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ANP mantém silêncio sobre os dados da produção de biodiesel no país


BiodieselBR - 06 nov 2007 - 14:55 - Última atualização em: 20 dez 2011 - 11:16
ANP mantém o silêncio quando o assunto são os dados sobre a produção de biodiesel no Brasil

Redação BiodieselBR

A pergunta é simples: quanto do biodiesel produzido no Brasil é feito de soja? E de mamona? A resposta está nas mãos da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que recebe todos os meses o balanço da produção de todas as empresas do setor do país. Mas ao ser questionada sobre o assunto a instituição sai pela tangente. “A matéria-prima utilizada por cada empresa pode sofrer alterações mensalmente e é considerada, atualmente, uma informação estratégica, visto a flutuação de preços dos insumos”, respondeu a ANP a uma solicitação de informações.

A revista BiodieselBR solicitou essa informação à ANP em diversas ocasiões, mas nunca obteve resposta. Numa primeira tentativa a agência encaminhou o repórter ao Ministério de Desenvolvimento Agrário, que por sua vez pediu que a reportagem entrasse em contato com a Petrobras. Em outra ocasião a Assessoria de Comunicação da ANP declarou que os dados existem, mas não são processados porque não é de interesse do órgão saber de onde vem o biodiesel produzido no país.

Essa informação é essencial para que se tenha um perfil do biodiesel nacional. Entre as diversas utilidades, seria possível saber se a inclusão social está acontecendo e se o dinheiro gasto pela população no diesel B3 está realmente ajudando a agricultura familiar.

Os dados sobre a participação de cada matéria-prima na produção de biodiesel no país pipocam nos eventos do setor, mas ainda carecem da chancela oficial. “Quem é da área precisa saber desses dados. É fundamental”, defendeu o pesquisador Luiz Augusto Horta Nogueira em palestra na Universidade de São Paulo. A falta de informações dá lugar à especulação sobre a verdadeira situação do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel e o motivo para a recusa insistente da ANP em liberar dados fundamentais sobre o setor. Enquanto a agência mantém o silêncio, fica a pergunta: essas informações são estratégicas para quem? Difícil de acreditar que são as usinas o alvo da proteção da ANP, uma vez que os dados consolidados e agrupados não revelam a matéria-prima utilizada por cada usina.

O que se pode deduzir sobre a produção de biodiesel no país leva a conclusões óbvias: a soja é a base de todo o programa brasileiro e o investimento na mamona não deu resultados palpáveis. Talvez seja hora de perguntar: a falta de notícias sobre o assunto é um indício de que as coisas estão piores do que se imagina? A resposta está com a ANP.