Biodiesel

Biocombustíveis fortalecem economia e reduzem emissão de gases


Jornal de Angola - 28 jul 2008 - 05:31 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:06

A produção e utilização de biocombustíveis trazem vantagens múltiplas, principalmente devido à redução considerável dos efeitos nocivos ao ambiente, ao contrário de outro tipo de combustíveis. Para além de constituir um valor acrescentado para a economia de qualquer país que enverede pela via da industrialização desse tipo de combustível.

O especialista brasileiro em biocombustíveis, Nelson Furtado, avançou no dia 22 do mês em curso, durante uma conferência de alto nível realizada na Escola Nacional de Administração (ENAD), algumas dessas vantagens.

De entre elas, exemplificou o consumo equivalente ao gasóleo, o facto de ser mil vezes menos emissor de óxidos de enxofre, cinquenta por cento menos emissor de fumaça negra, 78% menos emissor de gases de efeito estufa, ter maior lubricidade, que aumenta a vida útil do motor, ser mais biodegradável do que o açúcar e menos venenoso do que o sal de cozinha.

Durante a sua apresentação, Nelson Furtado lembrou quais as matérias-primas utilizadas na produção de biocombustíveis e quantos litros de óleo se podem extrair por hectare. Por exemplo, a soja pode produzir 550 litros por hectare, a mamona 800 litros por igual espaço de terra, o babaçu/macaúbe dois mil a três mil litros, o coco dois mil a dois mil e quinhentos, o pinhão manso de quatro mil a cinco mil e quinhentos e o dendém de quatro mil e quinhentos a cinco mil e quinhentos litros.

O girassol, amendoim, gergelim, algodão, milho nabo forrageiro, resíduos da indústria, óleos de fritura, sebo ou gordura animal, são outros ‘ingredientes’ para a fabricação de biocombustíveis.

Quando sénior da Secretaria de Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro, Nelson Furtado centrou a sua apresentação ao que está a ser feito em termos de biocombustíveis naquele Estado brasileiro. Falando sobre os impactos do biocombustível, referiu que o mesmo permite a redução em 32% do consumo, equivalente a 6.4 milhões de m3 por ano e a 3,2 biliões de dólares anuais.

Outro impacto tem a ver com o seu uso em localidades isoladas e em equipamentos agrícolas como tractores e colheitadeiras, para além da sua utilização em motores para geração de energia eléctrica. Permite também a geração de empregos na zona rural.

O também coordenador do Programa RioBiodiesel referiu igualmente que o Brasil, no âmbito do planeamento estratégico, já dispõe de infra-estrutura instalada para a produção de etanol a preços competitivos, sendo que o desenvolvimento das tecnologias de produção privilegiam a iniciativa nacional.

Afirmou ainda que a sinergia entre as cadeias produtivas da soja e da cana-de-açucar apresentará resultados para o desenvolvimento da economia nacional e que a opção pela transesterificação etílica caracteriza o projecto como essencialmente nacional.