BiodieselBR
Publicidade

[Atualizada] Sem Cargill, usinas e distribuidoras apresentam números divergentes para entregas de biodiesel

Diferença entre os volumes reportados pelos dois lados do balcão em julho passa dos 72,4 mil m³

BiodieselBR.com 4 min de leitura

Em julho, houve uma divergência significativa entre os volumes de biodiesel que as usinas afirmam ter entregue e os que as distribuidoras dizem ter recebido. De acordo com as usinas, o volume reportado à ANP foi de 757,4 mil m³, enquanto as distribuidoras contabilizaram 829,8 mil m³ de biodiesel, uma diferença superior a 72,4 mil m³ – a maior já registrada na história do setor.

Diferenças entre as entregas e os recebimentos de biodiesel são comuns, pois as cargas que saem das usinas nos últimos dias de um mês podem chegar às distribuidoras já no mês seguinte. Desde que os números começaram a ser reportados por ambos os lados do mercado no início de 2010, a diferença média se manteve em torno de 1,7 mil m³. Por isso, o desvio mais recente naturalmente levanta um alerta.

Uma análise mais detalhada dos dados divulgados pela ANP revela que não constam entregas de nenhuma das quatro usinas da Cargill no último mês. Desde o final do ano passado, quando incorporou os ativos da Granol, o grupo empresarial de origem norte-americana se tornou o maior fabricante de biodiesel do país.

Em julho, houve uma divergência significativa entre os volumes de biodiesel que as usinas afirmam ter entregue e os que as distribuidoras dizem ter recebido. De acordo com as usinas, o volume reportado à ANP foi de 757,4 mil m³, enquanto as distribuidoras contabilizaram 829,8 mil m³ de biodiesel, uma diferença superior a 72,4 mil m³ – a maior já registrada na história do setor.

Diferenças entre as entregas e os recebimentos de biodiesel são comuns, pois as cargas que saem das usinas nos últimos dias de um mês podem chegar às distribuidoras já no mês seguinte. Desde que os números começaram a ser reportados por ambos os lados do mercado no início de 2010, a diferença média se manteve em torno de 1,7 mil m³. Por isso, o desvio mais recente naturalmente levanta um alerta.

Uma análise mais detalhada dos dados divulgados pela ANP revela que não constam entregas de nenhuma das quatro usinas da Cargill no último mês. Desde o final do ano passado, quando incorporou os ativos da Granol, o grupo empresarial de origem norte-americana se tornou o maior fabricante de biodiesel do país.

Com exceção da usina de Porto Nacional (TO), que registrou produção apenas nos dois primeiros meses do ano, todas as outras unidades da Cargill vinham fabricando biodiesel regularmente ao longo deste ano. É provável que tenha ocorrido uma falha de comunicação entre a empresa e a ANP.

Desde o início do ano, as plantas da Cargill entregaram uma média de 58 mil m³ de biodiesel por mês, o que seria suficiente para reduzir a discrepância para menos de 15,5 mil m³.

A ausência dos dados da Cargill pode também explicar boa parte do déficit recorde entre a produção e a demanda de biodiesel registrado pelos números oficiais da ANP. Estimativas apontam que faltariam 88,4 mil m³ de biodiesel para fechar as contas do mês de julho.

Vale ressaltar que o volume reportado pelas distribuidoras se aproxima bastante dos 831,6 mil m³ que a BiodieselBR.com estima serem necessários para suprir toda a demanda doméstica no mês de julho.

Números atuais

Até o momento, sabemos que as entregas de biodiesel somaram um pouco menos que 757,5 mil m³ em julho, o que já representaria um recorde para o período, abrindo quase 11% em relação ao volume reportado pelas usinas um ano atrás.

Em relação ao volume de biodiesel contratado para garantir o mercado durante o 4º bimestre do ano, o volume que já sabemos ter sido entregue representa um grau de execução dos contratos de 46,5%. Restariam 872,2 mil m³ para o próximo mês.

O faturamento do setor com a venda de biodiesel também está em alta. Cruzando os números atuais com os preços médios do biodiesel no último mês, estima-se que as usinas movimentaram R$ 3,86 bilhões, um aumento de 6,1% em relação ao faturamento de junho.

Esse montante já é suficiente para fazer de julho de 2024 o segundo melhor mês na história do sistema de livre contratação, atrás apenas de maio de 2022, quando as receitas do setor superaram os R$ 3,92 bilhões.

Em resposta a questionamentos encaminhados pela reportagem, a assessoria de imprensa da Cargill informou que as usinas da empresa vêm operando normalmente e já "estamos em contato com a ANP para corrigir a falha na publicação do dado" sem, contudo, antecipar quais seriam os números correto. BiodieselBR.com vai continuar monitorando o portal da ANP.

Atualização em 30 de agosto - O texto foi modificado para incluir a resposta da Cargill.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com

Compartilhar: