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Biodiesel de algas: A retomada


BiodieselBR - 05 nov 2007 - 15:35 - Última atualização em: 23 jan 2012 - 11:19

A retomada


A HR Biopetroleum é outro membro importante nesse movimento de retomada da tecnologia de microalgas. Sediada no ensolarado Havaí, a companhia existe há quatro anos (mesma idade da Community Fuels) e é uma das raras nesse campo que conseguiu ultrapassar a fase puramente laboratorial. “Poucas empresas já chegaram ao estágio em que estamos. A HRBP já desenhou, construiu e vem operando uma usina demonstrativa com capacidade aceitável de ganhos em escala industrial”, comemora Ed Shonsey, CEO da companhia.

E a julgar pelos números apresentados pelo executivo, o dia do biodiesel de algas chegar aos postos de combustível pode estar mais próximo do que se poderia esperar. “Utilizando nossa biblioteca de algas e métodos de produção de propriedade exclusiva, a HR Biopetroleum tem conseguido obter índices de produtividade da ordem dos 9,2 mil litros de óleo por hectare”, gaba- se Shonsey.

Um pouco mais reservado que o colega quanto aos resultados obtidos pela Community Fuels, Guay especula que a viabilidade econômica do biodiesel de algas não pode ser definida apenas em função da produtividade, existem outros elementos que agregam valor a cadeia. “Como a gente aproveita esgoto em nosso processo de cultivo, devemos considerar que o biodiesel que produzimos ajuda a mitigar os custos do tratamento e remediação ambiental desses efluentes”, pondera.

Ver o biodiesel rebaixado à categoria de absorvedor dos resíduos de outras atividades pode não ser bem a realização dos sonhos dourados do setor de biocombustíveis, mas é um caminho que pode ter suas próprias recompensas – que o digam as experiências de aproveitamento do sebo animal ou do óleo de cozinha.

O professor Carioca, por exemplo, considera que a principal virtude das algas está justamente em sua capacidade de “maximizar o rendimento de sistemas de produção energética já instalados, ao aproveitar o CO2 que seria despejado na atmosfera.”

“O futuro dos biocombustíveis é a produção integrada, pois assim você consegue otimizar o uso da terra para produzir etanol e biodiesel”, arremata. Os usineiros brasileiros, por exemplo, terão uma grata surpresa ao descobrirem que podem utilizar as montanhas de gás carbônico emitidas ao longo do processo de fermentação responsável pela produção do etanol. “Para cada milhão de litros de álcool são jogados na atmosfera cerca de 750 mil toneladas de CO2. Esse é um desperdício que poderíamos aproveitar”, comenta o professor Carioca, revelando que vem negociando acordos de pesquisa e desenvolvimento com a Petrobras e com a MPX (empresa do grupo do mais recente magnata do petróleo, o empresário brasileiro Eike Batista).

Embora a promessa de uma convergência entre os sistemas produtivos do biodiesel e do etanol seja boa demais para ser ignorada, a verdade é que, ao menos por enquanto, as microalgas ainda são “coisa de gringo”. O Brasil não tem qualquer iniciativa de pesquisa consolidada nessa área e – até onde vão os extensos conhecimentos do professor Carioca – sequer foram identificadas espécies brasileiras que possam servir à produção. Ainda estamos, com perdão do trocadilho, totalmente verdes no que diz respeito ao biodiesel de algas.

Aqui e ali, contudo, as coisas começaram a se mover. Além dos contratos que Carioca vem tentando costurar com o setor produtivo, outros atores começaram a perceber que têm condições de entrar neste jogo. A Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn), por exemplo, descobriu há pouco tempo que seus 35 anos de experiência cultivando microalgas poderiam servir para outros fins além de alimentar camarões.

Segundo o gerente tecnológico de aqüicultura, Ezequias Viana de Moura, a possibilidade de entrar na área de biodiesel empolgou os pesquisadores da estatal. Desde o ano passado, eles vêm revirando a literatura científica atrás de uma espécie nativa que tenha boa composição lipídica e buscando parcerias que permitam transformar o entusiasmo em pesquisa séria. “Se conseguíssemos a verba hoje, em seis meses a gente já estaria com toda a infraestrutura montada para começar a trabalhar”, garante o cientista. “O Brasil está atrasado nesse sentido, mas se começarmos a trabalhar logo ainda temos chance de recuperar o tempo perdido e desenvolver nossos próprios sistemas produtivos”, arremata o potiguar.