Bioquerosene

Ubrabio muda de nome e “lança” plataforma de bioquerosene


BiodieselBR.com - 22 jun 2012 - 17:57
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Aproveitando os holofotes da Rio+20 na última terça-feira (19), a Ubrabio realizou o lançamento da Plataforma Brasileira do Bioquerosene (PBB). O evento que contou com a presença de autoridades do governo federal e representantes da entidade foi realizado no Aeroporto Santos Dumont logo após a aterrissagem do Boeing 737 da Gol. A aeronave realizou um voo experimental usando bioquerosene de aviação feito de uma mistura de óleo não comestível de milho e de óleos e gorduras residuais.

O lançamento da plataforma em si talvez seja menos relevante para o setor de biodiesel do que a iniciativa representa para os rumos da Ubrabio. Sem fazer quase nenhum alarde para o fato, a entidade acrescentou o termo “bioquerosene” ao seu nome. Ubrabio agora significa: União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene.

Curiosamente, a discrição sobre a mudança é tanta que nem mesmo o site oficial da entidade faz menção a ela. Em entrevista por email à BiodieselBR, o presidente do conselho da Ubrabio, Juan Diego Ferrés, confirma a mudança no nome e acrescenta que o próprio estatuto foi modificado no sentido de “especificar novas ações”.

Com a medida, a Ubrabio tem um novo caminho aberto pela frente, apesar do processo de produção do bioquerosene ser diferente dos usados pelas usinas de biodiesel. O segmento é considerado extremamente promissor graças às metas assumidas pela International Air Transport Association (IATA). Principal órgão representativo da indústria de aviação no mundo, a IATA quer congelar o crescimento nas emissões do setor a partir de 2020. Além disso, a indústria terá até 2050 para cortar pela metade seus níveis de emissões, que hoje estão em 700 milhões de toneladas de CO2 ao ano – algo em torno de 2% das emissões globais.

Para chegar lá, a principal estratégia perseguida pela indústria é a troca dos combustíveis fósseis por renováveis. Ferrés destaca que só no Brasil foram consumidos pouco menos de 7 bilhões de litros de biquerosene e o setor de aviação no Brasil tem registrado forte expansão – o volume de passageiros cresceu 61% nos últimos três anos. “A meta da entidade é que, nos próximos 20 anos, a utilização do bioquerosene alcance 25% do total de combustível usado nos voos nacionais”, informa. Para chegar a tanto, a Ubrabio quer mobilizar a PBB na sensibilização do governo a fim de aprovar políticas públicas que deem sustentação à instalação dessa nova cadeia produtiva.

Fica a dúvida de como a Ubrabio pretende conciliar suas duas missões. Apesar do parentesco e de poderem ser fabricados a partir das mesmas matérias-primas, biodiesel e bioquerosene são resultados de processos industriais muito distintos. Ao contrário do primeiro, que é fabricado pelo processo de transesterificação, o bioquerosene demanda plantas industriais mais próximas do conceito de biorrefinaria, aptas a fabricar insumos para as indústrias químicas e de plástico e, inclusive, diesel renovável.

Lançamento?
Toda a comunicação a respeito do evento ressalta que a Plataforma é uma novidade que está sendo introduzida agora. No entanto, talvez fosse mais preciso chamar isso de “relançamento”. A verdade é que a Plataforma Brasileira do Bioquerosene existe desde abril de 2010.

Em maio daquele ano, representantes da plataforma chegaram até a fazer uma apresentação na 9ª reunião da Câmara Setorial de Oleaginosas e Biodiesel do Ministério da Agricultura. Na época, a iniciativa estava sendo liderada por uma empresa chamada Curcas Diesel Brasil, que atuava de forma bem próxima à Associação Brasileira dos Produtores de Pinhão Manso (ABPPM).

De acordo com diretor da Curcas e vice-presidente da ABPPM, Mike Lu, embora a PBB tenha sido mesmo anunciada há mais de dois anos, até agora ela era um conceito e só está saindo do papel graças a parceria com a Ubrabio. “Fizemos uma parceria com a Ubrabio para caminharmos juntos na implantação da Plataforma Brasileira de Bioquerosene, lançada agora como um projeto concreto, com começo, meio e fim para instalação da primeira cadeia de valor do bioquerosene no Brasil”, disse por email à BiodieselBR.

Outra das signatárias da PBB, a Gol também vai nessa mesma linha. Em declaração encaminhada através de sua assessoria de imprensa, a empresa informa que “o conceito da Plataforma Brasileira de Bioquerosene amadureceu com a integração de vários parceiros no decorrer destes últimos dois anos, sendo a última a Ubrabio, a qual modificou o seu estatuto para incorporar o segmento do bioquerosene”.

Em sua nova configuração, a PBB tem metas ambiciosas. Ainda de acordo com a declaração da Gol, o objetivo é reunir esforços para a implantação de cadeia de valor, a fim de “tornar o Brasil um grande produtor de bioquerosene e produtos químicos renováveis para atender a demanda doméstica e para exportação”.

Nos documentos elaborados pela Ubrabio para anunciar o lançamento da plataforma, duas ações estão descritas. Na primeira delas, a PBB será o braço nas Américas da Iniciativa Global de Bioquerosene, a qual pretende estruturar um fundo global para a pesquisa e desenvolvimento de biocombustíveis usados na aviação. Ferrés reconhece que o dinheiro para o fundo só virá numa segunda etapa. “Aguardamos uma definição de políticas e regras de uso para o bioquerosene para, então, estabelecer as regras desse fundo”, explica.

Agora a plataforma deverá conduzir o Programa Voando Verde, Dirigindo Verde, desenhado para disseminar o uso de biocombustíveis durante a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016.

Fábio Rodrigues - BiodieselBR.com