energia da vez’. Acho isso uma pena, porque não olhamos para a diversidade e não aproveitamos essa que seria uma enorme vantagem comparativa”, analisou Pires.

Outro problema tem sido a insistência em subsidiar as fontes fósseis que têm escala e maturidade tecnológica enquanto os biocombustíveis são deixados por conta própria no mercado. “A política de subsídios aos derivados de petróleo causa prejuízos para a Petrobras e inviabiliza a competição com o etanol e o biodiesel. Não tem como competir com algo subsidiado”, criticou.

O palestrante não se surpreende que os preços do biodiesel ainda sejam significativamente mais caros que os do diesel de petróleo, uma vez que o primeiro ainda está no começo de sua curva de aprendizado. Por isso, recomendou que o governo dê um “horizonte de previsibilidade para a indústria”. “O governo precisa garantir rentabilidade aos empresários para que eles garantam o abastecimento. Caso contrário, o empresariado vai decidir investir em outro setor”, advertiu, acrescentando que, em sua opinião, o governo já deveria ter assinalado os próximos passos em relação ao biodiesel. “Claro que os empresários têm que dar alguma contrapartida para a sociedade, mas tem que dar previsibilidade”, completou.

Política

Um dos grandes problemas, na opinião de Adriano Pires, está no fato de que o “setor de energia brasileiro sempre foi muito contaminado pela política”. “A intervenção governamental não deixa os agentes de mercado interagirem entre si para encontrar as melhores condições de funcionamento por conta própria”, julgou. “A gente tem a energia, mas precisamos que o governo seja mais modesto e dê mais liberdade ao mercado. Se ficar mexendo muito no mercado você pode acabar com projetos importantes para o país.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com

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