Petróleo recua, após máxima de quatro anos por risco de escalada no Irã
Os contratos futuros do Brent inverteram o sinal nesta quinta-feira e passaram a operar em queda, devolvendo os ganhos iniciais após atingirem máxima em quatro anos. O movimento veio na esteira de notícias de que o presidente Donald Trump avalia novas opções militares contra o Irã.
O petróleo Brent para junho, referência internacional e para a Petrobras, recuava 0,50%, a US$ 109,88 por barril às 7 horas de Brasília, após ter alcançado o nível mais elevado desde março de 2022, período marcado pelo início da guerra entre Rússia e Ucrânia. O contrato com vencimento em junho expira nesta quinta-feira, o que também contribui para ajustes técnicos de posição.
Já o petróleo do Texas (WTI), referência nos EUA, com vencimento em junho, caía 0,72%, a US$ 106,07 por barril, refletindo dinâmica mais resiliente no benchmark americano.
Trump avalia novas opções militares contra o Irã
Segundo reportagem do Axios divulgada na noite de quarta-feira, Trump deve receber briefing nesta quinta-feira sobre possíveis ações militares adicionais envolvendo o Irã.
A apresentação será conduzida pelo comandante do U.S. Central Command, almirante Brad Cooper, e incluirá um leque de cenários operacionais.
Entre as alternativas em análise estão uma nova rodada de ataques ao território iraniano, operações para reabrir o tráfego comercial no Estreito de Ormuz e até uma ação de forças especiais para assumir o controle de estoques de urânio do país.
Essas opções estão sendo consideradas diante do impasse entre Washington e Teerã, após sucessivas tentativas frustradas de retomar negociações diplomáticas nas últimas semanas. Uma eventual retomada de ação militar tende a encerrar o cessar-fogo por prazo indeterminado entre as partes e pode desencadear retaliação por parte do Irã, elevando o grau de instabilidade no Oriente Médio.
O conflito entrou em seu terceiro mês consecutivo nesta quinta-feira, com fluxos pelo Estreito de Ormuz ainda bastante reduzidos após o bloqueio imposto pelo Irã no início da guerra. As cotações do petróleo seguem sustentadas por essas disrupções na oferta global.
Trump busca apoio internacional para reabrir Ormuz
Reportagem do Wall Street Journal indicou que Trump tem buscado apoio de outros países para formar uma coalizão internacional voltada à reabertura da rota marítima. O presidente tem reiterado apelos para que outras nações participem do esforço de desbloqueio de Ormuz. Ainda assim, aliados relevantes dos Estados Unidos têm demonstrado pouca disposição para envolvimento direto.
Nos primeiros momentos do conflito, Trump chegou a criticar membros da OTAN pela ausência de apoio militar aos EUA e a Israel. O petróleo chegou a perder força temporariamente após os Emirados Árabes Unidos anunciarem que deixarão a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) nesta semana, movimento que sugere potencial aumento de produção. Apesar disso, no curto prazo, a expectativa é de que o país não consiga ampliar a oferta de forma relevante, dadas as restrições operacionais decorrentes da guerra no Irã.
Scott Kanowsky – Investing.com


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