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Distribuição: Biodiesel x etanol


BiodieselBR.com - 12 nov 2007 - 15:10 - Última atualização em: 20 jan 2012 - 11:18
Biodiesel x etanol
Mesmo preparados para enfrentar o novo percentual de mistura, os distribuidores já antecipam soluções de olho na evolução rápida do programa. Marcondes afirma que o aumento da quantidade de etanol transportado por meio de dutos foi proposto desde a primeira reunião da Câmara Setorial de Oleaginosas e Biodiesel do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, realizada em maio. O Sindicom propõe aumentar o volume escoado dos atuais 400 milhões de litros para 4 bilhões de litros por ano. A intenção é desafogar a demanda por caminhões no Estado de São Paulo e facilitar o escoamento dos novos volumes de biodiesel produzidos. “Podemos utilizar os dutos existentes para transportar de 10% a 20% do total de etanol no Estado. Isso aumentaria a oferta de caminhões disponíveis para o biodiesel e também diminuiria a circulação nas rodovias”, avaliou.

Segundo Marcondes, o foco da medida não é apenas a eficiência da logística e a redução dos custos de frete, que seria favorecida pela maior oferta de veículos, mas, sobretudo, a questão ambiental, melhorando o balanço de carbono da cadeia produtiva. Atualmente, apenas 2% do volume de etanol coletado no Brasil é transportado por dutos, o equivalente a 400 milhões de litros por ano. O executivo reconhece que o principal entrave para que isso evolua é a escassez de investimento público. “Se compararmos o mapa dos dutos nos Estados Unidos ou no Canadá com os do Brasil veremos que estamos muito atrás deles e que os investimentos nesse sentido são escassos”, analisou. Os EUA inclusive já realizaram o primeiro transporte comercial de biodiesel por dutos em julho deste ano, com o escoamento de um volume pouco superior a 2,3 milhões de litros do Mississipi a um terminal localizado no Estado da Geórgia.

Segundo informações da União da Indústria de Cana-deaçúcar (Unica), o mercado de etanol no Brasil movimenta cerca de 20 bilhões de litros por ano, uma média de 1,6 bilhão de litros por mês – próximo ao volume do B4 em um ano. O Estado de São Paulo responde por cerca de 50% desse total, o equivalente a 1 bilhão de litros por mês. Para Antônio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da Unica, o acréscimo de um ponto percentual de biodiesel no diesel não trará grande impacto ao mercado. “Uma coisa é saltar de 1% para 2% e deste para 4%, que nos dois casos significam 100% a mais de volume. Com a possível chegada do B5 no ano que vem o impacto no transporte não será tão grande”.

Ele disse ainda que a tendência é que a concorrência entre biodiesel e etanol na fase de coleta diminua naturalmente com o crescimento da produção dos dois biocombustíveis. “Ninguém vai ficar olhando o volume de combustível produzido crescer sem mudar o modal de transporte. Daqui a cinco ou seis anos o mercado de etanol será de 40 ou 60 bilhões de litros por ano e não dá para ficar assistindo entrar e sair caminhão do Estado sem fazer nada. Quanto menor o custo com distribuição, mais competitivo será o etanol na bomba e isso é positivo para o setor como um todo”, concluiu Rodrigues.

No entanto, para Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra-estrutura (Cbie), a matemática não será a mesma para o biodiesel. “Com a crise, a soja recuou e os leilões de venda estão com preços melhores. Mas o biodiesel ainda pode encarecer muito o diesel. Se [o mercado] continuar insistindo no grão como principal matéria-prima, é possível que qualquer elevação nos preços inviabilize a produção”, analisou. Ainda segundo o diretor, a discussão central de agora em diante não seria o aumento da mistura, mas sim o estudo de novas alternativas para produzir com liberdade e aumentar a concorrência e a eficiência. “É importante criar mecanismos para reduzir esse preço final”, completou.

A discussão sobre a diversificação de matérias-primas para produção de biodiesel tem sido uma das principais pautas nas reuniões da câmara setorial. Depois da soja, que está presente em 80% da produção nacional, o único insumo capaz de atender parte da demanda atualmente é o sebo bovino – responsável por 14% do que é produzido. Marcondes disse que um dos entraves dessa matéria- prima é a diversidade climática existente no país. Sensível a oscilações climáticas, o sebo bovino se solidifica em baixas temperaturas. No entanto essa particularidade não chega a influenciar, pois uma simples mistura com biodiesel de soja resolve o problema. Assim, o executivo considera o sebo uma ótima alternativa em termos logísticos para o Sudeste, uma vez que concentra grande produção de gado.