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Biodiesel na América do Sul


BiodieselBR.com - 31 out 2012 - 15:56 - Última atualização em: 31 out 2012 - 18:28
paulo maia
Executivo da gigante alemã do ramo químico Basf, Paulo Maia Barbosa apresentou ao público da Conferência BiodieselBR 2012 a palestra “Visão estratégica do biodiesel para a América do Sul”. Ele compartilhou um pouco das informações que a multinacional possui sobre o segmento de biodiesel no continente sul-americano.

De acordo com o palestrante, no passado o Brasil tinha um sério problema de baixa autoestima, mas conseguiu montar um modelo para o biodiesel que, nas suas palavras, “deu um baile na Europa, Argentina e Estados Unidos”. “O programa brasileiro não foi pensado de uma forma unidimensional. Na Europa a questão foi ambiental, na Argentina foi econômica. Aqui ele foi feito para tudo isso e tem uma base de stakeholders muito grande, com apoio muito grande. E estamos aqui discutindo como ampliar esse modelo. Isso me dá orgulho”, animou-se.

Ele reconheceu que em 2012 o programa brasileiro atingiu um ponto de inflexão e apresentou até uma pequena queda na produção durante o primeiro semestre, mas acredita que a situação deverá se normalizar e o ano deverá fechar com uma performance igual à de 2011. “Teremos uma produção total aqui na América Latina um pouco inferior à do ano passado, mas ela vai ser recuperar em 2013. Essa é uma indústria saudável”, avaliou.

De acordo com projeções elaboradas pela equipe da Basf, a produção continental de biodiesel deve fechar o ano com 5,2 bilhões de litros fabricados – contra 5,4 bilhões em 2011. Contudo, a expectativa é que a produção anual em 2020 seja, na estimativa mais conservadora, de 10 bilhões de litros – um crescimento de quase 100% em menos de oito anos.

Também há boas perspectivas de crescimento do biodiesel nos Estados Unidos, onde a Agência de Proteção Ambiental do governo norte-americano acaba de anunciar um aumento na cota de produção de biodiesel para 4,85 bilhões de litros em 2013. Isso deve recolocar a indústria norte-americana em rota de crescimento.

Já na Europa a situação parece um tanto mais nebulosa, com a Comissão Europeia estudando propostas para limitar o volume de biocombustíveis fabricados a partir de produtos agrícolas no setor de transportes a 5% do volume – a meta original era de 10% até 2020. Volumes maiores do que esses só seriam possíveis com o desenvolvimento dos chamados biocombustíveis de chamada 2ª geração, que utilizam matérias-primas não convencionais.

Segundo Barbosa, um dos nós que precisarão ser desatados é o desenvolvimento de matérias-primas alternativas que possam reduzir a atual onda de oposição ao biodiesel, que vê nesse biocombustível um dos culpados pela alta no preço internacional dos alimentos. Mas, apesar dos desafios, o executivo considera que as perspectivas são positivas, e não tem dúvidas das vantagens do biodiesel. “Ele gera muito emprego industrial, sem contar a agricultura familiar, que é algo muito importante para o governo brasileiro.

Também substitui parte do diesel importado”, disse, lembrando que o preço do biodiesel não seria tão desfavorável se o preço do diesel no Brasil fosse compatível com os valores internacionais.

Ele também espera que a questão ambiental, que ainda é muito latente, ganhe mais relevância nos grandes centros urbanos em função da preocupação com a poluição atmosférica.

Por todos esses motivos, a percepção dentro da Basf é de que o biodiesel seja um mercado com grande potencial de crescimento, o que levou a companhia a fazer investimentos importantes para construir uma fábrica de metilato de sódio no Brasil. “Ela entrou em operação no final do ano passado. A primeira batelada já saiu dentro da especificação e chegamos a 100% de rodução no primeiro mês”, informou.

“O biodiesel deveria dar orgulho para os brasileiros. Foi algo muito bem pensado, não só pelo governo, mas também pelos empresários”, finalizou.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com

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