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Crambe: Safrinha


BiodieselBR.com - 05 mar 2007 - 12:40 - Última atualização em: 23 jan 2012 - 09:57

Carlos Pitol ressalta que a Fundação MS deverá ter sementes prontas para o uso no início de 2009 e que a idéia da instituição é, nesta fase inicial, trabalhar em parceria com empresas do setor de biodiesel na divulgação e no plantio. “Já temos meia dúzia de empresas interessadas, em Estados como São Paulo, Goiás e Mato Grosso”. Apesar de não citar quais são as usinas envolvidas e de não detalhar como seriam operacionalizadas essas ações, o pesquisador afirma que as parcerias garantirão um trabalho com grupos “mais organizados e mais conscientes”, o que deve favorecer o acompanhamento da evolução da cultura.

Dependendo do padrão do solo, o custo de produção do crambe pode variar entre R$ 300 e R$ 500 por hectare plantado, conforme Pitol. “Em condições de clima adequado, ou seja, baixa umidade do ar e pouca chuva, a cultura apresenta pequena incidência Foto: Gerson Sobreira Grãos do crambe têm entre 28 a 38% de óleo 42 Fev/Mar 2009 de doenças e o ataque de pragas é muito baixo. Para a produção de biodiesel, além de boa qualidade como matéria-prima, o óleo de crambe tem a vantagem de não ser usado como alimento, portanto não compete com o consumo humano”, destaca.


Safrinha

Para o pesquisador da Fundação MS, além da rusticidade, do baixo custo por hectare e do ciclo curto de produção (até 90 dias), outra vantagem é que a planta pode ser cultivada no período outono/ inverno, ocupando assim áreas agrícolas ociosas, que costumam ser exploradas apenas na safra de verão. “Atualmente, o crambe é recomendado para a região de transição entre o Sul e o Cerrado, abrangendo Mato Grosso do Sul, norte do Paraná e oeste/norte de São Paulo. Trabalhos preliminares da fundação também têm demonstrado o desenvolvimento da cultura na região de Cerrado, principalmente nos chapadões onde é cultivada a soja”, diz.

Produtores do município de Jataí (GO), proprietários da usina Jataí Ecodiesel, que está sendo construída na cidade, resolveram plantar crambe em março de 2008. Não conheciam a planta, mas mesmo assim decidiram plantar de forma experimental em áreas onde colheram soja, sem a aplicação das técnicas recomendadas e sem adubo. A surpresa veio na hora de colher. Obtiveram rendimentos de 20 a 35 sacas por hectare. Com esse resultado, não restaram dúvidas quanto ao incremento da área para o próximo ano e à incorporação de tecnologias de plantio e adubação. Só para o município de Jataí estão previstos plantios superiores a 20 mil hectares, que podem aumentar dependendo do comportamento do preço do milho e a disponibilidade de sementes. Luiz Guerra, gerente administrativo em Jataí, afirma que por se tratar de uma planta cultivada no inverno, com vantagens no custo de produção e boa produtividade, o crambe pode ser uma alternativa interessante para a produção de biodiesel na região.