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Laboratórios: Testes próprios e custos


BiodieselBR.com - 30 abr 2007 - 14:42 - Última atualização em: 23 jan 2012 - 09:30


Testes próprios


Apesar de ser positivo às usinas, o fato de elas poderem implantar laboratórios próprios para fazerem parte das análises diminuiu a possibilidade de receita dos laboratórios terceirizados com o mercado de biodiesel. Aos poucos, explica Nicolini, da ASG do Brasil, as usinas, inclusive as da Petrobras, estão montando seus laboratórios próprios e reduzindo a demanda pelas análises nos terceirizados. “Acredito que no último ano o volume de testes que fazíamos por mês recuou de 30 a 40%”, diz. Muitos dos clientes de Nicolini, proprietários de usinas de biodiesel, já montaram seus laboratórios, principalmente as instaladas em Mato Grosso e Goiás. “Os 22 testes que precisam ser feitos para atestar a qualidade do biocombustível podem demorar de três a cinco dias para serem concluídos e esse é um dos pontos que motiva as usinas a fazerem testes próprios”, explica.

A continuidade do processo de fabricação depende do resultado de algumas análises. É o que ocorre, por exemplo, com o teste de ponto de fulgor. “A usina precisa ter o equipamento para fazer esse exame, pois precisa dessa resposta no momento em que o processo de produção está em andamento. É complicado parar a fabricação do biodiesel para enviar a amostra a um laboratório terceirizado e aguardar o retorno do resultado”, pondera Alexandra dos Reis, química responsável da Quimis, fabricante de equipamentos para laboratório.

Ela afirma que o maior crescimento nas vendas da empresa vem de clientes de fora do Estado de São Paulo, sobretudo de Mato Grosso e Bahia. “A questão logística influencia muito nessa demanda maior por equipamentos para laboratórios. Muitas usinas, que precisam do resultado dos testes o mais rápido possível, ficam distantes da região onde está concentrada a maior parte das empresas que prestam esse serviço. Por isso, estamos vendendo mais para o interior do país e muito para as usinas”, conta Alexandra.

Apesar da entrada forte das usinas na implantação de laboratórios próprios, há limites para essa autonomia, na avaliação de Nicolini, da ASG do Brasil. Isso porque alguns equipamentos são caros e só são comportados do ponto de vista econômico por usinas de maior porte. “Um exemplo, na minha avaliação, é o equipamento para análise de sódio e potássio, que custa cerca de R$ 250 mil”, diz. De um total de 22 testes que têm de ser feitos para atestar a qualidade do biodiesel, é possível que 15 possam ser feitos pelas usinas mais estruturadas, segundo ele.

As últimas normativas da ANP sobre a exigência desses testes também flexibilizou a necessidade de algumas análises, o que foi positivo para as usinas e nem tanto para os laboratórios. O responsável da ASG do Brasil conta que foi o que aconteceu com a mudança da exigência do teste conhecido como “número de cetano”, que antes tinha de ser feito por lote e agora somente a cada trimestre. “Cada teste custa R$ 350. Antes fazíamos cerca de 60 a 80 por mês. Agora fazemos esse mesmo número, mas a cada três meses”, lamenta Nicolini.


Custos

A possibilidade de as usinas montarem laboratórios próprios e a flexibilização da freqüência para alguns testes contribui, no final da contas, para a redução do custo do biodiesel que chega ao consumidor final. “Uma usina que faz os 25 testes em laboratórios terceirizados gastava em torno de R$ 2 mil por lote. Sem a necessidade de realizar a análise do número de cetano por lote, esse gasto cai para R$ 1,7 mil”, exemplifica Nicolini. O equipamento que realiza o teste de número de cetano, de acordo com ele, é importado e tem um custo caro de aquisição. “A máquina vale entre US$ 400 mil e US$ 500 mil”.

Há uma desvantagem de importar o produto com o dólar atualmente valorizado, mas o fato é que a maior parte dos equipamentos para análise de biodiesel em funcionamento no Brasil ainda são trazidos do exterior. “Acredito que entre 80 e 90%”, acrescenta Nicolini. E as alterações de regras pela ANP contribuíram para que alguns desses investimentos fossem frustrados por laboratórios e usinas. Foi o que ocorreu com os que adquiriram equipamentos de destilação que custam em torno de 55 mil euros. “Quem comprou vai ter que deixar no museu. É um destilador a vácuo, de difícil utilização para outras análises. Para gasolina, por exemplo, é suficiente fazer o teste de destilação atmosférica, não é necessário usar o equipamento a vácuo”, lamenta.