BiodieselBR
Publicidade

Explosão do Biodiesel: setor terá maior ciclo de expansão de sua história

A capacidade de produção de biodiesel no Brasil sairá de 9,3 bilhões de litros para quase 12 bilhões de litros dentro dos próximos meses.

BiodieselBR.com 9 min de leitura

A necessidade de um leilão complementar neste mês deixou muita gente preocupada. O medo é que simplesmente não exista capacidade produtiva suficiente para atender a demanda de B11 a B15 que está estabelecida no Brasil. A ANP já fala, inclusive, em rever regras do leilão para minimizar o problema.

Contudo, esse problema é passageiro e deve se repetir por – talvez – mais um ou dois leilões. Depois disso, o mercado de combustíveis vai começar a ser inundado com capacidade nova e ao final de 2020, a relação entre oferta e demanda deverá estar nos mesmos níveis que se encontrava antes da chegada do B11.

Essas afirmações não são apenas conjecturas para acalmar os ânimos. Elas se baseiam nos pedidos de construção e ampliação de usinas de biodiesel que já se encontram devidamente protocolados junto à ANP.

Até a última sexta-feira (13), havia na ANP um total de 8 pedidos de construção de novas usinas e mais 9 ampliações de unidades existentes. Essas usinas irão trazer ao setor de biodiesel perto de 2,78 bilhões de litros de biodiesel em capacidade de produção adicional. É o maior salto de capacidade produtiva que o setor de biodiesel já viu nos seus 15 anos de existência.

A necessidade de um leilão complementar neste mês deixou muita gente preocupada. O medo é que simplesmente não exista capacidade produtiva suficiente para atender a demanda de B11 a B15 que está estabelecida no Brasil. A ANP já fala, inclusive, em rever regras do leilão para minimizar o problema.

Contudo, esse problema é passageiro e deve se repetir por – talvez – mais um ou dois leilões. Depois disso, o mercado de combustíveis vai começar a ser inundado com capacidade nova e ao final de 2020, a relação entre oferta e demanda deverá estar nos mesmos níveis que se encontrava antes da chegada do B11.

Essas afirmações não são apenas conjecturas para acalmar os ânimos. Elas se baseiam nos pedidos de construção e ampliação de usinas de biodiesel que já se encontram devidamente protocolados junto à ANP.

Até a última sexta-feira (13), havia na ANP um total de 8 pedidos de construção de novas usinas e mais 9 ampliações de unidades existentes. Essas usinas irão trazer ao setor de biodiesel perto de 2,78 bilhões de litros de biodiesel em capacidade de produção adicional. É o maior salto de capacidade produtiva que o setor de biodiesel já viu nos seus 15 anos de existência.

Nos parágrafos abaixo você saberá quais são essas novas usinas que estão sendo construídas e onde estão localizadas; e quais das usinas existentes estão expandindo.

Novas usinas

Na lista da ANP constam 8 usinas em processo de construção. Quando estiverem prontas, elas vão agregar um pouco mais que 1,45 bilhões de litros a capacidade de produção de biodiesel do Brasil. Destas, algumas já são bem conhecidas do mercado.

Uma delas é a Olfar que comprou o que restava da unidade de Porangatu (GO) que pertencia a Bionasa. Sob o comando da Olfar, a usina terá capacidade para produzir 648 mil m³ por ano.

Outra usina já conhecida do mercado é FRCB. Localizada em Várzea Grande (MT). Ela terá capacidade para produzir 432 mil m³ por ano, o que a colocaria entre as cinco maiores do mercado. Mas, além de estar em obras desde o começo de 2016, a planta não finalizada se contra a venda. Segundo BiodieselBR.com apurou, a planta está sendo oferecida ao mercado por R$ 550 milhões e chegou a ser visitada por alguns empresários do setor.

A Amazonbio também está construindo mais uma usina. Dessa vez na cidade de Manaus (AM). A capacidade da usina é de 36 mil m³, algo pequeno quando comparado aos outros projetos.

A Biofuga também está partindo para sua segunda usina. A cidade escolhida para receber uma usina de 108 mil m³ é a cidade de Jales (SP). A Fuga Couros já conta com uma unidade industrial no local e a usina deverá aproveitar o sebo da unidade e da região.

Dentre as empresas ainda não conhecidas pelo setor, a maior usina em construção pertence a União Indústria e Comércio de Biocombustível. A empresa informou a ANP que irá construir em Santo Antônio do Tauá (PA) uma usina de 180 mil m³.

As outras empresas que estão entrando no mercado de biodiesel são: Agropaulo Agroindustrial S.A (18 mil m³).; Bionorte Indústria e Comércio de Biodiesel Ltda. (34,1 mil m³); e Cereal Comércio Exportação e Representação Agropecuária S.A. (não declarado).

Na lista atual não aparece ainda com o nome da JBS que anunciou a construção de sua terceira usina em Santa Catarina, bem como deixa de fora outras novas usinas de empresas que já contam com pelo menos uma usina de biodiesel. Ou seja, o número de novas usinas deve crescer ainda mais nos próximos meses.

20190925 ExplosaoNovo 01

Usinas em ampliação

Se ter 8 novas usinas no mercado já é algo que não se via desde os primeiros anos do setor, ter ainda 9 usinas em ampliação é algo sem precedentes. As ampliações vão trazer uma capacidade extra para o setor de 1,32 bilhão de litros.

Para se ter uma ideia do quão significativa será essa série de ampliações, essas 9 usinas têm hoje uma capacidade de 1,85 bilhão de litros e as ampliações representam um acréscimo de 71,3% nessa capacidade.

As usinas brasileiras devem ostentar alguns números impressionantes de capacidade instalada. Embora a lista divulgada pela ANP ainda não mostre, a unidade da Potencial em Lapa (PR) caminha para se tornar a maior usina de biodiesel do Brasil, com uma capacidade instalada de aproximadamente 900 mil m³.

Outras usinas também estão desenvolvendo com projetos de expansão ambiciosos. Tanto a BSBios de Passo Fundo quanto a Olfar de Erechim devem avançar com força sobre o mercado do Rio Grande do Sul. A BSBios está ampliando sua unidade gaúcha para 414 mil m³, aumento de 44% sobre o potencial produtivo atual. Já a Olfar vai dobrar sua planta atingindo a marca de 432 milhões de litros.

A Olfar vai ainda ampliar sua usina localizada no estado do Rio de Janeiro em cerca de 89%, saindo de 162 mil m³ para 306 mil m³ por ano.

E o Rio Grande do Sul ainda conta com a ampliação da usina da 3Tentos que vai adicionar 126 mil m³ de capacidade de produção em sua usina. Com isso sua capacidade produção vai saltar de 180 mil m³ para 306 mil m³ por ano.

Única multinacional a figurar na lista da ANP, usina da Cargill de Três Lagoas fará uma expansão de 23% elevando sua capacidade de produção dos atuais 252 mil m³ para 309,6 mil m³ por ano.

Dentre as surpresas está a ampliação das duas usinas da Petrobras. As usinas que estavam a venda durante o governo Temer, parecem estar sobrevivendo ao facão privatizador do governo Bolsonaro e estão recebendo novos investimentos. A usina de Candeias (BA) vai ficar com 304,3 mil m³ de capacidade produtiva, uma expansão de 40% sobre os atuais 217,2 mil m³. A usina da PBio de Minas Gerais vai crescer 9,7%, indo de 152,2 mil m³ para 167 mil m³.

E finalizando as expansões, a Cooperfeliz vai aumentar em 10 vezes sua capacidade de produção. Vai sair de 3,6 mil m³ para 36 mil m³.

20190925 ExplosaoNovo 02

Capacidade de produção dos estados

Todas essas ampliações farão com que a capacidade de produção dos estados dê um salto.

O Rio Grande do Sul vai continuar liderando o mercado, passando de uma capacidade de produção de 2,42 para 2,89 bilhões de litros. Esse volume representa um crescimento de 19,3% na capacidade de produção do estado. Percentualmente, no entanto, a participação das usinas gaúchas no parque brasileiro cairá dos atuais 26,6% para 24,3%.

O segundo estado continuará sendo o Mato Grosso, mas o estado perderá uma fatia do mercado. Hoje, as usinas mato-grossenses representam 23,9% da capacidade de produção de biodiesel do Brasil, mas esse percentual deve recuar para 22,2%. E isso considerando que a FRCB entrará em funcionamento. Sem ela a única ampliação do estado será a da Cooperfeliz.

A terceira posição segue com Goiás, que aumentará sua capacidade produtiva em 54,1%. Dos atuais 13,8% do mercando total, o estado passará a ter e passará a representar 16,3%.

20190925 ExplosaoNovo 03

20190925 ExplosaoNovo 04

20190925 ExplosaoNovo 05

A capacidade regional

Todas as regiões terão aumento em suas capacidades produtivas. Quem mais irá crescer percentualmente é o Norte, que aumentará em 61,8% sua capacidade de produção. A região sairá dos atuais 349,6 mil m³ para 565,6 mil m³.

Em termos de volume é a Região Centro-Oeste que se sobressai. Serão adicionados à capacidade de produção da região 1,2 bilhão de litros, um volume 30,8% maior que o atual. Boa parte desse aumento de capacidade vem da construção de novas usinas de biodiesel.

Já a Região Sul é a que tem maior volume em ampliações. Usinas já existentes aumentarão sua capacidade em 985,3 milhares m³, uma expansão de 28,9%.

20190925 ExplosaoNovo 06

20190925 ExplosaoNovo 07

A resposta do setor produtivo

O gráfico abaixo mostra a ampliação da capacidade produtiva ano a ano. Vejam como o setor nunca deu um salto de mais de 2,5 bilhões de litros em um único ano. A única vez em que a indústria teve um crescimento comparável foi em 2007 quando 2,34 bilhões de litros em capacidade nova entraram no mercado.

20190925 ExplosaoNovo 08

Os números apresentados mostram a capacidade de rápida reação do setor. Assim que foram definidos os horizontes de longo prazo, os empresários mostraram a vontade de ampliar suas usinas.

O problema com o leilão de biodiesel é pontual, porque o setor não imaginava que as distribuidoras queriam tanto usar mais biodiesel. Foram anos de discussões para travar o aumento da mistura e quando foi dado a opção de usar mais biodiesel, as distribuidoras vieram com vontade.

O preço do biodiesel deve se manter em um patamar mais elevado por mais um ou dois leilões, mas assim que essa nova leva capacidade começar a participar dos leilões, a demanda de B15 vai ser pequena para elevar os preços.

Podem começar a se preparar para os pedidos de aumento da mistura para B20.

Miguel Angelo Vedana – BiodieselBR.com

Compartilhar: