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Vanguarda Agro planeja vender 42 mil hectares


O Estado de S.Paulo - 11 jun 2012 - 09:29 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53
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A Vanguarda Agro pode vender 42 mil hectares de terras que possui nos Estados de Minas Gerais, Bahia, Piauí e Ceará. O desinvestimento faria parte da estratégia da empresa de abandonar a produção de biodiesel. A informação é do presidente da Vanguarda Agro, Bento Moreira Franco. "São terras pobres e que não servem para o plantio de soja, milho ou algodão, que são os produtos em que a Vanguarda vai se concentrar", disse o executivo.

Franco explica que as terras foram adquiridas quando o foco da empresa era o plantio de matéria-prima para produção de biodiesel, principalmente mamona e pinhão manso. "A empresa original, a Brasil Ecodiesel, foi diluída com a entrada da Maeda e da Vanguarda Agropecuária, duas empresas voltadas para o agronegócio e não para o biodiesel", diz.

No início de abril, as duas usinas produtoras de biodiesel que estavam ativas, localizadas em Iraquara (BA) e Porto Nacional (TO), foram vendidas por R$ 155 milhões para a Oleoplan. A Vanguarda ainda possui outras três usinas que estão desativadas, em Itaqui (RS), Crateús (CE) e Floriano (PI). "Estamos estudando o que fazer com elas. Ainda não sabemos se iremos vender ou voltar a produzir biodiesel", afirma. As três usinas não possuem o Selo de Combustível Social que dá acesso à participação da maior fatia dos leilões de compra do governo.

O cenário atual do mercado de biodiesel aponta para uma venda tanto das usinas como das terras. O recém-eleito presidente do conselho de administração da Vanguarda Agro, Salo Davi Seibel, afirma que o atual mercado para o biodiesel está com maior oferta que demanda, o que tem pressionado as cotações.

"Dificilmente alguém consegue ter lucro nesse setor. O biodiesel tem desvantagens competitivas que tornam sua produção inviável", explica o executivo. Segundo Seibel, a empresa analisa as mudanças na realização dos leilões para ver se vale a pena voltar a produzir biodiesel.

O executivo afirma, contudo, que mesmo que a Vanguarda volte a produzir biodiesel, ele será um negócio secundário. No primeiro trimestre, a operação de biodiesel afetou negativamente o resultado da Vanguarda.

Com um prejuízo de R$ 7 milhões no período, as vendas de biodiesel reduziram o lucro do setor de agribusiness para R$ 16,8 milhões. Para o segundo trimestre, com a operação de biodiesel paralisada, o efeito negativo no lucro final será quase residual, explica o presidente da empresa.

Reestruturação. Depois de atravessar turbulências societárias e de mercado, a Vanguarda pretende concluir, em 2012, a consolidação de suas operações agropecuárias. Depois de vários períodos de desentendimentos entre os acionistas e da saída do megainvestidor Enrique Bañuelos de seu capital social, a empresa criou um bloco de controle coeso e estável que possui o mesmo objetivo: crescer no agronegócio de forma sustentável.

"Vamos terminar a consolidação da Brasil Ecodiesel, da Maeda e da Vanguarda Agropecuária na Vanguarda Agro nos próximos meses", diz Franco. Segundo ele, não há planos de realizar novas aquisições ou de investir em crescimento expressivo no momento. "Vamos focar na expansão que já estava planejada e na redução do endividamento."

Com a saída da Veremonte do capital social da empresa, o bloco de controle é formado por Otaviano Pivetta, com 26,5% das ações, os irmãos Hélio e Salo Davi Seibel com 20,5% e Sílvio Tini, com cerca de 10%. Juntos, eles possuem cerca de 57% do capital da Vanguarda.

Segundo Seibel, a Veremonte, de Bañuelos, saiu por conta própria, descontente com o fato de os demais acionistas não aprovarem o formato do fundo de terras que ela queria criar para expandir a área plantada da empresa. "O fundo de terras não era viável e não conseguiria dar retorno para seus investidores sem provocar danos à saúde financeira da Vanguarda."

A proposta, segundo Seibel, trazia uma série de custos: "Os potenciais investidores teriam que pagar uma taxa de entrada e uma de saída, que iria para a Veremonte, administradora do fundo. Além disso, as taxas que seriam cobradas estariam acima do mercado e isso tudo entraria como custo para a Vanguarda".

A Vanguarda teria que arrendar suas terras para o fundo e, para usá-las, pagaria um aluguel a valores considerados acima do mercado. "Nossa estratégia é não colocar interesses particulares acima dos interesses da empresa", diz Seibel. Ele afirma que o projeto de fundo de terras não foi descartado, apenas o formato apresentado pela Veremonte.

EDUARDO MAGOSSI
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