Miniusinas: Quase parando

Cheio de boas intenções, o programa das miniusinas do Ceará nasceu com o objetivo de aumentar a renda dos agricultores familiares. O projeto industrial foi feito, mas a análise de viabilidade econômica foi negligenciada

Alice Duarte, de Curitiba

A idéia começou a se difundir em 2006. Para agregar mais valor à produção dos pequenos agricultores do interior do Ceará, o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) – órgão vinculado ao Ministério da Integração Nacional – juntamente com o Instituto Centro de Ensino Tecnológico (Centec) criaram um programa para a construção de indústrias compactas de biodiesel, compostas de usina e unidade de extração de óleo (com ênfase na mamona e no girassol). Das seis unidades anunciadas, apenas duas foram concluídas: as dos municípios de Tauá e Piquet Carneiro, que juntas custaram R$ 1,2 milhão. Individualmente elas têm capacidade para fabricar dois mil litros de biodiesel por dia, mas até agora não produziram sequer um litro do combustível. O motivo? Vários, inclusive a falta de matéria-prima.

Três unidades – localizadas em Sobral, Russas e Aracoiaba – estão parcialmente concluídas. Nesse caso, o que emperrou o processo foi a compra das máquinas de extração de óleo. “No início, cada equipamento foi cotado a R$ 90 mil, mas com o aumento da demanda, o preço foi para R$ 200 mil. E o Dnocs não teve como resolver isso com o orçamento de 2008”, diz o coordenador do programa de biodiesel do Dnocs, Amauri Fernandes. O Centec calcula que sejam necessários mais R$ 400 mil para comprar as máquinas. As três unidades completas têm um custo individual estimado em R$ 500 mil e estão projetadas para processar aproximadamente oito mil litros de óleo e três mil litros de biodiesel por dia cada uma.

A questão é que, além das esmagadoras, não há por enquanto infra-estrutura para abrigar essas três unidades. “Estamos aguardando as prefeituras entregarem os prédios prometidos”, diz o engenheiro José Façanha Gadelha, diretor do Cefet de Limoeiro do Norte – antiga Faculdade de Tecnologia Centec (Fatec) –, que implantou as primeiras miniusinas e acompanha o projeto desde o início. “Em Sobral, já existe um galpão liberado pelo Dnocs para a prefeitura reformar. Em Aracoiaba, a prefeitura aguarda a liberação de um galpão da Conab e em Russas a espera é por um galpão federal”, diz Façanha.

Outra miniusina que está sendo instalada fica em Limoeiro do Norte desta vez uma parceria do Dnocs com a prefeitura. Com todos os equipamentos prontos, a espera é pela reforma de um galpão cedido pelo Dnocs, localizado entre Limoeiro e o perímetro irrigado de Morada Nova. Segundo Façanha, a prefeitura prometeu concluir a reforma ainda em 2008. “Tendo matéria-prima, em 15 dias a usina poderá funcionar”, diz.

A mamona, pelo alto custo de produção, tem sido o ponto frágil do projeto. “Temos zoneamento agrícola para o plantio na região, mas a cultura ainda está em fase de desenvolvimento. A Petrobras está incentivando o plantio, custeando assistência técnica aos agricultores familiares contratados, em parceria com a Ematerce e o governo do Estado”, diz Fernandes.

O apoio que a Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA) do Ceará deu aos agricultores familiares este ano foi um subsídio de R$ 150 por hectare (recursos do Fundo de Combate a Pobreza) para os agricultores que possuem até três hectares. Em 2009 o auxílio será de R$ 200 a 300. “O governo forneceu 50% das sementes de oleaginosas (o restante está sendo financiado pela Petrobras).

A safra de mamona no Ceará, que é consorciada com milho e feijão, é de 22.150 hectares, cuja colheita encerra no dia 15 de dezembro. Espera-se um rendimento de 420 quilos por hectare, valor que a SDA considera baixo.

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