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Perfil da indústria: Comanche Clean Energy


BiodieselBR - 06 nov 2007 - 13:15 - Última atualização em: 23 jan 2012 - 11:27
Na Comanche Clean Energy a produção de etanol pode vir a ser um diferencial no mercado do biodiesel

Por Rodrigo Squizato, de Salvador


A Comanche Clean Energy é uma das poucas empresas do Brasil que atua tanto no mercado de biodiesel quanto no de etanol. Com uma unidade de produção de biodiesel estrategicamente localizada no município de Simões Filho, na Grande Salvador, a empresa garante vantagens competitivas no complicado mercado brasileiro de bioenergia. O local é estratégico porque fica perto tanto do pólo petroquímico de Camaçari (que abriga a terceira maior refinaria do Brasil), quanto da principal estrada que liga a capital ao interior, de onde vêm as matérias-primas usadas pela usina.

A unidade da Comanche em Simões Filho foi comprada da Indústria Brasileira de Resinas (IBR), que já tinha obtido a autorização de funcionamento da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em setembro de 2006, o que a coloca entre as pioneiras do setor. A aquisição foi financiada pelo fundo de investimento norte-americano que controla a empresa. O fundo investiu R$ 24 milhões para ampliar a capacidade de produção de biodiesel da usina e desenvolver o cultivo de oleaginosas.

“Sob o controle da IBR a usina era capaz de produzir 20 milhões de litros por ano. Após o investimento, a capacidade potencial saltou para 100 milhões de litros”, explica Hilton Barbosa, diretor da unidade de produção de biodiesel na Bahia. A ampliação da capacidade instalada e alteração da titularidade demandou uma nova autorização da ANP, que foi obtida em novembro do ano passado.

O investimento na unidade industrial foi de R$ 6,88 milhões. As obras começaram no segundo semestre de 2007 e terminaram em janeiro deste ano. Com as alterações, a usina passou a operar com diversos tipos de óleo pela rota metílica. No parque industrial há uma capacidade instalada de armazenamento para cinco milhões de litros. “As principais matérias-primas usadas pela empresa são os óleos de soja, algodão e gorduras residuais”, explica Barbosa. Mas a empresa também deve começar a usar em breve girassol e mamona, produzidos em áreas de plantio próprias e em parcerias com agricultores familiares.

Do volume produzido atualmente, cerca de 15% do óleo é da própria empresa e o restante é comprado de terceiros. Contudo, explica Barbosa, a empresa tem uma meta de produzir cerca de 50% do principal insumo para o biodiesel. Para isso, a Comanche conta com plantações em 15 mil hectares, distribuídos em cinco municípios da Bahia e na cidade de Flores, em Goiás. Em território baiano, a empresa está presente em Iuiu, Guanambi, Jacobina, São Desidério e Rio Real.

O investimento feito na parte agrícola somou R$ 17,2 milhões. É parte do novo posicionamento estratégico da empresa conquistar um maior valor agregado em virtude da produção própria e do uso da mamona. No primeiro caso porque, verticalizada na cadeia de suprimento, a empresa pode se apoderar das margens de lucro desde a plantação de oleaginosas até a produção do biodiesel.