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Negócio

Solazyme investe em óleos renováveis


Valor Econômico - 22 nov 2011 - 06:47 - Última atualização em: 01 mar 2012 - 11:28

De olho no grande mercado consumidor brasileiro, a fabricante americana de óleos renováveis Solazyme iniciou estudos de engenharia para a construção de uma fábrica em Orindiúva, no interior de São Paulo. Em conjunto com a empresa de agronegócios Bunge, os investimentos deverão somar cerca de US$ 100 milhões para o desenvolvimento de uma capacidade de 100 mil toneladas métricas de óleo por ano.

Para o negócio, as empresas estão formando uma joint venture, que deverá ter seu acordo final assinado no início do ano que vem. “É um negócio importante para nós. O mercado brasileiro é bastante atraente e receberá nosso primeiro grande investimento nessa área”, afirmou ao Valor o presidente mundial da empresa, Jonathan Wolfson.

A unidade — que será construída junto à usina de açúcar e etanol Moema, da Bunge — deve entrar em operação até o fim de 2013. O tipo de óleo a ser produzido no local é chamado triglicerídeo, que substitui óleos convencionais, como os produzidos a partir de plantas e gordura animal. O produto tem aplicações em diversas indústrias: química, lubrificantes, petroquímica, alimentos e combustíveis. O foco da multinacional, no entanto, é produzir óleos para o segmento de aplicações químicas, para o mercado de consumo brasileiro.

Na parceria, a Solazyme provê a tecnologia para a fabricação dos óleos, enquanto a Bunge tem o complexo produtivo, o alcance comercial e a matéria-prima, no caso a cana-de-açúcar. A tecnologia da multinacional americana consiste na conversão de açúcares em óleos personalizáveis, com qualquer nível de saturação, pureza e tamanho da cadeia. O processo é feito com a ajuda de micro-organismos desenvolvidos para ter alto desempenho em tanques de fermentação.

“A partir de uma única matriz renovável conseguimos produzir esses óleos para muitas aplicações, usando os mesmo equipamentos, os mesmos investimentos”, explicou o executivo. Segundo ele, a tecnologia permite ainda que seja produzida uma maior quantidade de óleo com a mesma porção de insumo, quando se compara com os produtos feitos a partir da canola e da soja, por exemplo.

A Solazyme, deste modo, ganha maior acesso ao mercado brasileiro. A Bunge, por sua vez, poderá diversificar sua produção com a nova fábrica. “A infraestrutura que estamos construindo não é para uma única fábrica, e sim para múltiplas operações”, contou Wolfson. A meta da empresa é produzir 500 mil toneladas métricas do óleo até 2015.

Há alguns anos a estratégia da Solazyme vem sendo marcada pela formação de parcerias para suas operações. Em 2007, em seu primeiro acordo, a companhia se associou à Chevron para a produção de combustíveis e fluídos a partir de óleos renováveis. Em 2010, foram firmadas parcerias com a francesa Roquette, para a produção de óleos nutricionais, e com a Unilever, para o desenvolvimento de substitutos ao óleo de palma usado em alimentos e produtos de higiene e beleza.

A multinacional — que abriu seu capital nos EUA no início do ano —, no entanto, vem registrando prejuízos. Neste mês a empresa revelou perdas de US$ 14,1 milhões no terceiro trimestre, aumento frente ao resultado negativo de US$ 9 milhões no mesmo período de 2010. Segundo Wolfson, o balanço da companhia ainda é muito pressionado pelos investimentos em tecnologia, desenvolvimento de óleos e contratações de especialistas. “Nossos investidores sabem que o negócio exige muito investimento”, completou. A empresa deve encerrar 2011 com receita de US$ 40 milhões.

A Solazyme é uma empresa jovem, que nasceu em meados dos anos 90. Ainda estudantes da Universidade de Emory, na Geórgia, os fundadores — Wolfson e seu colega Harrison Dillon — elaboraram a ideia com foco em biotecnologia. No Brasil, a empresa pisou a primeira vez em 2007, quando uma equipe veio estudar o mercado. “Nos próximos anos poderemos colher nossos primeiros lucros, no negócio de cosméticos e de combustíveis”, garantiu o executivo.