A confirmação de que o cronograma de aumentos da mistura obrigatória será seguido deve aumentar o interesse de investidores no setor de biodiesel
O edital do 71º leilão de biodiesel da ANP trouxe o melhor presente de começo de ano que o setor produtivo de biodiesel poderia esperar. A estreia do B12 foi confirmada para o dia 01 de março de 2020. Apesar de estar no cronograma do CNPE, a ANP não havia confirmado o incremento. Em meados de novembro, durante a Conferência BiodieselBR, o diretor da agência, Aurélio Amaral foi questionado diretamente sobre o assunto e não respondeu de forma assertiva.
O edital do 71º leilão de biodiesel da ANP trouxe o melhor presente de começo de ano que o setor produtivo de biodiesel poderia esperar. A estreia do B12 foi confirmada para o dia 01 de março de 2020. Apesar de estar no cronograma do CNPE, a ANP não havia confirmado o incremento. Em meados de novembro, durante a Conferência BiodieselBR, o diretor da agência, Aurélio Amaral foi questionado diretamente sobre o assunto e não respondeu de forma assertiva.
E a oficialização do B12 tem impactos muito maiores que simplesmente o aumento de um ponto percentual no teor de biodiesel no diesel. Essa medida confirma também que serão seguidos os demais incrementos previstos pelo CNPE – B13 em março de 2021, B14 em março de 2022 e B15 em março de 2023. Com isso, a demanda de biodiesel em leilões que foi de 6 bilhões de litros em 2019 deverá ir para perto de 9,4 bilhões de litros em 2023. Já considerando um crescimento linear de 2% no consumo de diesel até lá.
Agora, com a certeza de que as novas misturas serão aplicadas, os investidores mais cautelosos devem voltar a olhar com mais interesse para a produção de biodiesel. Já temos visto novas usinas e ampliações acontecendo em um ritmo que não se via há quase 10 anos – encerramos a cobertura de 2019 e abrimos a de 2020 com notícias de ampliações –, mas com o crescimento de mais de 50% na demanda garantido, o ritmo tem tudo para acelerar.
A capacidade nominal de produção de biodiesel no Brasil está em 9,3 bilhões de litros, desse total, 8,9 bilhões de litros são de usinas que se habilitam regularmente para os leilões de biodiesel. E a oferta de biodiesel tem ficado entre 80% e 87% da capacidade habilitada. Pode até parecer que a capacidade de produção e a demanda com B15 estão próximas, mas na prática estão bem distantes.
Para haver segurança no abastecimento e um mínimo de competição, a capacidade de produção tem que ser pelo menos 20% maior do que a demanda. Ou seja, para a demanda de 9,4 bilhões de litros prevista com o B15, seria necessária uma capacidade de oferta de aproximadamente 11,3 bilhões de litros anuais. Para atingir esse volume o setor precisaria de mais 2,38 bilhões de litros em capacidade de produção de biodiesel.
Só os projetos de ampliação e construção que já se encontram em andamento irão acrescentar ao setor mais 3 bilhões de litros de capacidade produtiva. Esses projetos ainda devem demorar até dois anos para serem finalizados e estarão todos prontos para quando o B14 chegar.
Para L71 a demanda de biodiesel deve ficar entre 1.220 e 1.250 mil m³. A capacidade de oferta deve ficar acima de 1.500 mil m³. A dúvida está em quanto dessa capacidade de oferta deve ser efetivamente ofertada. Se as usinas ofertarem 85% da capacidade inscrita, o leilão terá cerca 1.292 mil m³ disponíveis. Suficiente para atender a demanda do bimestre e garantir boas margens para as usinas. Se a oferta for de 80% da capacidade habilitada, o total ficará em 1.216 mil m³, um número abaixo do que as distribuidoras devem comprar para o segundo bimestre do ano.
Passado o primeiro leilão do B12 sem problemas e com toda essa perspectiva acima em desenvolvimento é inevitável que o setor volte a pedir novos aumentos de mistura. No contexto de aquecimento global, necessidade de diminuição das emissões de carbono e de geração de empregos, o aumento do uso de biodiesel é plenamente justificado. Mas o setor poderia aproveitar esse ano para avançar em outras frentes que têm sido negligenciadas nos últimos anos.
O setor de biodiesel foi construído há mais de 15 anos sob algumas ideias e premissas que não valem mais. É a hora de rever tudo o que foi feito e avaliar o que serve e o que não serve para um setor que quer produzir em menos de 10 anos 20% de todo o diesel consumido no Brasil.
Miguel Angelo Vedana – BiodieselBR.com