Empresa deve completar ampliação de sua usina em Lapa (PR) até o final do primeiro semestre de 2020
Se nada de mais dramático acontecer até lá, por volta de meados do ano que vem a indústria nacional de biodiesel terá um novo líder: a Potencial Biodiesel. Em junho próximo o grupo empresarial – que acaba de fazer 25 anos – espera completar uma nova rodada de ampliação de sua usina em Lapa (PR), que fará sua capacidade instalada atingir impressionantes 900 milhões de litros ao ano. Um salto de quase duas vezes e meia sobre os já robustos 382,7 milhões de litros de sua planta atual.
Se nada de mais dramático acontecer até lá, por volta de meados do ano que vem a indústria nacional de biodiesel terá um novo líder: a Potencial Biodiesel. Em junho próximo o grupo empresarial – que acaba de fazer 25 anos – espera completar uma nova rodada de ampliação de sua usina em Lapa (PR), que fará sua capacidade instalada atingir impressionantes 900 milhões de litros ao ano. Um salto de quase duas vezes e meia sobre os já robustos 382,7 milhões de litros de sua planta atual.
A nova planta deve deixar as concorrentes comendo poeira. Atualmente, maior usina de biodiesel do país é a Granol de Anápolis que, desde sua última ampliação em maio de 2017, consegue fabricar até 558 milhões de litros por ano.
Além do topo do pódio entre as usinas, a Potencial Biodiesel também passará a ocupar a vice-liderança no ranking dos grupos empresarias do setor. Ela será superada apenas pela Granol, cujas três usinas – Anápolis (GO), Cachoeira do Sul (RS) e Porto Nacional (TO) – têm capacidade instalada equivalente a 1,18 bilhão de litros.
Com a ampliação, a produção de biodiesel deverá passar a representar 30% do faturamento do grupo. Atualmente, essa fatia é de cerca de 20%. No ano passado, a renda da empresa no setor de biodiesel passou dos R$ 943,3 milhões para uma produção de 326,6 milhões de litros.
Maturação
Segundo o diretor superintendente da empresa, Luiz José Meira, contou à BiodieselBR.com em entrevista recente; a nova posição da Potencial Biodiesel vai coroar quase cinco anos de trabalho. “Essa ampliação está em nosso planejamento estratégico. Desde 2015 estamos trabalhando para atingir essa meta que, hoje, está prestes a se tornar realidade”, diz o executivo. Os projetos da ampliação estão todos concluídos e que os equipamentos da nova unidade já se encontram em fase de produção pelos fornecedores que incluem Crown Iron a Alfa Laval e a Desmet Ballestra.
O investimento total – entre novos equipamentos, obras e aumento do capital de giro – será de R$ 300 milhões. A maior parte em recursos do próprio grupo. “Trabalhar com capital próprio é uma característica do Grupo Potencial. Não somos adeptos de aumentar muito o endividamento, preferimos crescer em passo mais lento, mas de forma mais robusta”, avalia o executivo.
Embora vá ser instalada no mesmo site industrial que a empresa já ocupa na cidade de Lapa, é quase uma nova usina.
Inaugurada em fevereiro de 2013, a planta atual já passou por outras duas ampliações e já atingiu a capacidade máxima que poderia. “Já fizemos vários upgrades. Não temos mais onde ampliar a unidade atual”, explica Meira. A solução foi agregar uma segunda unidade de transesterificação em paralelo, com capacidade para fabricar 540 milhões de litros.
Serão gêmeas siamesas. Segundo Meira, todo o sistema de pré-tratamento de matérias-primas que alimentará as duas usinas, de controle e automação e os demais sistemas periféricos serão compartilhados entre as duas. Tanto que a planta atual precisará paralisar sua produção para que todo o novo maquinário seja ligado.
Verticalização
A Potencial Biodiesel é um caso bastante raro entre as empresas que ocupam o topo do setor de biodiesel.
Enquanto a maioria surgiu a partir de grupos empresariais com atuação no setor de agronegócios, especialmente o de processamento de soja, a Potencial Biocombustível tem raízes no setor de distribuição. Ela surgiu a partir da Potencial Petróleo, empresa foi fundada em 1994 para distribuir combustíveis a partir de Araucária (PR).
Por causa dessa origem, a Potencial Biodiesel é uma das poucas grandes usinas brasileiras que não contam com capacidade própria de esmagamento. Não que a empresa descarte totalmente a ideia. “Mas ainda não achamos necessário”, explica Luiz Meira. “Em nosso planejamento original, tínhamos a ideia de partir para uma esmagadora; durante o andar do processo, no entanto, acabamos achando mais interessante focar nossos investimentos no biodiesel”, prossegue acrescentando que a esmagadora continua no radar da empresa.
Ir num outro sentido e tentar integrar as operações de biodiesel e distribuição não atrai a empresa. “Desde que iniciamos o projeto de biodiesel decidimos que seriam negócios distintos. A Potencial Petróleo tem qualquer relacionamento especial com a Potencial Biodiesel. A distribuidora não nos dá qualquer tratamento diferenciado nos leilões. Eu tenho o meu preço e eles compram se for vantajoso”.
Glicerina
Se ainda não há planos de avançar cadeia acima, cadeia abaixo a história é diferente. No rastro da ampliação da planta de biodiesel, os negócios na área de destilação de glicerina também deverão receber novos investimentos.
Desde junho do ano passado, a empresa conta com uma refinaria que transforma a glicerina bruta gerada como coproduto do processo de fabricação do biodiesel e a transforma em glicerina destilada de alto valor agregado. A unidade atual tem capacidade para processar até 45 mil toneladas ao ano. Hoje, dois terços da glicerina que processamos vêm de nossa própria usina e o restante é comprado no mercado. Com a ampliação, a empresa deverá, ao menos inicialmente, processar apenas glicerina própria.
Isso até que a refinaria receba sua ampliação. “Ainda estamos trabalhando nesse projeto, então não tenho todos os detalhes. Nós vamos ampliar a refinaria [de glicerina] para que ela, no mínimo, absorva toda nossa produção. Ainda vamos avaliar se vale a pena ter capacidade extra para continuar comprando glicerina bruta no mercado”, antecipa.
Além dos investimentos em glicerina, a empresa também está se preparando para certificar sua produção na Política Nacional de Biocombustíveis (Renovabio). “Já começamos o processo”, adianta.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com