015

Expansão: biodiesel brasileiro versão 2010


BiodieselBR.com - 02 mai 2010 - 14:10 - Última atualização em: 20 jan 2012 - 10:52
Rosiane Correia de Freitas de Curitiba

Quer saber o futuro do biodiesel brasileiro em 2010? O melhor acesso a essa informação não está nem nos búzios, nem nas cartas, mas numa fonte bem mais prosaica, como o Diário Oficial da União de 14 de janeiro deste ano. Nessa edição, foi publicada uma série de autorizações para construção e ampliação de usinas em todo o país. E analisando esse documento é possível dizer algumas coisas importantes sobre o biodiesel para o ano que começa.

A primeira delas é que o clima é de otimismo geral. Só as autorizações para construção, ampliação e operação de usinas – e também para venda de combustível – concedidas no dia 14 de janeiro tratam de quase 400 milhões de litros/ano a mais de capacidade produtiva. Sem contar as que já foram concedidas anteriormente e as outras que estão na fila.

Do lado das empresas privadas, o investimento parece representar uma confiança no desenvolvimento cada vez mais rápido do programa de biodiesel. Até porque há algumas empresas que estão colocando dinheiro alto em seus novos negócios. A Caramuru, por exemplo, que já havia conseguido autorização para aumentar sua produção, está pondo R$ 68 milhões em dois investimentos diferentes. Está construindo uma nova usina em Ipameri, no Estado de Goiás, com previsão para entrar em operação em julho deste ano, e aumentando a capacidade de produção em São Simão, também em território goiano. Com as duas obras, chegará a uma capacidade instalada total de 450 milhões de litros por ano.

A segunda conclusão que se pode tirar analisando o Diário Oficial é que a Petrobras Biocombustíveis vem mais forte do que nunca. A empresa conseguiu autorização para ampliar a produção de sua unidade em Candeias, no interior da Bahia, de 108 milhões para 217 milhões de litros por ano, o que duplicará a sua capacidade e a tornará uma das dez maiores usinas do país.

As obras em Candeias começaram apenas quatro dias depois de oficializada a autorização. Segundo a empresa, a idéia é aproveitar a grande quantidade de matéria- prima existente na região. O início da produção na nova escala está previsto para agosto de 2010 e os investimentos serão da ordem de R$ 60 milhões.

Com a ampliação, a Petrobras poderá se tornar a maior produtora de biodiesel do país. Somada ao início da produção em Guamaré (RN) e em Marialva (PR), onde a estatal divide o bolo de ações com a BSBios, a ampliação de Candeias deve elevar a capacidade instalada da companhia para 588 milhões de litros anuais, superando assim as maiores rivais privadas, Granol e Brasil Ecodiesel. Isso se essas empresas não decidirem investir em ampliação também.

No entanto, é interessante notar que a Petrobras pode vir a duplicar também suas outras duas unidades, em Quixadá (CE) e em Montes Claros (MG). Originalmente essas usinas foram construídas nos mesmos moldes da fábrica de Candeias, que já havia duplicado a capacidade de 57 para 114 milhões de litros/ano.

No pacote das últimas (e importantes) ampliações está a Brasbiodiesel, do grupo JBS/ Bertin. A empresa conseguiu no dia 14 de janeiro a autorização da ANP para operar a nova capacidade expandida da usina, de 201,6 milhões de litros.

Mesmo quem é novo no mercado está otimista. A Grupal, que trabalha com esmagamento de soja e caroço de algodão, comprou a usina da Cooami, em Sorriso (MT), e já investiu em ampliação. A unidade terá a produção ampliada de 3,6 milhões de litros para 43,2 milhões de litros por ano. A meta é colocar a usina em operação no segundo semestre de 2010, avisa o gerente administrativo José Luiz de Souza Freire. Para isso a empresa espera contar com as matérias-primas abundantes na região: soja e algodão.

No entanto, não é só no curto prazo que as empresas estão pensando em ampliar a produção. Na BSBios, a meta é aumentar a capacidade tendo o B10 e o B20 em mente. “Vamos estar bem posicionados no mercado”, aposta o diretor superintendente, Erasmo Carlos Battistella. A empresa tem planos de dobrar a capacidade produtiva de suas unidades, em Marialva (PR) e em Passo Fundo (RS).

Um terceiro ponto que se torna previsível a partir da publicação dos editais é que haverá, especialmente a partir do segundo semestre deste ano, um grande aumento na capacidade instalada do país. E isso tem mais de uma conseqüência.

Por um lado, a competitividade aumenta, o preço final tende a cair e o governo federal pode se sentir seguro para aumentar ainda mais a adição de biodiesel ao diesel mineral. O lado ruim disso é que o aumento da capacidade pode significar a volta dos altos percentuais de ociosidade nas usinas, e o B5 não será suficiente para ocupar toda a capacidade produtiva. Só o tempo dirá se as empresas estão ou não dando um passo maior do que as próprias pernas.